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Academia Imoto

SÍNTESE: A HEURÍSTICA DA SINÉTICA

Graças à ação tanto integrada quanto isolada de várias pessoas ao longo da história é que foi possível identificar, decifrar e resolver aquele conflito interno entre instintos e intelecto, entre a mente animal e a humana. Em todo processo de solução de problemas, e o da “condição humana” é o maior deles, as contribuições veem dos esforços individuais e de grupos nem sempre cooperando entre si ou seguindo metodologias iguais. Sem os trabalhos dos cientistas da mente, biólogos e psiquiatras, em conjunto com as pesquisas abrangentes dos antropólogos e arqueólogos, a descoberta da ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO seria impossível.

Dentre estas contribuições, uma compreensão básica do funcionamento do sistema nervoso é fundamental.

Assim, aperte os cintos: a viagem pelas estradas que levam ao cérebro vai começar!

O sistema nervoso tem duas partes principais: a somática ou voluntária; e a autônoma ou involuntária.

O sistema nervoso autônomo é o mais automático. Ele cuida da respiração, batimentos cardíacos, digestão e outras funções básicas da homeostase. Possui três partes: o sistema nervoso simpático e o parassimpático, e o sistema nervoso entérico no intestino.

Em um trabalho de pesquisa do HeartMath Institute publicado no Journal of the Advancement of Medicine, pacientes que recordaram um episódio de raiva por apenas 5 minutos suprimiram sua função do sistema imunológico por até seis horas. Esse episódio também desregulou os ritmos cardíacos, irritou os nervos e causou outros sintomas comuns produzidos pelo sistema nervoso simpático, deixando o corpo pronto para “lutar ou fugir”.

O SISTEMA NERVOSO ENTÉRICO: O SEGUNDO CÉREBRO

Desde Darwin, a ideia de como as emoções funcionam evoluiu. Atualmente se sabe que todo o corpo é necessário na experiência completa das emoções. O cérebro inclui a parte pensante, a memória e o sistema límbico: as zonas profundas de conexão e integração. As mensagens nervosas e hormonais do corpo para o cérebro também são necessárias. Vários pesquisadores verificaram que a base desta ação são os impulsos nervosos entéricos voltando ao cérebro. Esses sinais aferentes vêm das vísceras, dos órgãos internos e das extremidades dos membros. Entre estes impulsos viscerais conscientes estão a sede, a dor, a fome e as sensações gástricas que nos induzem presságios e decisões impulsivas (“gut feeling” e premonições); e os inconscientes são a pressão arterial e a regulação da quantidade de oxigênio no sangue, entre outras atividades metabólicas coordenadas pelo sistema nervoso vegetativo. Os neurocientistas agora acreditam que experimentar emoções requer, além da percepção de estímulos externos e do processamento cerebral e memória, as sensações interoceptivas do próprio corpo, todas atuando juntas (outro exemplo de interdependência e sinergia entre sistemas).

Esses sinais aferentes, vindos do sistema digestivo principalmente, se comunicam por uma linha nervosa direta no cérebro: o nervo vago. O nervo vago é o décimo de doze nervos cranianos. Esse par de nervos sai direto do cérebro e desce de cada lado do pescoço até o peito e o abdômen, conectando-se aos órgãos. São feixes de nervos da espessura do dedo mínimo, e podem transmitir mensagens tanto para o corpo quanto para o cérebro. Mesmo que o nervo vago não faça parte do sistema nervoso voluntário, você pode se comunicar diretamente com o seu cérebro usando esta enervação. Essas mensagens que retornam ao cérebro vão primeiro para o sistema límbico onde são processadas nos centros emocionais e depois conectadas à parte pensante do cérebro, o córtex. As outras maneiras de usar esse caminho para limpar emoções armazenadas é estimular a SINESTESIA por meio da massagem (ou automassagem), da biotensegridade (Tai Chi) e da respiração natural (experimente respirar seis vezes por minuto: cinco segundos inspirando, cinco segundos exalando…).

Enquanto as memórias emocionais viscerais estiveram interferindo no intelecto, o censor terá combustível para queimar e poluir a mente humana, sequestrar e amordaçar a INTELIGÊNCIA NATIVA. Você vive com uma extraordinária sabedoria corporal afiada ao longo de milhões de anos de seleção natural e ela está refém de um eu animal rudimentar que já deveria ter sido sacrificado pelo seu próprio bem.

O olfato apurado dos felinos é até 15 vezes melhor que o nosso. Eles possuem 200 milhões de células olfativas, enquanto um humano adulto conta apenas com 5 milhões. Paladar e olfato, agindo em conjunto, fazem com que o gato seja um ótimo exemplo de sinesteta animal, assim como as cobras que sentem cheiro pela língua e nós que também detectamos sabores por meio do olfato e do paladar combinados (saiba mais no estudo de 2019 do biólogo celular Mehmet Hakan Ozdener).

CONTEMPLAÇÃO EM MOVIMENTO

O TAI CHI CONTEMPLATIVO acalma o sistema nervoso simpático. Isso permite que o sistema nervoso parassimpático (SNP) domine e acalme o corpo. Uma das ações conhecidas do SNP é o aumento da saliva. E a salivação é um sinal de que o organismo está funcionando bem em uma sessão de contemplação sinestésica.

O fator de risco das doenças psicossomáticas (emocionais) é maior que o físico: as pessoas adoecem mais rapidamente por excesso de emoções represadas e excitação crônica dos nervos, que vão minando o sistema imunológico e embotando a percepção sensorial e, consequentemente, a memória e o pensamento racional são irremediavelmente afetados. Quaisquer semelhanças com os dementogênios do Dr. Bredesen não são coincidência.

A medicina moderna regida por uma visão lógica do cérebro, usando somente o seu lado esquerdo, ignora o papel do censor e da mente bicameral nos efeitos placebo e nocebo. Contudo, a delicada sensibilidade dos nervos diante do estresse urbano e os complexos psicológicos nos relacionamentos, abrem as portas para enfermidades, acidentes e a degeneração precoce, e seus cuidados ficam relegados às terapias alternativas e de psicanálise. Enquanto a medicina ignorar o perigo real do ego para a saúde do corpo, as farmácias continuarão lucrando e os hospitais sem leitos suficientes. E enquanto a sociedade em geral ignorar a ameaça real do ego para a segurança pública, os presídios e as clínicas de reabilitação continuarão lotados.

Desnecessário aguardar por mais evidências de que as práticas como o Tai Chi são benéficas para a pessoa e o grupo. Contudo, reduzir o estresse e melhorar a saúde, estabilizar-se emocionalmente e obter melhor desempenho e qualidade de vida são paliativos enquanto o censor estiver na ativa. Se o praticante de Tai Chi concentrar a atenção no coração ou na barriga, realmente sentirá uma emoção (“energia”) nascer do seu peito ou das vísceras tomar o seu corpo inteiro. Isto é exatamente a diferença entre o Tai Chi Chuan ensinado mundialmente e o TAI CHI CONTEMPLATIVO: as práticas tradicionalmente endossadas que estimulam emoções “boas”, “positivas” e socialmente apreciadas como “virtudes”, na esperança de acumular o suficiente delas para viver bem, permanecerão poupando e sofisticando o ego. E com esta entidade nublando a mente humana passamos os dias como se estivéssemos dormindo, revezando entre o sonho e o pesadelo com raros vislumbres de vigília e lucidez. Viver nesta condição jamais garantirá paz interior para o corpo a longo prazo.

Alguns dos benefícios mensuráveis do Tai Chi convencional ​​são: redução da depressão e aprimoramento da capacidade funcional (notavelmente do equilíbrio) em pacientes idosos e com insuficiência cardíaca congestiva; restauração dos níveis normais de pressão arterial em indivíduos hipertensos e melhor controle glicêmico e qualidade de vida em pacientes com diabetes. Mas volto a alertar, por mais que a saúde geral esteja boa, o censor continuará à espreita, aguardando um descuido para se manifestar e tomar sua dose de adrenalina. O censor é um hedonista nato, um eidético compulsivo, um bajulador sádico e masoquista, e irá aceitar e se deliciar com quaisquer prazeres transitórios e sentimentos elevados de um suposto empoderamento.

