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Academia Imoto

“Um Mundo Sinestésico
O neurologista Richard Cytowic passou anos estudando sinestetas, pessoas que nasceram totalmente sinestésicas. Essas pessoas podem ver esferas de ouro ao ouvir um vibrafone ou uma coluna de vidro quando experimentam hortelã. Alguns sentem formas geométricas pressionando contra a pele ao provar certos alimentos ou até torcem involuntariamente seus corpos em formas características em resposta a ouvir palavras específicas. Essa condição lembra os salpicos, linhas e cores que o jornalista russo Shereshevesky (o homem que se lembrava de tudo) via quando certas palavras eram pronunciadas. Shereshevesky era, de fato, um sinesteta clássico. Enquanto conduzia uma varredura radioativa do cérebro em um sujeito sinestésico, Cytowic ficou chocado ao ver um desvio generalizado do fluxo sanguíneo do córtex cerebral quando o homem entrou em uma experiência sinestésica. “Nunca, nunca vimos nada parecido”, observou Cytowic mais tarde. O córtex, ou “massa cinzenta”, é geralmente considerado a parte mais humana do cérebro, responsável por um maior pensamento intelectual. Como o sangue foi desviado do córtex durante a sinestesia, Cytowic hipotetizou que a combinação de sentidos deve ocorrer profundamente no sistema límbico, a parte instintiva do cérebro que dá origem a impulsos primitivos, como fome, emoção e desejo sexual. Em pessoas não-sinestetas, o córtex age como um inibidor, suprimindo a sinestesia e mantendo-a em segurança no cérebro límbico. Em um nível consciente, a maioria de nós percebe limites nítidos entre os sentidos. Mas nossas mentes inconscientes aparentemente funcionam em um mundo totalmente sinestésico.”
The Einstein Factor: A Proven New Method for Increasing Your Intelligence, por Win Wenger, Ph.D (1995).

 

“De forma simplista (para efeito máximo): o método atualismo é sobre o uso do pensamento para examinar sentimentos.”
— Richard, diretor do website australiano Actual Freedom Trust.
(www.actualfreedom.com.au/richard/listafcorrespondence/listaf88.htm#04Aug05)

Cartaz do filme “Um Sonho de Liberdade”, do diretor Frank Darabont (1994)

COMO ME LIBERTEI DA LIBERDADE ATUAL

As disparidades que encontrei durante o período em que estudei e pratiquei o atualismo (2008 a 2010) foram se acumulando. Eu estaria sendo mais uma vítima de uma farsa elaborada? Em dois anos de prática investigando o “Actual Freedom” e seu progenitor, reuni dados suficientes para refutá-los.

Quem poderia atestar aquela mutação fisiológica no cérebro reptiliano, na parte conhecida como substantia nigra ( 1 ) acima do tronco encefálico, e descrita por Richard como uma sensação física de reviravolta na sua nuca? Quem mais, além de Richard que se autointitula o primeiro a alcançar uma “Actual Freedom” em toda a história humana, havia passado por essa mutação fisiológica?

Subitamente, em dezembro de 2009, começaram a pipocar declarações de “mutação da consciência” entre praticantes do atualismo. Justamente após a “rota direta” (“direct route”) para a “Actual Freedom” ter sido anunciada por Peter e sua parceira Vineeto, os mais antigos praticantes convivendo pessoalmente com Richard desde janeiro de 1997. E essa sequência de “libertações atuais” nos meses seguintes levantou suspeitas em vários membros dos grupos de discussão envolvidos na prática do atualismo.

Alguns dos que clamaram estar “atualmente libertos” recuaram e outros simplesmente abandonaram o título, o “prêmio” e o atualismo e seguiram com suas vidas. Antes de escrever sobre como estas alegações ajudaram a me libertar também, é necessário apresentar um resumo do passado de Richard (sobrenome oculto), o fundador e diretor da Actual Freedom Trust (AFT). Segue uma transcrição resumida a partir dos textos originais de Richard nestes links (em inglês):
www.actualfreedom.com.au/richard/articles/abriefpersonalhistory.htm

www.an.actualfreedom.com.au

“UMA BREVE HISTÓRIA PESSOAL”

Richard explica que o seu questionamento sobre a vida, o universo e o que significa tornar-se um ser humano completamente livre começou em junho de 1966, aos dezenove anos. Richard soube de um monge budista em trajes religiosos que se encharcou de gasolina e se incendiou impassível sentado na postura do lótus (2).

