• Tai Chi – Poder Interno e Efeito Sinomotor

    Tai Chi – Poder Interno e Efeito Sinomotor

    O propósito das artes marciais sempre foi melhorar o potencial do ser humano, compensando sua fragilidade física perante os outros animais mudando o seu corpo para torná-lo mais poderoso. O “poder” a que elas estavam se referindo era decorrente de um corpo internamente conectado, com um equilíbrio central balanceado e fortalecido, relaxado e fluído, nem fixo ou estático.

    Esse poder interno do corpo não depende de uma única arte ou de alguma expressão cultural particular para se manifestar. Ele vem de um trabalho especializado sobre o corpo e a mente na obtenção do equilíbrio de forças opostas, o Yin-Yang, através do treinamento neurossensorial de domínio do movimento e refinamento da percepção.

    Por exemplo, o Tai Chi Chuan não se parece muito com Yoga, mas ambas são disciplinas consideradas “internas” cujos resultados psicofísicos do seu treinamento são similares quando seguem as mesmas regras: circular a consciência por certos “meridianos” e “chacras” espalhados pelo corpo, transferir o peso sem deformar o eixo da coluna vertebral e ampliar o centro de gravidade em conjunto e harmonia com o ritmo natural da respiração.

    O trabalho corporal interno desenvolvido no Tai Chi é a chave de todas as artes, é o motor que as impulsiona. A efetividade das técnicas e dos golpes na autodefesa depende deste treinamento interior. Em uma situação de emergência, o Tai Chi lhe dará mais chances de reação e sobrevivência do que se tivesse investido o mesmo tempo decorando coreografias e estratégias ou só ocupado em se manter em boa forma. Seu treinamento suave, com movimentos lentos guiados pelo pensamento, condiciona o corpo e a mente com segurança. É um investimento a médio e longo prazo na sua proteção e qualidade de vida.

    Mas como medir a sua proficiência?

    Nas minhas aulas de Tai Chi fazemos exercícios e testes em duplas com essa finalidade, fáceis e seguros de serem demonstrados.

    RESULTADOS E BENEFÍCIOS

    Continuar estudando e praticando todas as lutas e artes marciais da atualidade ou cultivar e desenvolver o PODER INTERNO para gerar o EFEITO SINOMOTOR (conhecido como “AIKI” em japonês e “JIN” em chinês)?

    Escolhi a alternativa do Tai Chi e recomendo o mesmo aos meus alunos. Além de garantir uma maior vantagem tática em termos de defesa pessoal quando aliado (e alinhado) com prática do GUIDED CHAOS e do MÉTODO IMOTO, no TAI CHI criamos e cultivamos um corpo marcial hermeticamente fechado à prova de ataque. Essa é a chave para a boa saúde e segurança na sua velhice. Como sistema de condicionamento físico serve para aumentar o vigor, conservar os reflexos bem afiados para evitar tombos e acidentes e também ser capaz de gerar força sem as limitações musculares da idade. Essa consciência corporal aumentada está no alicerce de todas as tradições marciais e disciplinas corporais antigas.

    Resgatando esse treinamento, o seu senso de equilíbrio será vastamente melhorado com maior estabilidade, além de reeducar completamente a nossa tendência normal de andar transferindo todo o peso para um só lado, oscilando perigosamente.

    Quando adquirir esse corpo inamovível ele será tão profundo que os outros, ao entrarem em contato com o seu corpo, é que irão se desequilibrar!

    COMO ISSO É FEITO?

    Essa habilidade é desenvolvida, inicialmente, na prática individual. Nas lendas e estórias dos grandes mestres das artes marciais é comum ler sobre suas práticas solitárias nas montanhas e templos antes deles se “iluminarem” e retornarem à sua vida pública com habilidades incríveis. Por isso, prefiro ensinar exercícios solo e estáticos primeiro e só depois os dinâmicos e em grupos.

    O objetivo de treinar o corpo sem movimentos acrobáticos é aprender a ativar o tecido miofascial, localizando internamente suas espirais internas e pontos-gatilho de junção (sobre este assunto recomendo o livro “Trilhos Anatômicos”, de Thomas W. Myers).

    Muitos ainda tentam “escutar” a inteligência nativa do próprio corpo mas quase tudo que percebem é um feedback proprioceptivo, relativamente fácil de ser imaginado na meditação. É por isso que ficar parado em pé, embora um ótimo exercício isométrico, requer a constante aplicação da metacognição, da atenção plena sobre ela mesma. Nós aceleramos o processo ao tomar consciência das linhas de força na postura e da sua manipulação através de micro ajustes estruturais.