A FORMA SEGUE A FUNÇÃO

No TAI CHI CONTEMPLATIVO usamos a favor da INTELIGÊNCIA NATIVA aquelas mensagens do sistema nervoso entérico enviadas do corpo de volta ao cérebro pelo nervo vago. Este nervo é misto, tanto transmitindo sinais dos órgãos internos quanto enviando sinais motores emitidos pelo cérebro. Cada pequena estimulação no nervo vago esquerdo no pescoço (evite o vago direito que tem uma forte conexão com o coração e que pode causar arritmia) melhora o humor. Estudos mostraram que mudanças na atividade de várias estruturas cerebrais eram semelhantes às mudanças encontradas no uso de drogas antidepressivas. Uma vez que o vago está conectado ao coração, uma abordagem “de cima para baixo” em pacientes depressivos mostrou variabilidade da frequência cardíaca. No TAI CHI CONTEMPLATIVO exploramos uma abordagem radical (do latim “radix”, raiz), “de baixo para cima”, conectando base e topo: da sola dos pés para o centro do corpo e em seguida para a cabeça e as palmas das mãos.

A prática do TAI CHI CONTEMPLATIVO ajuda a recuperar seu eixo e centro físicos de equilíbrio, atualmente deslocados para a frente, a direita e na altura do peito e da cabeça na maioria das pessoas. Um centro de gravidade estável favorece a consolidação de uma única mente. E o cultivo deste “corpo fechado” requer ensinamento direto e experiência prática. Impossível descrever este novo estado fisiológico de conexão imediata com o mundo objetivo sentindo a atração gravitacional, a força de reação ao solo e a pressão atmosférica envolvendo e dando forma e movimento ao corpo. Apenas no TAI CHI CONTEMPLATIVO consegui entender, com mais de 40 anos de idade e 30 de artes marciais, como usar os olhos para… olhar! Idem para o tato, a audição, o olfato, o paladar e a propriocepção. Para otimizar estas partes e órgãos dos sentidos observe a anatomia deles. O formato segue a função. O corpo tende a integrar seus sistemas (holístico), sendo a sinestesia um dos exemplos destas propriedades físicas dos átomos formando a matéria: estabilizar, agregar e expandir.

NEM MEDITAÇÃO, NEM TERAPIA. CONTEMPLAÇÃO (MAS EM SINESTESIA).

Enfim, uma explicação para o fracasso das várias modalidades de meditações/religiões orientais, das terapias europeias psicanalíticas/alternativas e do atualismo australiano: tratar sintomas sem saber como regular o sistema nervoso entérico preserva intacto os sentimentos condicionados e paixões instintuais como nostalgia, intuição e a fome crônica (que supera o medo!) programadas no subconsciente (mente animal). Essas sensações naturais orgânicas, às vezes uma excitação matutina de oxitocina, o “hormônio do amor”, ou a vontade de degustar uma bebida alcoólica ou cigarro, serão transformadas em desejos que viciam e inflam o ego. E inflamando o corpo e a mente.

Nessas atividades artificiais não há qualquer risco de dissociação cognitiva e despersonalização porque o ego, e toda a sua carga de condicionamentos de milhares de anos de doutrinação sobre os instintos, é a própria dissociação cognitiva personalizada e destacada do corpo. E assim, bilhões de pessoas ao longo da saga desta civilização morreram e irão morrer sem nunca ter vivido uma única hora livres do censor.

 

DE VOLTA AO JOGO

Também é inútil – e contraprodutivo – ficar se policiando, se autocriticando e se punindo. Gabar-se de conflitos psicológicos e tentar ser modelo de perfeição são ocupações do censor e algumas das suas armadilhas mais óbvias. Ascetismos, privações, sofrimentos, culpas, compaixões, sentimentalismos, ansiedades, tristezas, mágoas, ressentimentos, decepções, ilusões, desilusões e angústias intermináveis são os pratos favoritos desta fera. Esteja alerta para identificá-la em uma daquelas quatro situações e emoções-chave e anote mentalmente como procedeu em cada uma. Recapitule-as à noite (recurso hipnagógico) e durma o sono reparador do guerreiro que sabe que deu o seu melhor naquele dia. A recompensa do JOGO é estar vencendo!

Centenas de cursos prometem ensinar um novo idioma em algumas semanas. E como desaprender um idioma neste período? Simples. Basta abandonar aquele vocabulário automático. Gradualmente as palavras e frases prontas perdem seu significado e importância. No JOGO, a antítese do censor, você desaprende a língua do ego trocando-a pela linguagem corporal e não-verbal da sinestesia. Silencie o ego mesmo por 1 segundo que a INTELIGÊNCIA NATIVA ocupará imediatamente aquele espaço vazio. A natureza abomina o vácuo. Insista e não desista. A vitória é garantida e a contemplação é o prêmio imediato!

 

DAR À LUZ AO CONHECIMENTO

Um professor não pode esperar seus alunos fazerem as perguntas certas. Também não pode lhes entregar todas as respostas antes de avaliá-los. Cabe a ele adotar a didática maiêutica de conduzir os discípulos a responderem as perguntas que ainda não sabem fazer. Em outras palavras, lhes ensinar a aprender, e logo facilitar a compreensão dos objetos e conceitos envolvidos na sua área de estudo e atuação.

Esta é a abordagem científica racional aplicada aqui: apresentei uma hipótese e uma teoria para explicar racionalmente aquela minha imersão contemplativa sinestésica na montanha em 1988 (descrita na parte 3). Estou ciente de que precisei apelar para um pouco de pedantismo, a autoridade de terceiros (mesmo que de especialistas em suas respectivas áreas) e a repetição de certos conceitos, e espero que o leitor aceite isso como uma característica didática típica dos mentores. As conclusões combinadas com a prática dos exercícios e testes ao longo desta série de artigos farão com que o leitor praticante, por meio das suas experiências empíricas, chegue às suas próprias conclusões e corolários.

Cientistas explicam fenômenos apresentando uma hipótese com palavras-chave bem definidas e uma teoria possível e visualizável de se entender. As conclusões — se as explicações apresentadas são racionais ou não — cabem aos outros. A tarefa dos cientistas não é provar ou persuadir. Embora, no atual momento histórico, o único tema relevante é explicar como vencer o ego, o nosso último inimigo a ser vencido!

GELO-NOVE

Conheci o gelo-9 no livro “Cama de Gato”, de Kurt Vonnegut.

E para o leitor entender minhas próximas analogias, segue um breve resumo sobre o gelo-9.

Há muitas formas de cristalizar, ou congelar, certos líquidos, várias formas pelas quais seus átomos podem se empilhar e fundir em uma estrutura rígida e ordenada.

É a mesma coisa com os átomos nos cristais: dois cristais diferentes feitos com a mesma substância podem ter propriedades físicas bem diferentes.

Por exemplo, havia uma fábrica que estava produzindo grandes cristais de cloreto de tris para determinadas operações. Um dia a fábrica descobriu que os cristais que estavam sendo produzidos não tinham mais as propriedades desejadas. Os átomos começaram a se empilhar e fundir – a congelar – de um jeito diferente. O líquido que estava cristalizado não mudou, mas os novos cristais formados não serviam mais para o uso industrial.

Como esta alotropia ocorreu, ainda não se sabe. No entanto, havia um suspeito causador daquela transformação. E o suposto vândalo foi chamado de “uma semente”, fazendo uma referência a apenas um grãozinho do padrão de cristal indesejado. A semente, que teria vindo sabe-se lá de onde, induziu os átomos a se empilhar e se fundir em moléculas de uma nova forma.

Segue uma ilustração deste fenômeno químico bem simples para entender.

Pense nos pelouros, as balas de canhão, ou laranjas dentro de uma caixa. O padrão da camada de baixo das esferas determinará quantas caberão naquele espaço de acordo como a próxima camada se empilhará e se fundirá. A camada de baixo é a “semente” que determina a forma como se comportará cada pelouro ou fruto que vem sobre ela, mesmo que haja um número infinito deles. Agora imagine que a água pudesse se cristalizar ou congelar de várias formas possíveis. Imagine que esse mesmo tipo de gelo que usamos para patinar e colocar na bebida (que podemos chamar de “Gelo-1”) é apenas um dos muitos tipos de gelo. Imagine que a água sempre se congele na terra como gelo-1 porque nunca teve uma semente, uma referência, um modelo que lhe ensinasse como formar gelo-2, gelo-3, gelo-4… E imagine que exista uma forma, que chamaremos de gelo-9, um cristal tão duro quanto concreto, com um ponto de fusão de uns 38 graus Celsius, ou mais.

Agora, onde este gelo-9 poderia ser usado?