Se o monge representava o “caminho espiritual para a paz”, Richard, então um jovem soldado de uniforme, com um rifle carregado na mão, representava o “caminho secular para a paz”.

Esse foi um momento decisivo para ele, educado para acreditar em “Deus, na Rainha e no País”. Richard ficou chocado com a desumanidade do que ele e o monge estavam fazendo. E o tratamento político aos “cidadãos” o deixou com uma repulsa doentia e aterrorizado por fazer parte daquele teatro macabro.

Mais tarde, Richard percebeu que ninguém sabia realmente o que estava acontecendo. Ninguém estava realmente “encarregado” de cuidar do mundo. Não havia ninguém para “salvar” a raça humana. Ele viu que todos os supostos “deuses” eram falsos ídolos, invenções da imaginação febril. Richard entendeu que ele era tão “culpado” quanto todo mundo. Havia “bem” e “mal” em todos. Algumas pessoas eram melhores em controlar seu “lado sombrio”. Mas o “controle” desaparece durante a guerra e o “mal” corre desenfreado.

Richard viu que o mundo era governado pelo medo, agressão, nutrição e desejo… e que ele nascera com esses instintos. Ele decidiu mudar-se fundamental, radical e completamente, para se libertar da “Condição Humana”.

Em setembro de 1981, Richard alcançou a “Iluminação Espiritual” em consequência de um empenho intenso em viver sem se deixar ser afetado por nada nem ninguém, que começou em janeiro daquele ano. Seu “ego” desapareceu completamente durante um despertar para a “Realidade Absoluta”. Ele afirma que viveu “iluminado” por onze anos com a convicção de que ele tinha que desenvolver a maneira de “entregar os bens” para que outras pessoas pudessem se libertar da “Condição Humana”.

Então, em outubro de 1992, Richard alcançou uma nova condição muito diferente da “Iluminação” e muito além dela – uma condição permanente e atual de completa emancipação e autonomia dos instintos – e nenhuma tristeza ou malícia para se elevar acima ou transcender. Ele não estava mais incentivado a “salvar o mundo”, mas disposto a falar com qualquer pessoa genuinamente interessada em se libertar totalmente da “Condição Humana” repleta de tristeza, solidão, amargura, depressão, suicídio, corrupção, violência doméstica, estupro, tortura, assassinato etc.

Depois da catatonia de um processo de mutação cerebral, Richard despertou para a perfeição, pureza e paz de estar vivo como um corpo de carne e sangue, vivendo em uma condição que ele chamou de “Actual Freedom”. E para não correr o risco de ser conhecido como “Richardismo” e seus praticantes de “Richardistas”, ele batizou o seu método de “atualismo” (actualism): www.actualfreedom.com.au/richard/listafcorrespondence/listaf22.htm.

Sua metodologia exigia anos de intenção inquebrantável para desmantelar a identidade social, facilitando o ingresso na liberdade virtual (virtual freedom) e posteriormente uma “mutação da consciência”. Para isso, Richard orientava o interessado em praticar o atualismo almejando se tornar “feliz e inofensivo” a se perguntar de tempos em tempos “como eu estou experimentando este momento em que estou vivendo?” (“how am I experiencing this momento of being alive?”).

Richard antecipou que “Actual Freedom”, um novo estado de consciência sem um “eu” em vez da mutação orgânica que alegou ter sofrido em 1992, poderia se espalhar como uma corrente, provocando liberdade global e revolucionando o conceito de humanidade. Haveria uma associação livre de pessoas em todo o mundo, uma afiliação unida e utópica de indivíduos afins, cidadãos do mundo. Não haveria mais “nações soberanas”; não haveria “países” com fronteiras artificiais; nenhum militar; nenhum nacionalismo ou patriotismo; sem forças policiais; sem fechaduras nas portas, sem grades nas janelas; sem juízes, júris ou prisões; pessoas viveriam juntas em paz e harmonia, felicidade e prazer.

Richard também disse que nada disso importa muito quando se vive livremente em seu próprio “mundo atual”. Na “Actual Freedom” de Richard a vida era experimentada como “perfeita” aqui na terra.

O universo não força ninguém a ser feliz e inofensivo, a viver em paz e tranquilidade, a ficar livre da tristeza e da malícia. Portanto, para Richard, era provável que os habitantes do Mundo Ilusório, dito Real, continuassem em seus caminhos experimentados e fracassados.