    Essa “Imobilidade Dinâmica” é uma das práticas do TAI CHI descrita no meu livro “A Metafísica do Combate”. Combinada com certas visualizações e quadros mentais, reprogramaremos o sistema nervoso central para gerar aquele outro tipo de “força” demonstrada pelos raros mestres das artes marciais internas.

    Quando coloco as pessoas na postura ereta apropriada corrigindo suas escápulas, posicionando seus pés e definindo os quadris da cintura — para muitos, pela primeira vez em suas vidas — todas dizem “isso parece antinatural…” Da mesma forma que a propriocepção nos engana no começo, essa sensação de estranhamento aos poucos será substituída por uma atitude de prontidão e bem-estar.

    Primeiro e antes de tudo, isso envolve a coluna vertebral (seu eixo central), aprendendo a abrir e fortalecer a forma como ela suporta a carga, transfere o peso e canaliza a força a partir do chão, ou manipula as forças que vêm ao seu encontro.

    Em essência, dar suporte à coluna e mover o corpo ao redor dela, retira folgas nas articulações, ativa o centro de gravidade e integra a sua forma de caminhar.

    Sentindo internamente a origem daquelas principais linhas estruturais, onde se conectam e como elas se equilibram, seu corpo funcionará com mais agilidade, pois você se torna consciente das faixas miofasciais que sobrepõem 80% dos meridianos da Medicina Tradicional Chinesa! Essas linhas ou canais estão localizados na parte da frente e atrás, de lado a lado e de cima para baixo cruzando todo o corpo nas chamadas “Seis Direções”. Porém, as pessoas só se movem com esses trilhos mediante um treinamento especializado sobre eles. Por isso a união de suas extremidades opostas enfatizada na prática do TAI CHI tem um propósito: ela ao mesmo tempo suporta e manipula forças recebidas externamente ou geradas internamente, criando um sistema elástico em que todo o esqueleto flutua sem peso, confortavelmente comprimido por longas cadeias de músculos, tendões e fáscia.

    Com essa qualidade de resiliência, seu corpo se descontrai, suas articulações ficam flexíveis e você recupera aquela maleabilidade típica das crianças. Nesse estado primal você aprende a absorver a força e enviá-la em outro vetor, ou permitir que vá para o chão, de forma que qualquer força chegando na horizontal seja imediatamente redirecionada para o chão. O resultado é que uma vez que o corpo esteja treinado para se conectar interiormente e remover as folgas (pontos sem tônus e sem consciência corporal), ele entende o que precisa fazer para manipular e cancelar forças. O que é recebido também fortalecerá sua estrutura. Quanto mais limpa essa corrente, mais o corpo pode gerar forças opostas em elevação ou enraizamento em qualquer lugar que seja tocado.

    Os exercícios de condicionamento desta habilidade são muito delicados, com o propósito de não causar muita exaustão física, mas sim obrigar a mente a checar cada detalhe postural e nuances sutis nos gestos e passos. Pare quando estiver cansado. Sua mente deve funcionar no ápice com o seu corpo atento e perceptivo. É um processo natural, gradual e metódico.

    Quando o corpo se familiarizar com as novas posturas e essa outra maneira de se movimentar, começarão os exercícios de conexão com um parceiro impondo resistência, primeiro de forma cooperativa e mais tarde, dissimilar.

    Nesta fase é vital entender o significado do Yin-Yang, da alternância entre as polaridades, e o seu propósito, senão acabará reproduzindo somente a aparência dos movimentos externos, sem se dar conta do poder interno e do EFEITO SINOMOTOR que emana deles.

    Uma vez que treinou seu corpo para manter essa integridade em movimento, você presenciará alguns fenômenos surpreendentes quando se deparar com forças súbitas aplicadas na sua direção. Dependendo do seu nível de interconexão, você terá virtualmente conquistado um “corpo fechado”!

    RESUMO

    Nas minhas aulas de TAI CHI da forma curta Yang de 37 posturas, os exercícios da SÉRIE FUNDAMENTAL do MÉTODO IMOTO, além dos exercícios em duplas de testes de vetores de força e movimentos em espirais, facilitam o emprego dos seus trilhos anatômicos evitando desgastar as articulações.

    E nesse processo constante de plasticidade neural e miofascial, visando transformar movimentos instintivos e inconscientes em ações intuitivas e voluntárias, cada segundo de prática trará benefícios extras à sua vida muito além do esperado somente nas artes marciais.

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