Imagine fuzileiros navais atolados em um pântano. Seus caminhões, tanques e obus chafurdando na lama, atolados, até que um fuzileiro naval traga com ele uma pequena cápsula contendo uma semente de gelo-9, uma nova forma de fazer com que os átomos da água em estado líquido se empilhem e se fundam, congelem. O que acontecerá quando ele jogar essa semente na poça mais próxima…?

A poça congelaria, e toda a lama ao redor da poça, e todas as poças em volta da lama congelada se transformariam em um verdadeiro terreno pavimentado. Então os fuzileiros navais se levantariam do pântano e continuariam seu deslocamento.

Logística de guerra resolvida.

Mas com consequências devastadores seguindo essa hipótese.

Volte àquele pântano.

Se os riachos que fluem através dele congelassem com o gelo-9, o que aconteceria com os rios e lagos abastecidos pelo riacho?

Congelariam, é claro.

E os oceanos onde os rios congelados desaguavam?

Congelariam do mesmo jeito. Assim como a chuva que viraria bolinhas bem duras de gelo-9 quando tocassem o chão congelado.

E isso acabaria com a vida na terra!

* * *

Contei essa passagem do livro para que você compreenda a originalidade com que Kurt Vonnegut abordou a bomba nuclear com uma fábula sobre a Guerra Fria em 1963. E, também, que as artes marciais me mostraram a possibilidade de chegar a uma solução criativa – tão drástica e inusitada quanto a do gelo-9 da ficção Bokononista – para resolver o problema da agressividade e do medo. Mas, ao contrário daquele gelo-9 que destruiria todos os seres vivos dependentes da água, o que estou apresentando e explicando nestes textos renovará a vida daqueles que decidirem ousar e experimentar a ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO.

A TECNOLOGIA DO COMBATE

Por milhares de anos as artes marciais de combate corpo-a-corpo e com armas brancas estavam agrupadas da mesma maneira, como as balas de canhão e as laranjas na caixa.

Seus fundamentos eram idênticos, por mais que mostrassem variações estéticas entre si em épocas e locais distintos. Na base, eram todas iguais. Eram como o gelo-1…

Todas dependiam de tamanho, rapidez e explosão muscular. Enfim, do vigor atlético da juventude. Estes eram os elementos constituintes por trás das habilidades daqueles primeiros lutadores. Na falta de algum deles, as estimativas de sucesso e vitória cairiam em mais de 50%.

Era vital reagrupar os componentes das artes marciais de outra maneira, e criar um gelo-2. Para isso, seria preciso encontrar um novo modelo, uma semente…

E esta semente já havia aparecido na terra, guardada com um grupo seleto de guerreiros, provavelmente do Egito, que migraram para a Índia acompanhando a Rota da Seda até ressurgir parcialmente em meados do século XIX, no império chinês.

O gênio havia posto seu turbante para fora da lâmpada.

Inevitavelmente aquela semente desembarcou no Japão, preservada como um perfume volátil dentro de um frasco escondido nos bolsos de algum mestre oriental.

Enquanto na China aquele conhecimento foi se diluindo, misturado e contaminado pelo gelo-1 convencional, na Terra do Sol Nascente o gelo-2 chinês se transformou em gelo-3 por razões que demorei uma década para entender.

O gênio estava solto e ele era como o oxigênio: transparente, invisível e altamente explosivo. Seu maior poder era não ser detectado mesmo se exposto a céu aberto.

Finalmente, em 2008, consegui descobrir a fórmula do gelo-2 chinês. Mas o gelo-3 japonês continuaria indecifrável para mim até meados de 2018.

Na resolução desta tarefa, descobri como os métodos contemplativos do tipo gelo-2 e gelo-3 funcionavam.

A SINESTESIA ERA A CHAVE!

Prof. Cheng Manching demonstrando o efeito sinomotor.

“LASCIATE OGNI FORZA, VOI CHE ENTRATE”

(“Deixai toda sua força, vós que entrais”)

– Mestre Dante

 

Farei um breve resumo da história de como tornei visível o invisível para criar o TAI CHI CONTEMPLATIVO.

A falta de definições objetivas atrasou o desenvolvimento das artes marciais e das ciências. O elemento mais importante e o mais negligenciado no aprendizado das artes marciais para a legítima defesa, é tomar conhecimento de que o verdadeiro adversário não é o marginal, mas o predador dentro dos corpos, oculto na savana da mente e preparando emboscadas. Lupus est homo homini lupus

A Regra de Ouro das artes marciais, das ciências e da vida contemplativa é que somente objetos existem. E devido a um ínfimo atraso no processamento sensorial, um invasor fincou sua bandeira na mente. E este conceito do “eu”, do “self”, do “ego”, da “alma”, foi deificado e inaugurou uma cascata de reificação cultural nesta jovem civilização, terminando por consolidar uma economia artificial de comida trancada e troca de produtos e serviços por dinheiro no lugar da economia natural em que a moeda é o apoio mútuo e o alimento disponível. Faz alguns séculos que estamos colhendo os frutos amargos desta visão de mundo fomentada pelo censor: uma superpopulação rumo ao Crescimento Populacional Zero estimado para 2040, um consumismo ecologicamente insustentável e uma ameaça de desemprego massivo levando ao caos social e a um súbito retorno à economia natural de caça e coleta. Nenhum cientista econômico ou político sabe como reverter ou postergar este “overkill”.

Uma possível saída para sobreviver à extinção do Antropoceno seria evolver para uma nova condição de coexistência que requer uma profunda e definitiva mutação da consciência. O que nos traz de volta à urgência de dissolver o censor para ser criativo e lograr ir “além da civilização”, como aconselhou Daniel Quinn.

Foto do autor

MINHA CARREIRA MARCIAL. E A MINHA “REVELAÇÃO”.

Comecei a treinar artes marciais na adolescência, influenciado pelo meu pai e pelos filmes dos anos 1980. A primeira modalidade que pratiquei foi um estilo de kickboxing. Depois migrei para as escolas orientais modernas a partir dos anos 1990 para estudar com instrutores nacionais e estrangeiros. Eram técnicas gelo-1 flertando com o gelo-2.

Em 2001 deparei-me com uma arte desconcertante. Havendo encontrado o gelo-2 suspeitei de um gelo-3…

Nesta busca conheci outras modalidades de luta que transitavam entre o gelo-1 e o 2.

Em 2003 li a respeito de um mestre com uma habilidade supostamente gelo-3 que se tornou minha melhor referência de pesquisa. 11 anos mais tarde, depois de consolidar minha academia e estabelecer as bases para uma nova metodologia de aprendizado e prática das artes marciais gelo 1 e gelo-2, viajei para o exterior para conhecer e experimentar pessoalmente dois sistemas marciais gelo-3.

Na volta, em 2014, trouxe os principais elementos da fórmula da semente do gelo-2, mas a do gelo-3 ainda me escapava. A ciência convencional, incluindo os disparates da física quântica e da biomecânica baseada em alavancas, era praticamente inútil.

Com o auxílio do Método Racional Científico (RSM na sigla em inglês) e o conceito da Tensegridade de Buckminster Fuller acrescentado à cinesiologia contemporânea (“Teoria do Motor Espinhal” do Prof. Serge Gracovetsky, Ph.D; a Biotensegridade do Dr. Stephen M. Levin, M.D. e os Trilhos Anatômicos Miofasciais de Thomas W. Myers), matérias novas que eu estudava há alguns anos, consegui entender parcialmente os movimentos internos corporais que me levariam a desvendar o gelo-3.

Nosso sistema nervoso é um sistema coaxial. As células imitam a mesma configuração dos átomos conectados entre si de forma semelhante a cordas trançadas como a dupla hélice do DNA. A arquitetura invisível que une ossos, músculos e órgãos é composta de feixes dentro de feixes de tecido conjuntivo (fáscia) se entrelaçando. Com os princípios da Física e dos meridianos bem definidos, faltava agora uma teoria sólida que aproveitasse este conhecimento para regular o treinamento diário e orientar a prática autônoma. E que entregasse rapidamente os resultados extraordinários que observei nos mestres do gelo 3.

Havia o risco de parar no gelo-2 caso eu não encontrasse uma explicação para as incríveis habilidades sem esforço dos mestres do gelo-3. Naquela minha busca obsessiva um evento de serendipidade indicou-me um outro caminho.