Assim, ele afirmava que vivia em paz e tranquilidade; sem dívida com ninguém; nenhuma lealdade para prendê-lo; nada a defender; sem necessidade de atacar; nenhum senso de missão para “mudar o mundo”; não conduzido por forças místicas para evangelizar, fazer proselitismos ou converter; ainda disponível para ajudar qualquer pessoa genuinamente interessada na “liberdade virtual” (que precede a “atual”) da “Condição Humana”.

Em 1997 Richard inaugurou o website actualfreedom.com.au com a ajuda de Peter e Vineeto, onde em dezembro de 2009, este casal respectivamente anunciou a tão aguardada “direct route”, a consolidação da sua “Actual Freedom” sem passar pelos estágios da iluminação e da mutação fisiológica no cérebro sofridas por Richard.

Os eventos que se seguiram culminaram na minha saída do atualismo e me ajudaram a desenvolver a Arte Sinestésica da Contemplação anos mais tarde.

SINAL AMARELO

Na época eu acreditava que a utilidade dos fóruns na internet era informar, ajudar e orientar tecnicamente seus membros. E que a razão de ser dos grupos atualistas era orientar voluntários para se reabilitarem de um padrão repetitivo de reações neurobiológicas, a chamada condição humana e de seu mantenedor, o censor, através do exemplo vivo da mudança definitiva de comportamento.

Qual o motivo para quem decidiu parar completamente e de uma vez por todas com as drogas ostentar um diploma dos Alcoólicos Anônimos? Qual o sentido do reconhecimento público para quem realmente conseguiu se libertar do censor, o grande vício perpetuador de todos os vícios? Os resultados da prática já deveriam ser a recompensa em si.

Por dois anos racionalizei a metodologia do atualismo, a fim de melhorar minha prática e, consequentemente, facilitar a dos outros colegas.

Nos grupos de discussão do atualismo repletos de meditadores neobudistas, era como se seus administradores concordassem mutuamente em não questionar as declarações de superação de estágios psicoespirituais dos membros veteranos.

Neste ínterim, a investigação sobre o eu, a condição humana e a incrível neuroplasticidade cerebral ficaram em terceiro plano e as discussões viraram masturbação intelectual recheadas com termos impronunciáveis em sânscrito. As premissas de Richard sobre as “experiências de consciência pura” (“Pure Consciousness Experiences”) e todo o seu vocabulário particular passaram a ser ecoados por outros “poseurs(3) e seguidores padecendo do efeito Dunning-Kruger (4). E assim, os grupos de discussão pretensiosamente de ajuda mútua converteram-se em plataformas para empoderamento do ego e do superego.

SINAL VERMELHO

No meu esforço precipitado para lançar um website apresentando o atualismo em português em outubro de 2009, meu primeiro erro foi na tradução do vernáculo inglês. O segundo erro foi “entrar de cabeça” na prática do atualismo com um entusiasmo imprudente. E o terceiro foi permitir que o website Actual Freedom Trust assumisse direitos autorais sobre minhas postagens e comentários no grupo Actual Freedom do Yahoo. Nessa apropriação intelectual indevida, os diretores da AFT substituíram meu nome por um número. Ignorei isso na época. Minha esperança era compartilhar informações e dados atualizados, investigações, pesquisas e observações para comparar anotações e “espalhar a palavra”.

Em 2010 as discussões nos grupos se enveredaram para a promoção de viagens e retiros de “convivencialismo” e arrecadação de fundos para custear a construção de um barco com uma confortável cama de casal. Depois que o animismo foi reformulado como xamanismo e monetizado, nada mais me surpreendia.

Os que clamaram ter alcançado a “Actual Freedom” e os que ainda acreditam piamente em suas práticas encontrarão alguma maneira, ou farão qualquer coisa, para validar o que fazem. Exceto, é claro, repensar suas reivindicações. Ou eles estão apenas em negação. Realmente não se sabe.

Quaisquer que fossem as críticas, permaneci em termos amigáveis com todas as pessoas bem-intencionadas dos fóruns de discussão onde debati o conteúdo deste artigo. Embora eu não queira fazer parte de sua rede de contatos, o que me parece uma sociedade crescente de admiração mútua, na qual todos que estão reivindicando uma suposta – e ainda a ser averiguada – “Actual Freedom” são aceitos de forma acrítica e incondicional.