Em 2009, durante minhas investigações sobre uma “terceira alternativa”, e relendo a respeito da localização arbitrária que damos à nossa consciência no livro “A Origem da Consciência no Colapso da Mente Bicameral” (Julian Jaynes, 1976), compreendi algo perturbador: somente objetos com formato e endereço existem, portanto, a personalidade, o “ego” que dirige essa consciência com a qual nos mascaramos e nos comportamos, nunca existiu!

Entendi que era preciso permitir que o corpo e a mente atuassem desimpedidos 24 horas por dia, todos os dias, nesta outra dimensão anímica puramente sensorial, atemporal e luminosa em vez da virtual e distorcida pelas lentes artificiais e escuras do “self” incapaz de se manter no instante presente.

Nada se compara em estar existindo no — e consciente do — mundo objetivo!

Tais questionamentos e reflexões, conforme esperado, me ajudaram a solucionar o enigmático poder transparente das artes marciais do tipo gelo-3.

A tão falada e cultuada “consciência”, pouco definida e examinada, é um recurso linguístico do hemisfério direito. Para Iain McGilchrist, autor de “O Mestre e o Emissário” (2009), o pensamento se origina no hemisfério direito e é organizado para expressão na fala pelo hemisfério esquerdo. O significado após o processamento do discurso será, novamente, no hemisfério direito que apenas entende o significado geral de uma expressão complexa. Essa linguagem metafórica deu voz a um personagem “autoconsciente” saído dos altares e dos oráculos, inventado para lidar diretamente com os crescentes problemas sociais com o aumento populacional e as ondas de imigrações que as antigas civilizações passaram a enfrentar a uns 3.500 mil anos, conforme a teoria do psicólogo Julian Jaynes enunciada em sua obra:

“… a consciência é uma operação e não uma coisa, um repositório ou uma função. Opera por analogia, por meio da construção de um espaço analógico com um ‘eu’ análogo que pode observar esse espaço e se mover metaforicamente nele. Opera com reatividade, extrai aspectos relevantes, narrativas e os concilia em um espaço metafórico, onde tais significados podem ser manipulados como as coisas no espaço. A mente consciente é uma analogia espacial do mundo e os atos mentais são análogos dos atos corporais.” (Jaynes 1976, 65-66).

O equívoco tanto Jaynes quanto McGilchrist foi confundir a INTELIGÊNCIA NATIVA — que opera com ambos os hemisférios — com uma identidade imaginária aprendida, reforçada e perpetuada culturalmente que valorizamos como sendo o nosso “eu” ocupando um corpo.

O minotauro, o eu animal atávico, vestindo uma máscara humana recém fabricada, escondeu seus chifres e conseguiu passar disfarçado e despercebido. E, para piorar, quando detectado se apresentava como a “voz soberana e inquestionável da consciência”. Tal poder de convencimento era imbatível.

Mas seus dias estavam contados.

Crianças aprendem a desenvolver e cultuar um ego assim como aprendem a língua materna. Essa “autoconsciência” é o censor, o hospedeiro fictício derivado dos instintos animais em contraposição com o intelecto que nos distingue das demais espécies. O ego, essa consciência de estar separado do corpo, não passa de um fenômeno sináptico que ocorre enquanto o cérebro está funcionando. Esse “eu” pode ser sentido na cabeça, no coração, na barriga ou nos pés e até criar a ilusão de que está deslocado exteriormente como nas improváveis “experiências de quase-morte” e “projeção astral”.

A ATENÇÃO (APERCEPÇÃO), a grande qualidade da INTELIGÊNCIA NATIVA, como o facho concentrado de luz de uma lanterna, ilumina aonde se prevê encontrar algo. E esta ação dispensa um censor.

A manobra mental que faltava para emular a sinestesia e ficar consciente no mundo objetivo era saber direcionar instantaneamente o ponto focal da atenção.

A consciência sendo formada e mantida por impulsos neurais geneticamente e culturalmente condicionados e memorizados, gera oscilações que alcançam as extremidades mais distantes do sistema nervoso. Os mestres do gelo-3 sabem visualizar e transferir essa aglutinação de sensações de uma parte a outra no próprio corpo, emitindo sinais elétricos pelos nervos e gerando uma “esfera de influência” com uma atmosfera de carisma ao seu redor que pode ser sentida como uma “presença”. Algumas pessoas reagem a aproximação destes mestres sentindo uma agradável emanação de calor e vivacidade, outros um desconforto inquietante e respeito prudente. Esses especialistas também são capazes de emitir essas pulsações de forma concentrada como um laser através de instrumentos inanimados (lanças, espadas e bastões) e de afetar o equilíbrio de outros corpos no contato.

Ciente de que todos os fenômenos são o resultado da interação superfície com superfície entre dois ou mais objetos, chamei esta habilidade técnica característica das artes gelo-3 de EFEITO SINOMOTOR (para saber mais sobre esta técnica, recomendo a leitura da minha tese científica MÉTODO IMOTO: APRESENTANDO A HIPÓTESE DOS TRÊS FORMATOS DO PODER E A TEORIA DO EFEITO SINOMOTOR publicada em 2018 pela OMP Editora no livro “Ciência aplicada às Artes Marciais V.2” e dos meus artigos tratando do Tai Chi Chuan neste blog).

Nesta revisão sistemática e racional de conceitos, fui libertando os meus sentidos da intervenção dos instintos, das emoções e dos sentimentos condicionados que poluem a percepção original e atrasam a ação e a resposta imediata do organismo e da INTELIGÊNCIA NATIVA do corpo. Paulatinamente fui descartando diversas ideologias e teoremas supostamente “comprovados” e “verdadeiros”, separando o joio do trigo nos meus demais relacionamentos.

Ainda durante este processo de manumissão, um inesperado modo ancestral de alimentação me ajudou a desintoxicar o corpo e clarear a mente para recuperar o controle do fluxo de pensamentos e estimular a criatividade.

A liberdade de um catalisa a liberdade de outro e de mais outro e assim por diante, igual a reação química em cadeia do gelo-9. Por isso, espero que esse breve testemunho das minhas investigações repletas de encontros (e desencontros) com pessoas notáveis, livros e ideias radicais, desperte mais do que a sua curiosidade e o incentive a estimular uma experiência contemplativa sinestésica. Então, a fascinação de estar vivo neste momento precioso de descobertas e autodescobrimentos será a sua maior motivação para perseverar na ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO.

Foi indispensável compreender o mais primal e perigoso de todos os conceitos com que nós somos doutrinados e nos doutrinamos: “Eu” não existo.

Enquanto houver a crença universal no fantasma dentro da máquina, a nossa espécie continuará cativa da mentalidade canibal do Wendigo, vivendo, lutando e morrendo em uma realidade virtual, estabelecendo pactos com aliados imaginários e criando inimigos de carne e osso.

No meu caso, esvaziar a xícara não adiantou. Precisei abandoná-la para aprender a beber direto da fonte.

A CHAVE DA AUTOPROTEÇÃO: COMO SEU CORPO REAGE AO ESTRESSE?

A ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO está vinculada com a segurança do corpo e a legítima defesa da sua integridade física.

Um agrupamento de pessoas, por mais solidárias, instruídas e prósperas, nunca estará em segurança física real enquanto cada um dos seus membros e dos grupos vizinhos é regido por um censor: nenhuma corrente é mais forte do que o seu elo mais fraco.

Compartilhar este conhecimento com meus semelhantes é que criará uma defesa coletiva em vez de “pessoal”. E os benefícios de viver em comunidades seguras e altruístas garantem a proteção dos indivíduos que transitam e se relacionam nela. Entretanto, aguardar que mais pessoas entendam que o bem-estar coletivo é um requisito básico para prevenir crimes e tragédias, será uma perigosa ilusão conformista. A mudança se inicia no corpo, é individual e local, antes de influenciar e atingir larga escala: a metamorfose de um inspira e catalisa a de outros, como um efeito dominó ou da massa crítica modificando hábitos e comportamentos arraigados.

Assim, comece pelo corpo.

É sempre sobre você e seu corpo.

Como você vê a si mesmo e, como consequência, como vê o resto do mundo.

O corpo manda em tudo. É onde tudo começa.

O que você pode conseguir que ele faça, que ele suporte. Quão rápido você pode ser. Quão preciso. E quieto, forte, flexível e controlado. É a única ferramenta que está sempre à sua disposição, não importa onde você vá, a única arma que nunca é descoberta quando passa por alfândegas, que nunca é surpreendida por um segurança mais atento, por um policial mais esperto. Está no centro de todas as suas ações, e você precisa confiar nele inteiramente.

O corpo.

É só do que você precisa.

* * *

Vamos supor que você está andando na calçada, escutando suas músicas favoritas nos seus fones de ouvido, e alheio ao que está acontecendo nas ruas. Inesperadamente dois assaltantes aparecem gritando diante do seu rosto, dizendo que eles vão te matar. Haverá uma descarga de adrenalina e cortisona em seu corpo. E quem não está acostumado com os efeitos desse potente coquetel bioquímico, estará em mortal desvantagem…

O medo de ser agredido fisicamente é uma “fobia universal”.

Qualquer pessoa que sofre uma das fobias tradicionais ou de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) sabe o efeito do pânico sobre o corpo: o terror absoluto e o choque emocional causam um desligamento que muitas vezes nos congela no lugar. Um ataque que “surge do nada” também pode tirar toda a sua razão cognitiva e comprometer quaisquer habilidades físicas que tenha adquirido previamente.

Níveis altos de estresse no organismo decorrente de uma descarga hormonal induzida pelo medo geram um súbito aumento na frequência cardíaca. E isso pode ser catastrófico. Quanto mais acelerado estiver seu coração, menos se tornará capaz de se proteger.

Vários estudos detectaram o mesmo padrão:

  • 60 a 80 batimentos por minuto (bpm) é a nossa frequência cardíaca considerada normal em repouso.
  • Acelere de 80 para 115bpm e já começará a deteriorar o controle motor fino.
  • De 115 a 145bpm a capacidade de executar movimentos delicados e preciso será quase nula. Porém, este é justamente o momento de melhor nível de desempenho psicomotor e de combate em que a explosão muscular e tempo de reação visual e cognitiva estão no ápice.
  • Entre 145 e 175bpm o processamento cognitivo se deteriora; os vasos sanguíneos se contraem nas extremidades dos membros; perde-se a visão periférica, a percepção de profundidade e a visão de perto; ocorre exclusão auditiva.
  • E acima de 175bpm estará automaticamente no módulo instintivo da confrontação irracional, fuga desesperada ou completa rendição. A bexiga e intestinos esvaziam e as habilidades motoras básicas como correr descontroladamente aumentam ao máximo, levando o corpo à beira do colapso!

Podemos concluir que se um praticante de artes marciais ou profissional da saúde e da segurança não conseguir manter a sua frequência cardíaca abaixo de 145bpm durante a pressão psicológica de uma emergência, é improvável que aplique corretamente os procedimentos que estudou e treinou.

Entre 115 e 145bpm a adrenalina amplia a força, a velocidade e os reflexos essenciais para o sucesso na luta. Acima disso, tais alterações hormonais sobrecarregam o sistema nervoso e podem resultar em paralisia, falta de fôlego e confusão mental.

Exaustão emocional é um veneno para nosso delicado sistema neurossensorial.

Com um treinamento contemplativo e sensorialmente sensível você reeduca e recondiciona o sistema nervoso (lembre-se do nervo vago) para lidar com a tensão do medo e da agressividade. Depois será o acúmulo gradual de experiências de “violência controlada” — mediante uma prática marcial bem orientada — que aumentarão as suas chances de reação e sobrevivência.

Homens e mulheres que adotam metodologias especializadas de defesa pessoal urbana como o GUIDED CHAOS citado na parte 7 também fazem um investimento valioso na própria segurança. Maior resistência anaeróbica, estado de alerta mental e autoconhecimento serão benefícios extras à sua qualidade de vida.

 

TAI CHI VIA TELESINESTESIA

Cada uma das 12 partes deste artigo levarão o leitor a descobrir como a semente da ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO surgiu.

Após a leitura desta extensa apresentação, o leitor deverá ser capaz de recriar sozinho as suas experiências de contemplação sinestésica. Este artigo servirá como um mero mapa de referência e guia de consulta. O mérito pela realização da viagem ao seu destino será exclusivamente do leitor atento.

Ainda em retrospecto, chegamos à próxima fase: encontrar um jeito de explicar, ensinar e compartilhar estas informações com os outros.

Felizmente a maioria das pessoas pode estudar e aprender a união dos sentidos à distância via TELESINESTESIA, conforme predito pelo Dr. Hugo Heyrman.

À medida que mais e mais pessoas conhecer e usar o TAI CHI CONTEMPLATIVO e o JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE, as duas ferramentas da sinestesia contemplativa, elas também irão presenciar a plasticidade cerebral modificando sua estrutura sináptica sem a perturbação das emoções e desconfortos psíquicos. As mudanças de comportamento serão inevitáveis. Seu empenho e dedicação a estas duas práticas aumentará proporcionalmente aos resultados e feedback que obter delas.

Wim Hof nas montanhas Den Bergen, Noruega. Foto: Destination Deluxe.

Muitos irão alcançar níveis mais altos de domínio das funções ditas “involuntárias” do sistema nervoso. O famoso estudo da Radboud University Nijmegen na Holanda com o atleta iogue Wim Hof em 2011 demonstrou que, através do controle da respiração com exercícios musculares e de equilíbrio aprendidos em um programa informal de treinamento a curto prazo, o sistema simpático nervoso e o sistema imunológico podem ser acessados e voluntariamente influenciados, quebrando um mito da medicina.

Atualmente todos esses avanços nas neurociências, especialmente nos estudos das emoções e da sinestesia, e nas tecnologias corporais como as artes marciais e de reeducação cinética, nos dá o privilégio de abandonar o homo demens degradandis para sermos os primeiros Homo Ludens Artisticus em adaptação consciente. E as potencialidades do corpo e da mente bem como as transformações sociais e ambientais que as pessoas podem alcançar livres do censor são inimagináveis. Justamente o que precisamos coletivamente neste exato período histórico: novas mentes agindo criativamente, em associações livres, independentes de quaisquer programas antigos e obsoletos.

Diagrama ensinando como jogar “GO”.

CERCAR PARA VENCER SEM LUTAR

Limpe sua mente de tudo que o Minotauro lhe ensinou sobre a vida e como viver.

Seja um iconoclasta implacável. Esqueça tudo sobre política, religião, ciência, meditação, autoajuda, vício, família, amizade, arte, sucesso.

Mantenha o foco somente no momento presente e repare nas consequências dolorosas de quando alguma impureza polui esse processo natural.

 

MIRE NO ALVO

Exatamente agora, experimente jogar com a ideia de nunca mais agir de forma impulsiva novamente.

NUNCA!

Pense nos prós e contras de suas atitudes.

Ouça!

Ouça seus próprios pensamentos sobre parar com tais comportamentos e repare na mistura de sentimentos que você irá despertar.

Observe que você sentirá dividido quando pensar em parar com tal comportamento. É isso que significa a palavra “Viciado”.

Enquanto de um lado você tentar parar, do outro você gosta de continuar a fazer aquilo o tanto que conseguir sem parar.

Você se fragmenta sempre que a vontade estiver em conflito com a imaginação e a intenção.

De onde vem e para onde vai o que estou imaginando?

Sua imaginação é o seu Minotauro lhe entretendo e lhe dando ordens.

Nos seus pensamentos e sentimentos, sua imaginação vai lhe estimular a pensar, sentir e agir no padrão antigo.

Sua imaginação criada pelo Minotauro é a única causa de seus comportamentos e atitude repetitivas que se transformaram em vícios.

Sua imaginação é a expressão de seu apetite e desejo por aquilo que lhe dá prazer momentâneo.

Tal apetite tem origem biológica, é a natureza animal ainda presente no cérebro humano, e por isso nós a batizamos de Minotauro.

É como se houvesse dois de você, em lados opostos, em conflito.

Lutando um combate mortal.

Seu Minotauro é impiedoso, implacável, violento.

Seu Minotauro se esconde nas trevas.

Você não consegue vê-lo assim como não consegue enxergar seus próprios olhos.

Mas você pode senti-lo e ver sua imagem refletida nos seus semelhantes como se fosse um espelho. Minotauros são todos iguais: têm emoções dominantes fortes!

Neste jogo você lança um facho de luz sobre o Minotauro quando ele tenta se ocultar na escuridão.

Seu Minotauro tem sede e fome de prazer. E ele se alimenta do corpo sintetizando drogas, naturalmente e artificialmente.

Seu Minotauro se expressa através de seus pensamentos. Ele usa sua imaginação e a mesma voz que você está ouvindo para ler essas linhas.

Ele fala com grande autoridade porque precisa ser ouvido, obedecido e temido para sobreviver.

Mas o Minotauro não tem como agir sozinho.