Mais de uma vez detectei contradições, sofismas e peculiaridades propositalmente exibidas para provocar, como Richard fumando em espaço fechado, sendo contra exercícios físicos para a saúde e afirmando total extirpação da sua imaginação e de ser incapaz de sentir prazer. E ainda um discurso de eremita tecnologicamente autossustentável e ambientalista voltado para agradar o senso comum, espalhando sarcasmos e desdéns nas entrelinhas das suas postagens e vídeos no website AF. Então, por pura serendipidade visitando uma livraria em 2010, encontrei um livro com informações que me revelaram as origens do “Actual Freedom” e da recente “rota direta”.

Era o início da minha libertação da liberdade atual.

PERFEITAMENTE IMPERFEITO

Harmanjit Singh, um colega indiano ex-praticante do atualismo, explicou certeiro em seu blog www.harmanjit.blogspot.com:

“Essa busca pela ‘perfeição’ é devida à incapacidade de suportar os impulsos psicológicos normais da vida. É um mecanismo de fuga.”

Descobri por caminhos empíricos tortuosos, achados inesperados e assistências fortuitas ao longo dessas pesquisas, que o website AF era uma obra em progresso iniciada por um único escritor, Richard, e a sua semibiografia uma ficção de fantasia semelhante aos livros de L. Ron Hubbard (Cientologia), Carlos Castaneda (Passes Mágicos) e Paulo Coelho (O Alquimista). Escritores de ficção científica como Julio Verne, Robert Heinlein e Kurt Vonegut, foram notórios visionários, mas estou me afastando do assunto.

Actual Freedom” é uma “terceira alternativa” apenas na abordagem dialética.

Dispendi mais de dois anos, entre 2008 e 2010, para confirmar isso.

Mas para investigar aqueles corredores labirínticos como os da “Actual Freedom” alerta para o minotauro à espreita em cada passo e pensamento, eu precisaria da Arte Sinestésica da Contemplação e seu Jogo das 8 Palavras-Chave para reconhecer e neutralizar o censor, e tal técnica ainda não estava disponível em 2010…

Eu fui ingênuo. Era a hora de ser engenhoso.

Eu não precisava saber tudo o que havia para saber sobre Richard. Toda aquela safra rápida sob demanda de requerentes reivindicando o status da “Actual Freedom”, apontava para uma direção – doutrinação.

O dragão Ouroboros em um antigo manuscrito alquímico grego.

OUROBOROS

O momento eureca ao compreender a bagunça mental de uma condição que está longe de ser humana, detectando um tirano interno governando seus pensamentos e comportamentos, é uma experiência excepcional de sinestesia igual à da montanha!

No meu caso, libertar-me da “Actual Freedom” foi o ponto de partida para confiar na indescritível imersão sensorial que nasce da união dos vários sentidos em um todo de sensações que abarca inclusive o pensamento. E nesta síntese a apercepção, a mente sentindo a si mesma, também é um fenômeno puramente sinestésico. De outra maneira, talvez terminaria sendo outro paciente normal no quadro clínico da dissociação psíquica socialmente aceita, perdido no encadeamento de pensamentos abstratos derivando uns dos outros e girando em um interminável ouroboros mental. Esse fluxo caótico de conceitos dispersos sem lastro no mundo objetivo é a mais flagrante estratégia de autodefesa do censor para se reciclar e se preservar, criando problemas para se mostrar útil imaginando e oferecendo soluções paliativas.

O condicionamento genético e o cultural são dois guardiões ferozes na porta do templo, armados e prontos para evitar qualquer intervenção na consciência dita civilizada. No entanto, Richard e UG alegam ter sofrido uma suposta “mutação fisiológica” incapaz de ser detectada por qualquer aparato tecnológico… Se ocorreu uma reinicialização sináptica, rara e aleatória do cérebro humano devido a algum mecanismo evolutivo ainda desconhecido da natureza cega, essa mutação orgânica garantiria a sobrevivência da espécie? Porque definitivamente não funcionou para eles comunicarem sua nova condição mental. Vivendo em países laicos governados por deuses e uma falsa paz mantida por armas, qual é a lógica de estimular uma mutação cerebral para continuar fazendo o que 8 bilhões fazem?

Estar plenamente livre das influências do censor não é recreação, religião ou marketing. É para quem quer aprender de verdade como se relacionar com seus semelhantes nesse universo dinâmico e objetivo, sem a interferência do censor.

Assim, não perdi meu tempo procurando ser mais uma pessoa autodeclarada “iluminada” e/ou “atualmente livre”.

O primeiro passo foi desafiar as próprias crenças em todos os níveis. Precisei desenvolver critérios racionais para julgar tudo o que encontrei no labirinto. Desafiei minhas convicções de vários ângulos e preferi ser apenas mais um sujeito que preza cada milésimo de segundo de harmonia com seus colegas e que não quer desperdiçar nenhum batimento cardíaco.

AGORA A OPORTUNIDADE DE ESTAR VIVO!

Em um momento de CONTEMPLAÇÃO, essa percepção afirmativa curta, direta e impessoal corrigiu a indagação do atualismo que fortalece o censor. No lugar de se perguntar “Como EU estou experimentando este momento em que [EU] estou vivendo?”, constatei sem pestanejar que “Agora é a oportunidade de se estar vivo!

A CENOURA E O CHICOTE

Alcançar ideais e conquistar o pódio é a monomania do censor: dinheiro, fama, Deus, Nirvana, Liberdade Atual…

Jamais fiquei preso ao ideal alternativo de ninguém.

Quem se apega a uma interpretação padronizada das vezes em que sua mente operou sem um “eu” e a adota como bússola, bloqueia uma diversidade infinita de experiências inéditas e originais de sinestesia.

Nada, absolutamente nada, se repete na natureza.

No reino da mente dominada pelo censor, o que se acredita ser “experiências de consciência pura” se tornam “conveniência pura”. E quanto mais se encantar por elas, mais elas se tornam “atuais”, agradáveis, excelentes e inestimáveis para “você”.

Sempre há um elemento de dúvida e estranhamento nesses tipos de experiências subjetivas, nas quais a tendência é aceitar a interpretação sancionada por uma autoridade. E quando a experiência registrada se converte em uma fotografia emoldurada, cresce o receio de perdê-la.

Muitos assumiam que apenas as interpretações religiosas e místicas das “experiências de consciência pura” alavancavam “estados alterados de consciência”.

O advento da internet nos anos 1980 mudou esse cenário.

Reviver experiências sensoriais mediante leituras e palestras cheias de adjetivos e pedantismo com uma descrição minuciosa dos detalhes no ambiente e na atmosfera quando não passam de alucinações acordadas simulando (e muitas vezes sob) os efeitos de drogas psicoativas e técnicas respiratórias e de ascetismo, está se tornando a norma nas redes sociais e nos círculos esotéricos…

Cedo ou tarde o choque com o chão nos traz de volta às três dimensões do mundo objetivo.

No caso da “Actual Freedom”, em vez de lamentar o trauma da queda, lambi minhas feridas e aproveitei a oportunidade para viver na plenitude dos meus sentidos físicos, e depois a oportunidade seguinte e mais outra…

O atualismo e outros “ismos” nascem do crescente estresse mental no mundo moderno.

Atribuo as interpretações e a linguagem dialética usada por Richard para expressar suas “experiências” como criatividade literária e a ociosidade típica dos aposentados de ascendência europeia no Primeiro Mundo. Como ele ironicamente me respondeu certa vez a respeito de uma teoria sobre a possível extinção humana:
“… a única ameaça iminente à humanidade (para usar o seu termo) é a credulidade.”

Estamos fadados a celebrizar excêntricos solitários e personalidades carismáticas, mesmo que alguns sejam psicóticos ou sociopatas?

PONTOS CEGOS (5)

A melhor maneira de saber que alguém tem um ponto cego psicológico é que eles fazem e dizem qualquer coisa para provar que estão certos.

Em qualquer assunto de ordem funcional e pragmática, quanto mais investigar e encontrar respostas por meio da heurística da CONTEMPLAÇÃO decorrente da sinergia entre todos os sentidos, melhor será a qualidade dos resultados.

O Jogo das 8 Palavras-Chave apresentado na parte 2 nasceu desta necessidade de questionar criticamente o que eu e outras pessoas fazem e por que fazem, enquanto o equívoco do atualismo era confiar no pensamento mediado pelo censor instintual controlando o intelecto para examinar emoções e sentimentos.