Ele precisa de um pronome.

Ele precisa de você, do seu “Eu”.

“Eu”, essa é a palavra favorita do seu Minotauro.

Sem essa palavra, ele se paralisa.

Quando seu Minotauro quer agir, você ouve, “EU quero…”

Com o JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE descobrimos que não é o “Eu” da INTELIGÊNCIA NATIVA do corpo, mas o Minotauro que quer tomar o trono. Agora é tarde para ele. É você que deseja algo ou é o Minotauro que está ansiando por aquilo?

O Minotauro é um mestre do disfarce.

Ele tenta se passar por você!

Mas ele é somente a vontade de se satisfazer.

Você não é o seu apetite.

O que seria mais importante do que satisfazer meros desejos?

Você não é o seu Minotauro.

Você pode afirmar:

“Eu não sou vítima do meu corpo. Eu não sou um animal. Eu controlo meu corpo. Eu sou mestre do meu corpo. Eu sou um ser humano.”

E humanos dominam as feras, seja dentro ou fora.

Você é humano, inteligente e versátil.

Portanto, você está em enorme vantagem diante do Minotauro.

Você controla a linguagem, cria as regras na sua cabeça, sabe distinguir o certo do erro, enquanto o Minotauro não. E o melhor de tudo, somente você controla seus músculos.

O Minotauro sabe apenas uma resposta para qualquer questão, uma solução para qualquer problema, uma ação para qualquer ocasião.

Conserte isso agora.

Seu Minotauro nasceu sem pernas e braços.

É uma criatura perdida que depende de você para tudo.

Seu Minotauro pode imitar qualquer coisa que você consegue ser e fazer, desde que ele ganhe o que ele quer. Pense em como funciona sua mente quando está sentindo tesão…

Seu Minotauro pode ser inteligente, amigável, educado, engraçado, espirituoso, determinado, compassivo, esperto, malicioso, persistente, paciente, implacável, ditador, amoroso…

Mas ainda continuará sendo estúpido e ignorante, parcialmente mamífero e réptil.

Não importa o disfarce que tenha vestido ou como tenha se camuflado e gostado do que sentiu enquanto está disfarçado, o Minotauro tem um único propósito que é satisfazer suas necessidades à custa de tudo e de todos.

Ele é o seu único e mais mortal inimigo, capaz de sacrificar o corpo na esperança alucinada de viver para sempre em algum paraíso imaginário.

E com esta ameaça que você está lidando.

Primeiro, pense em nunca mais repetir os mesmos padrões de condicionamento com os quais seu Minotauro o estava controlando.

Agora, pense naqueles padrões automáticos e como dependia deles para viver. Decida pôr um fim neles para o bem do seu corpo e dos demais. Ou continue permitindo um comportamento estúpido.

Observe o que está acontecendo com você, à medida que oscila entre estas duas decisões.

Você está provocando seu Minotauro enquanto simultaneamente está permitindo que ele o tente também. A ameaça de viver uma vida em abstinência está se tornando uma tortura para este monstro!

O Minotauro tem sentimentos nobres.

Quando você pensa em uma ação qualquer e sente ansiedade, foi porque sabe de antemão das consequências de tal ação e comportamento repetitivo.

Mas ao mesmo tempo sente o prazer aflorar enquanto se lembra da sensação sentida no passado. E somente você é capaz de recordar os tempos ruins e os bons. O Minotauro nunca aprende com experiência alguma.

Ele terá inveja das pessoas que agem e cometem os mesmos erros sem consequências aparentes.

Ele se ressentirá com as pessoas que interferem com a sua existência e com seus suprimentos de drogas.

Ele se sentirá alegre quando você reconsiderar sua existência e aceitar aqueles suprimentos que ele guardou no porão.

Seria horrível viver sem aquelas emoções não é mesmo?

É assim que o Minotauro se sente: com medo de você.

Ele quer sobreviver.

E ele sabe que você é o único capaz de vencê-lo sem problemas em um piscar de olhos.

Seu Minotauro tem profunda gratidão por todos os grupos de apoio que você já ingressou ou está participando.

Se você comparece aos encontros, arruma um mestre ou um patrocinador, faz um inventário moral todas as noites e compartilha suas concessões com os outros no mesmo ciclo a sua vida inteira, neste processo nada se altera e os comportamentos básicos viciantes e viciados prevalecem.

Para o Minotauro, enquanto você estiver sem poder ele poderá ser seu guia.

Viver um dia de cada vez pelo resto da sua vida ou curtir irresponsavelmente a sua vida de momento a momento são pensamentos doentios cultivados pelo Minotauro. Qualquer recaída é considerada um “deslize” e tudo volta ao ciclo vicioso de antes.

É como ter um canto no labirinto reservado para brincar com o Minotauro.

Ele se sentirá seguro sempre que a autoridade lhe for transferida, toda vez que a consciência entre certo e errado ceder lugar à imaginação e o compromisso de parar permanentemente com os velhos comportamentos é quebrado.

Tudo isso são sintomas do mesmo parasita.

O Minotauro sabe que toda vez que você participa de encontros, lê livros de autoajuda e tenta seguir instruções dos líderes, que o fracasso é um ótimo estímulo e justificativa para nos manter relapsos e em constante recuperação dos males que causamos e sofremos.

Se você pensa que seu pensamento viciado é um mistério ou uma maldição, uma doença, um sintoma de um desajuste social, uma deficiência espiritual ou qualquer outra desculpa, é porque está sendo vítima da auto indulgência e autoaceitação por parte do próprio Minotauro.

No JOGO não perdemos a partida por causa de um relapso proposital. Nunca.

Um dia de cada vez? Viver este momento como se não houvesse amanhã?

Como seu Minotauro se sente quando você adia sua decisão de mudar e de agir de um jeito parcelado e quebrado?

Compare com a decisão de parar e vencer de um jeito imediato, pelo resto da vida!

Sinta seu Minotauro gritando e se debatendo.

Melhor ainda, como você se sente sabendo que estará lúcido e livre apenas um dia até eventualmente cair novamente?

O Minotauro adora a sua insegurança.

Mas como você se sentiria se pudesse colocar um fim nos seus vícios?

Como você se sentiria se pudesse ser feliz e viver como outras pessoas normais apesar da vida que está levando?

O Minotauro adora a sua esperança passiva.

Com o JOGO você só disputa partidas para ganhar. E toda partida é a Grande Partida da sua vida. Para vencer sempre precisamos de uma Grande Plano também: tomar a decisão de jamais voltar a repetir os velhos padrões de comportamentos prejudiciais, hábitos nocivos e pensamentos conflitantes.

É um plano grande e simples, mas não fácil.

É preciso implementar esse plano a cada partida do JOGO.

Por exemplo, pergunte a si mesmo:

“Eu realmente consigo tomar a decisão exatamente agora de nunca mais voltar a agir e pensar daquela maneira novamente? Nunca?”

Agora, ouça a resposta na sua mente. Sim, aquela resposta pronta que lhe murmura “Nunca diga nunca. Você não sabe o que o futuro lhe reserva”.

Observe que se seguirá um sentimento de desconforto depois de ouvir isso.

Se você está no JOGO, saberá que aquela resposta sussurrada não é a sua. É o seu Minotauro lhe falando através da imaginação. É o Minotauro cumprindo o trabalho dele. Ele tem a firme intenção de sobreviver, mesmo se você não quiser. Ele é um oponente formidável, mas humanos sempre superam as feras.

É por isso que você precisa de um Grande Plano.

Você está pronto para implementar um Grande Plano e vencer de uma vez por todas e sempre?

 

O GRANDE PLANO

Parar ou não parar?

Eis a questão!

E este é o instante em que aquela ladainha como o “mas”, o “se’, o “quando”, o “amanhã”, o “não sei”, etc., surgem na velocidade máxima, armados com toda sorte de desculpas científicas, terapêuticas, filosóficas, religiosas, artísticas, populares, reaproveitadas e/ou inventadas no ato.

Lembre-se: qualquer pensamento ou sentimento que adia para o futuro ou suspende a possibilidade de uma alteração definitiva nos processos mentais agora e para sempre, nasce daquele ser sitiado e fictício que seu corpo hospeda nos andares de baixo do cérebro.

O único tempo certo para fazer um Grande Plano é agora.

No JOGO, seu tempo é valioso demais para ser desperdiçado.

Nós sabemos que o Minotauro mora em uma parte do cérebro que não tem noção de tempo.