Raiva, felicidade e repulsa, medo e tristeza são emoções, sentimentos básicos universais que se manifestam de acordo com a cultura em que foram condicionados. Ou seja, reações emotivas são aprendidas pela imitação e transmitidas pela educação. Instintos são reflexos geneticamente condicionados e codificados no sistema nervoso, e se resumem a dois: aversão e apetite. Lutar, paralisar, fugir, fingir, procriar, amamentar, são instintos de sobrevivência inatos, nascemos com eles. Satisfazer instintos e emoções, mesmo os considerados “bons”, é alimentar o ego e abastecer o censor. E o minotauro precisa de um labirinto aonde se esconder. Este labirinto é uma faixa de conflito permanente entre o pensamento e os instintos, com o minotauro ora retendo, ora liberando e consumindo as próprias emoções em um ciclo vicioso e degradante para o organismo.

O atualismo e práticas derivadas de “mindfulness” (atenção plena) são como lapidar vidro para falsificar diamante: brilhará, mas nunca resistirá a pressão do uso cotidiano. E os efeitos colaterais da lapidação serão: narcisismo patológico, orgulho violento e complexo messiânico. A fórmula para o desastre.

Dedicar cada instante precioso da vida em uma busca frenética pela “felicidade” enquanto o organismo vai definhando era irracional para mim. Preferi experimentar cada oportunidade de estar vivo unindo os sentidos sensoriais e permitindo a inteligência nativa do corpo ser guiada por eles. Um altruísmo espontâneo e sinestésico derivado dessa atitude sem depender de intento puro e de mantras, superou minhas expectativas!

Brotava a semente da Arte Sinestésica da Contemplação.

A INCERTEZA NOS MOVE

Lembro-me de quando me sentei para escrever uma carta aberta de despedida para publicar nos grupos de discussão do atualismo em outubro de 2010. Foi uma tarefa difícil devido ao meu inglês limitado, mas principalmente porque quaisquer argumentos seriam inúteis se o leitor não refutasse a “Actual Freedom” usando sua própria mente. Arrisquei escrever meu canto do cisne, concentrando-me em apresentar as pistas indicativas para avisar os membros mais novos.

O que significou a imolação fictícia do “eu” do Sr. Richard (sobrenome oculto) em 1992? E por que a safra subsequente das autodeclaradas pessoas atualmente livres do ego foi se diluindo em qualidade intelectual?

Eu ainda me perguntava como tais afirmações categóricas eram aceitas apesar de sua implausibilidade flagrante. Depois de encontrar um livrinho em um sebo (traduzido para o português!), escrito por um escritor profissional na Austrália nos anos 1980, e o nome deste autor me surpreender, outras pistas começaram aparecer naturalmente. E agora vou lhes entregar minhas fontes que nunca foram confidenciais.

Enquanto estive ingenuamente acreditando nas descrições das “experiências de consciência pura”, o pensamento crítico – e não o censor – se ausentava. Só quando expus minhas crenças e convicções sob o escrutínio do método racional científico e as examinei com muito cuidado, encontrei muitas delas desatualizadas, tolas, não testadas e falsas. E esse desmantelamento tem sido um processo contínuo e sem fim.

A caixa de ferramentas do website AF, como a da prática da atenção plena e da meditação, poderia ser usada tanto para permitir uma liberdade virtual quanto para negar a condição humana.

Aprendi na minha carreira profissional nas artes marciais, plásticas e lúdicas que procedimentos e princípios evitam a reinvenção da roda. E o altruísmo sinestésico substituindo o instintivo é uma destas leis.

Numa visão biológica e antropológica, somos egoisticamente altruístas. O instinto de rebanho nos tornou cooperativos e gregários na tribo e no clã, enquanto competitivos e agressivos com os rivais. O instinto sexual criou os vínculos entre os casais que constituíram famílias, bem como os estupros e abusos domésticos e nas guerras. E os cuidados da mãe que protege e amamenta os filhotes garantiram a nossa evolução como espécie, assim como a falta de nutrição compromete a formação do infante. E nas raízes desses instintos um ego animal primitivo estava pronto para dominar seu hospedeiro. Nosso comportamento social e culturalmente condicionado por milênios desenvolveu um censor muito traiçoeiro e astuto, lançando múltiplos véus de mecanicidade (gatilhos emocionais, hábitos, humores, vozes e visões internas, rituais e crenças etc.) sobre nossa recente consciência moderna (6) enterrada sob camadas e camadas de superstições, ideologias e memes irracionais.

E os fenômenos sinestésicos pelos quais passei, imerso em uma estória em quadrinhos, cozinhando, no ponto de ônibus, praticando tai chi, lavando a louça etc., estavam diametralmente opostos às “experiências de consciência pura” vistas sob as lentes artificiais coloridas do atualismo.