Ele vive como um fantasma suspenso em uma dimensão paralela, sem memória exceto a lembrança viciada do prazer, e sem compreensão do futuro, funcionando como um agora sem fim para vigiar e consumir seu suprimento de substâncias químicas favoritas.

Portanto, no JOGO agora significa nunca mais aceitar a resposta suja e rápida do Minotauro. E para isso não precisamos de tempo para arquitetar um Grande Plano.

Já sabemos que o Minotauro só tem medo de ser privado daquilo que o sustenta. E que o trabalho dele é impedir você de confiscar seu estoque de drogas.

E ele até que foi bem-sucedido por algum tempo…

SE você esperar até amanhã para uma decisão que deveria ser agora, então quando chegar lá será agora novamente. A decisão também não será tão fácil quanto poderia ser agora.

Seria muito mais fácil fazer um juramento sincero de se abster de tal e tal comportamento por 100 anos do que decidir parar com eles agora e para sempre.

 

Faça o teste:

Planeje parar de pensar e/ou de agir daquele jeito prejudicial daqui há cem anos. Comece a calcular em que ano poderá retornar ao velho padrão e o que fará para comemorar os cem anos de abstinência…

 

Viu?

O Minotauro é estúpido e pode ser manipulado facilmente por você. Porém, ele adora viver confortavelmente enquanto estes cem anos estiverem transcorrendo. O Minotauro é um animal resignado e acha que depois de um século ainda estará vivo. Ele não sabe se situar no tempo e se acha imortal. O Minotauro, como todo parasita, não entende que o hospedeiro irá morrer.

Para seu Minotauro, tempo é um recurso dispensável que só serve para entediá-lo quando não encontra oportunidades para encurtá-lo. Sempre caçando maneiras de matar o tempo, tudo que interessa ao Minotauro é não ficar longe das substâncias que o alimentam.

Ciente disso, você está armado para vencê-lo de uma vez por todas.

 

MATAR O MINOTAURO?

Sim, literalmente.

Seu Minotauro é uma parte antiga de você, o seu lado íntimo que está lhe acompanhando por um longo, longo tempo.

Ele estava com você durantes os seus melhores e piores momentos, sempre se passando por um amigo pronto para celebrar os bons tempos e lhe consolar nos dias de tristeza, tentando lhe acalmar e lhe mostrar o lado brilhante dos tesouros simples da vida.

Ele lhe apresenta o seu melhor aspecto na maioria das vezes.

Ele é uma companhia para as horas solitárias e um anfitrião charmoso para os relacionamentos sociais. Ele é como um médico de família que sabe o que é melhor para você e um parceiro de aventuras que realmente se importa contigo. Ele fala em “você” e “nós” como qualquer outro amigo seu e sempre tem uma solução perfeita para qualquer problema que você tiver.

Como você é capaz de trair um velho amigo de infância desses que sempre confiou nessa amizade?

Como você seria capaz de matar um animal fiel e inocente desses que somente quer lhe agradar e lhe ajudar?

“Matar é um ato tão extremo”, diz o Minotauro.

Mas olhe para o que ele tem feito com você e pense no que ele ainda pode lhe causar.

Por quanto tempo você ainda vai lhe permitir acompanhá-lo?

Se você escutar com cuidado, seu Minotauro está lhe revelando sem querer o segredo mais guardado dele: como matá-lo de uma vez por todas.

“Nunca diga nunca”, recomenda o Minotauro.

Captou a mensagem?

Você está pronto para a Grande Cartada?

Você está inteiramente por sua própria conta e risco.

Mas o único momento para você jogar sua melhor mão é justamente agora.

Por que agora?

Porque sempre estamos vivendo fisicamente no presente. Simples.

Se você tomar uma decisão para ser implementada amanhã, quando chegar o dia seguinte será “agora” então.

E uma vez mais, seu Minotauro vai lhe dizer:

“Por que agora? Por que nunca mais? Por que não seguir com sua vida um dia de cada vez?”

E você continuará às voltas com os mesmos problemas para sempre.

Pense sobre isso. Você não precisa responder imediatamente.

Mas se estiver pronto, vamos em frente.

Isso não é um teste nem um experimento.

Aqui está como montar sua Grande Cartada: planos arquitetados pela metade não servem. É tudo ou nada, como pular de um trampolim. Depois do salto não tem mais volta.

Agora reflita sobre o significado de cada uma dessas cinco palavras:

“EU NUNCA MAIS AGIREI ASSIM.”

“Eu” é quem controla meus músculos. Logo, sou “Eu” quem está com o volante nas mãos.

“Raciocinar” é a habilidade que tenho para tomar uma decisão e agir, e isso não precisa de qualquer outro poder ou influência além de mim mesmo.

“Nunca” significa para sempre, eternamente, enquanto durar a última estrela do universo.

“Eu nunca mais agirei assim” significa isso: que eu nunca mais cometerei a mesma ação errada novamente uma vez que a minha decisão está embasada na minha experiência passada.

* * *

Sentiu o desconforto? A ansiedade? O pânico?

Essas são as reações do seu Minotauro com medo de você, aterrorizado com os seus planos.

Agora, pense sobre porque você está tomando essa decisão de não cometer os mesmos erros de sempre. Estar livre dos problemas causadas por aqueles erros e vícios, uma vida melhor, um casamento melhor, mais educado, saudável, sem prejuízos financeiros, relacionamentos normais e tudo que você valoriza em si e nos outros.

Sinta um novo ânimo renascer no seu íntimo. Não é uma ilusão, uma falsa esperança ou um escapismo. É você, fruto da sua INTELIGÊNCIA NATIVA. Confie totalmente nesse sentimento e vá em frente.

Agora, diga aquelas palavras lentamente para si mesmo, com o máximo de atenção ao seu significado:

“EU NUNCA MAIS AGIREI ASSIM.”

Você aceitou mudar!

Confie em si mesmo e sempre será capaz de reconhecer qualquer tentativa do Minotauro de se infiltrar nos seus pensamentos e decisões. Ele é o seu único e mais mortal arqui-inimigo. Deixe que essa velha nêmesis sofra e morra de inanição.

Olhe para suas mãos e o seu corpo. É com esses instrumentos que você estava sendo manipulado como um marionetes.

Entenda que seus braços e pernas estão sob o seu completo controle o tempo todo. Basta um pouco de prática do TAI CHI CONTEMPLATIVO para perceber este fato.

Seu Minotauro não tem qualquer poder sobre você; ele é um animal sem espinha dorsal própria que precisa persuadir seu hospedeiro para ser capaz de se movimentar e se alimentar.

Cruze seus dedos. Agora desafie seu Minotauro a fazer o mesmo.

Pergunte a si mesmo:

“O quanto vou sofrer física e psicologicamente se eu mantiver minha decisão de não cometer tal e tal erro?”

E caso se sinta miserável e infeliz no início, este sentimento sequer chegará na metade do quanto você estava sofrendo e se punindo quando repetia os mesmos erros. Sentimentos, como prazer e dor, veem e vão, são efêmeros. A vida contemplativa é perene, animando o corpo enquanto ele durar.

“ONE: Union of the Senses é um mural do artista americano José Parlá em exibição no saguão do One World Trade Center em Manhattan, Nova York. Encomendada em 2014, a pintura foi concluída e instalada em 2015. Medindo 27 metros de largura, acredita-se que seja a maior pintura da cidade de Nova York.” (Wikipedia)

O título desta obra remete à definição do sentido da sinestesia na combinação de caligrafia com grafite, letras com cores, representando uma das misturas sensoriais mais comuns dos sinestetas.

Na Academia Imoto você desfruta do aprendizado do TAI CHI CONTEMPLATIVO para alcançar uma harmonia física e saúde mental jamais experimentadas.

Nesta elegante arte extra marcial praticamos com um tipo peculiar de sinestesia unindo a propriocepção com os demais sentidos. Outra vantagem: você não precisa memorizar coreografias, seu corpo se moverá quando você seguir os princípios e deixar-se guiar pela contemplação no movimento. Assim você pode participar das minhas aulas em grupo a qualquer momento. Tanto faz se você é iniciante ou avançado em artes marciais. Você aprenderá um jeito diferente de se mover – e pensar – que irá transformar a sua visão das artes marciais e o papel delas na sociedade.

“A ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO”

LANÇAMENTO: dezembro de 2020

As guerras mudam, mas o guerreiro e o inimigo não.

Somos todos guerreiros, mas cadê o inimigo?

Cada um de nós se esforça todos os dias para definir e defender o nosso senso de propósito e integridade, para justificar a nossa existência no planeta e compreender o que — e não quem — nós somos. E o que queremos. Será que lutamos por uma crença?

O livro A ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO apresenta a solução da nossa condição universal nem humana, nem animal, para os homens e as mulheres que anseiam vencer o mais antigo de todos os inimigos.

As 12 partes deste artigo foram compiladas com o acréscimo de 3 capítulos extras inéditos nos quais explico como o TAI CHI CONTEMPLATIVO regula o sistema nervoso entérico e ainda um truque mental quase desconhecido para aplicar no JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE e gerar sinestesia sem esforço ou risco de ingressar em algum estado alterado de consciência.

 

CONTATO

Leio pessoalmente todos os e-mails e comentários que recebo neste blog e nas redes sociais. Apesar das minhas atividades diárias em casa e profissionalmente ministrando aulas particulares e para grupos na Academia Imoto, farei o possível para responder sua mensagem em tempo hábil.

 

ATENDIMENTO PARTICULAR

Reservei a manhã dos domingos para mentoria à distância, ajudando sinestetas e outras pessoas que estão manifestando sinestesia ou que gostariam de fazer experimentos sensoriais com este fenômeno a despertar para a natureza contemplativa do universo objetivo que supera qualquer mundo “real” ou imaginário.

As minhas experiências desde aquele inesquecível evento na montanha se multiplicaram depois que compreendi como estimular intencionalmente a sinestesia. Mesmo que você não seja um sinesteta genético, todos nós possuímos este potencial. Primeiro desenvolvi o JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE e na sequência o TAI CHI CONTEMPLATIVO para atender às minhas necessidades urgentes de lidar com o censor e os problemas que estava me causando.  Atualmente sou o pioneiro no Brasil nos estudos e na prática da ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO.

Resido em São Paulo, capital. Para os que moram em outra região, posso disponibilizar reuniões no Zoom para sessões individuais. Envie e-mail para INFO@ACADEMIAIMOTO.COM e agende sua sessão particular.

 

“COMO FUNCIONA UMA SESSÃO PARTICULAR?”

Busco saber primeiro o quanto você compreendeu dos meus artigos e vou acompanhando suas palavras e respondendo suas dúvidas de maneira a ajudá-lo a aprender a estimular a sinestesia contemplativa que mesmo sinestetas naturais não sabem como experienciar voluntariamente. Inicialmente vou lhe preparar de uma maneira que consiga recriar sozinho a sua experiência contemplativa. Muitas vezes precisamos apenas de alguém que possa nos ver e ouvir. E ao se conectar virtualmente comigo por este canal de TELESINESTESIA você economizará horas de leituras e testes às cegas. Quem participa das minhas sessões de atendimento online se sente como um viajante em outro país que se encontrou por acaso com um conterrâneo! Quando você compartilha experiências com um mentor genuinamente empático, se sentirá seguro e confiante, e a INTELIGÊNCIA NATIVA será ativada sem a intervenção daquele parasita que está hospedando e o consumindo.

O objetivo de sua sessão privada não é psicoterapia ou consulta vocacional. Vou lhe ensinar a neutralizar o censor por meio do JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE e da sinestesia no TAI CHI CONTEMPLATIVO, minhas especialidades para solucionar o mais importante e crucial de todos os desafios já enfrentados: se haverá um Futuro Dourado ou uma Nova Era de Obscurantismo.

As pessoas me procuram porque entenderam que não adianta mais continuar aguardando por uma mudança de visão no mundo ou um Salvador alienígena ou uma cura e tecnologia milagrosas. Tudo o que é possível — e está ao nosso alcance — é atuar sobre a nossa própria mente para libertar o corpo de um minotauro interior e sair do seu labirinto insano. E toda ajuda nesta tarefa é bem-vinda.

Nem o materialismo dos anarquistas, o espiritualismo dos religiosos, o atualismo de Richard ou o niilismo de U.G. Krishnamurti…, mas o ALTRUÍSMO do ser humano!

Este altruísmo que nasce da união dos sentidos é a estratégia evolutiva no jogo da vida no mundo objetivo.

Para encerrar, lembre-se neste exato instante e daqui a pouco, de novo e mais tarde, depois e sempre:

AGORA a OPORTUNIDADE de VIVER!

Envie este artigo para seu círculo de amigos que também compartilharão com outros e assim sucessivamente, como na Teoria dos Seis Graus de Separação!

A CONTEMPLAÇÃO nos liberta de um mecanismo neurobiológico ultrapassado que já foi confundido com possessão, pecados e defeitos morais e depois com doenças orgânicas e transtornos psicológicos, quando era um atraso de 12 milissegundos no sistema nervoso evitando que os estímulos físicos captados pelos sentidos fossem analisados na íntegra pela mente livre da voz de um intermediador virtual interno.

Com o pensamento recebendo exclusivamente estímulos sensoriais puros, qualquer ação e decisão será um ato de altruísmo para com o próprio corpo e os demais.

Sem revoltas e revoluções, sem livros sagrados e manuais de autoajuda, sem líderes carismáticos e influenciadores de opinião…

Basta uma geração com a habilidade de CONTEMPLAR.

Então, todas as utopias serão superadas!

Comentários

  • Luciano Imoto
    responder

    ADDENDUM:
    Este artigo científico é bem esclarecedor: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202014000200042
    A autora explica o diferencial entre sinestesia, pseudo sinestesia e multissensorialidade.
    Porém em nenhum momento ousa tocar na questão do censor, do ego*.
    A forma básica como os estímulos sensoriais ativam instintos e emoções por este “eu” animal no cérebro reptiliano antes de alcançar o neocórtex também foi ignorada.
    Outro erro comum é confundir arte com ciência, acreditando que são a mesma face da moeda. Ciência: explicar fenômenos físicos ou comportamentais racionalmente (apresentando uma hipótese e uma teoria possíveis). Arte: técnica corporal e inclui a performance com o corpo em movimento ou parado, e a manufatura ou reaproveitamento de qualquer objeto ou simulação de efeitos sensoriais (que é sempre multissensorial e tridimensional). O artesanato, como hobby, terapia ou atividade profissional, é uma forma de arte como qualquer outra considerada mais elevada ou erudita (os marchands vão discordar pelas razões que já conhecemo$).
    A questão do “artista” — que também pode ser qualquer ser humano com sensibilidade e dedicação — estar dependente das tecnologias é um contrassenso (trocadilho não intencional). A criatividade funciona como a tecnologia: é empírica na tentativa e erro. Mas a criatividade não depende nem da tecnologia ou da ciência, apesar de que possa usá-las como referência e ferramenta. A criatividade é uma função da arte per si.
    Como definir “criatividade”?
    Elimine o ego, mesmo que por um segundo, e a mente humana encontrará soluções e arranjos originais naturalmente, sem apelar para estimular “emoções” e “sentimentos” nos observadores. Só quando o ego está ausente somos artistas. E a arte só ocorre quando ela alcança e desperta a mente humana. O resto é publicidade (embora apareçam pérolas de tempos em tempos nestes meios).
    Desconsiderar o censor, ou louvá-lo como passou a ser feito no Renascentismo endeusando o “gênio” do artista que se tornou celebridade e figura mística quando muitos deles eram pessoas com sérias disfunções mentais e antissociais, é um equívoco desde os primeiros pensadores desta civilização.
    A insatisfação crônica, o tédio e a necessidade de experiências impactantes, são típicos do ego carente de atenção, em contínua busca por “som e fúria” tornando a vida uma tempestade de desejos e sofrimentos.

    A neurobiologia já fez a parte dela.
    Agora cabe a cada um colocar em prática uma metodologia para se libertar desta condição ancestral e que não precisa ser hereditária.
    Se este método falhar ou não encontrar algum outro melhor disponível, o que fazer?
    Crie um!
    Seja… C-R-1-4-7-1-V-0.
    🦋

    * A definição atual de “ego” como “o eu pensante consciente” fez com que filósofos e cientistas modernos ainda aceitassem a “existência” deste parasita mental e até lhe defenderam como sendo a “consciência racional e moral do Homem”…
    Mas ego não é sinônimo de intelecto.
    Os prejuízos de tal crença são bem evidentes: pessoas no século 21 com a cabeça de um cidadão medieval. Mais uma vez, a raiz da planta carnívora continuou intacta e só os galhos e folhas foram podados. E a fera insaciável continua atraindo e devorando os incautos…

    27 de julho de 2020

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