A liberdade do corpo pela sinestesia em vez do pensamento dominado pelo censor examinando sentimentos, eis a chave.

“Sherlock Holmes Em Varsóvia”, por Sanderus (2015).

ÔNUS DA PROVA

O tipo de linguagem híbrida e pedante combinando dialética, pseudociência e sofisma preenchendo cada página e nota de rodapé do website AF, no livro “Richard´s Journal” e nos seus DVDs à venda, desvia, desestimula e impugna investigações e críticas profundas sobre assuntos polêmicos. E ao observar os paroxismos sutis nas correspondências, diálogos, solicitações e diatribes espalhados pelo website AF, enquanto assistia à reação em cadeia de “libertados atuais” a partir de 2009, decidi pausar a minha prática do atualismo.

A maior parte do website AF era uma obra de ficção atraente para qualquer pessoa genuinamente interessada no modo de vida esotérico característico da Austrália.

De fato, há uma lista de famosos escritores australianos do milionário ramo da autoajuda. Richard disputava espaço com outros australianos notórios como Rhonda Byrne (“O Segredo”), Jasmuheen (“Viver de Luz”), Paul Wilson (“Guru da Calma”) e o casal Allan e Barbara Pease (“Por Que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor”), entre outros. E ainda há o biólogo também “aussie” Jeremy Griffth (Movimento de Transformação Mundial), um outro “pioneiro” anterior ao Richard, tratando de “mudança de paradigma”, “Transformed Lifeforce State (TLS)” e da “liberdade da condição humana” desde 1975: www.humancondition.com.

Estranhamente os “elefantes na sala” como Julian Jaynes (“A Origem da Consciência”, 1976), Jeremy Griffith (“Free: The End Of The Human Condition”, 1988), Jack Trimpey (“Rational Recovery”, 1996), Walter Truett (“O Futuro do Eu: Um Estudo da Sociedade da Pós-identidade”, 2002 (7)) e Iain McGilchrist (“O Mestre e Seu Emissário”, 2009 (8)), especialistas com temas correlatos, sequer são citados no website AF.

Não foi difícil admitir publicamente que eu estava entusiasmado com uma possibilidade radical que não entregou o que prometia.

Aprendi nesta jornada a fazer “a prova do pudim”, uma abordagem sinestésica muito simples e conhecida: a única maneira de certificar a qualidade do sabor e consistência de um pudim é por tocar e prová-lo.

Eu não precisei aguardar ou estimular quaisquer experiências empáticas, apáticas ou patéticas para me libertar do “Actual Freedom”. Apenas queimei a ponte e – por que não? – afundei aquele navio em que embarquei inadvertidamente.

Embora hipotética, não descartei a possibilidade de uma eventual mutação fisiológica do corpo. A natureza está sempre criando indivíduos únicos, afirmava UG. E a seleção natural nunca se completa porque o universo está eterna e perfeitamente imperfeito.

Quando um jargão pomposo é criado para rotular e adornar o universo, atributos antropocentristas e teleológicos oriundos dos surrados dogmas antigos estarão presentes, proposital ou inconscientemente.

CONTEMPLAR me ensinou a separar o joio do trigo.

SERENDIPIDADE

Por que esse capitão australiano e sua “tripulação” lograram cativar gente culta e avessa ao materialismo e ao espiritualismo?

Para acrescentar um pouco mais de informação sobre a armadilha do “Actual Freedom”, recomendo a leitura de “O Estranho Caso do Amante Eletrônico” (9), um exemplo clássico do golpe da falsa identidade nos primórdios da internet.

Outra recomendação de leitura e, para mim, a providência e prova derradeiras: em 2010 perambulado por um sebo encontrei um livro cuja estória coincidia com alguns trechos de “Richard´s Journal”. O livro nas minhas mãos era um raro exemplar de “A Magia da Sobrevivência” (“The Coconut book”), a obra de estreia de um inglês radicado na Austrália, publicado lá em 1986 e lançado no Brasil em 1989 pela editora Siciliano.

O nome do autor?

Richard Maynard.

Seu metarromance conta as agruras e os questionamentos filosóficos de um náufrago sem nome e sem rosto em uma ilhota árida no Pacífico, com apenas um canivete, um lápis e um pequeno livro de bolso onde anota seus pensamentos nas margens vazias de cada página. O livro é descoberto depois dentro de um coco à deriva no mar e é feita uma tentativa de encontrar a pessoa que escreveu o diário.

Na luta para sobreviver do protagonista, as prioridades de sua vida são subitamente desenraizadas: dentro dos limites da ilha, contratos de ambição, esperanças e planos se tornam minúsculos, alterando pouco o seu amanhã. A decisão de criar uma chama e acender um cigarro é uma das principais convulsões da sua mente. É o momento mais importante do dia… E pouco a pouco, o protagonista começa a enlouquecer. Ele tenta criar objetivos, encontrar um significado para sua prisão. Mas a natureza tem outros planos. A princípio, ele reza por um pouco de chuva para matar a sede. E então suas orações são respondidas. E respondidas novamente. E de novo e de novo… As violentas tempestades no oceano que não tem nada de “pacífico” destroem o seu abrigo improvisado. Infatigável, ele começa a treinar para nadar na direção dos sons carregados pelo vento que ele supõe estar vindo de uma ilha habitada.

Esta é uma novela curta de 170 páginas. Eu a li de uma só vez.

Ler “A Magia da Sobrevivência” foi uma experiência intensa que permaneceu comigo por muito tempo depois. É o tipo de estória que faz você pensar “o que eu faria se fosse abandonado em uma ilha árida? O que eu faria para sobreviver?”

E, não por acaso, encontrei no livro “Richard´s Journal” a seguinte descrição:
“Recuei completamente da civilização para um grupo de ilhas desabitadas nos trópicos na costa nordeste da Austrália, onde fiquei a maior parte de três meses em total silêncio, sozinho, sem falar com ninguém e passando de ilha para ilha, por capricho. Eu havia reduzido minhas posses mundanas a três bermudas, três camisas, uma panela e uma tigela, uma faca e uma colher, uma caderneta de anotações e um cortador de unha… Eu era um sem-teto, itinerante, celibatário, vegano (nenhum tempero; nem mesmo sal e pimenta), sem drogas (sem tabaco, sem álcool; nem mesmo chá ou café), sem cortar o cabelo, sem se barbear, sem banho além de um mergulho no rio ou no oceano. Eu não possuía mais nada em qualquer lugar do mundo e havia cortado todos os laços familiares… o que eu pudesse eliminar da minha vida que era um ônus e um apego, eu deixei de lado. Em outras palavras: tudo o que era tradicionalmente visto como um impedimento à liberdade eu descartei. Foi lá que eu finalmente descobri que era a ‘Iluminação Espiritual’ que estava em falta e que eu poderia ‘purificar-me’ através desses meios ‘Tentados e Verdadeiros’ por muito, muito tempo… sem sucesso.

Eu já estava em um estado alterado de consciência (isso foi em 1985 e meu ego se dissolveu em 1981) e vivia no que foi descrito como o ‘Desconhecido’.”
(fonte em inglês: www.actualfreedom.com.au/richard/articles/abriefpersonalhistory.htm)

No Google Livros, encontrei “Pieta´s Kiss” e outros livros de ficção científica de Richard Maynard. Ao ler – com os olhos bem abertos – determinados trechos deles, entendi o discurso visionário nas palavras de Richard.

Algumas pessoas podem argumentar:
” — Mas não importa se o homem é um contador de histórias!”

Dedique algum tempo lendo seus livros de fantasia e de ficção científica e compare as sinopses entre eles. Será suficiente para notar variações do mesmo tema: futurologia. Então você também entenderá por que o atualismo – exceto suas justificativas neurobiológicas amparadas nas pesquisas de Joseph LeDoux – é uma obra futurista. Faça as conexões e preencha as lacunas.

Se eu tivesse lido estes livros em 2008, provavelmente não teria sido atraído pelo canto da sereia do “Actual Freedom”. O que parecia ser factual sobre as experiências de consciência pura e seus usos e implicações na erradicação da condição humana, acabou sendo escapismo; e o que me pareceu evidente acabou sendo uma miragem.

Ordenada, a bagunça acaba. Aprendi minha lição e paguei o preço.

Se o leitor precisar de mais informações para entender como e porque refutei “Actual Freedom”, sugiro consultar os links abaixo (todos em inglês) para ter uma ideia de onde venho. Eles abrangem uma vasta quantidade de tópicos e fazem interconexões que muitos podem não ter considerado ainda:

1. www.harmanjit.blogspot.com/2010/03/epitaph.html
(artigo traduzido no ADDENDUM 1)

2. www.harmanjit.blogspot.com/2009/06/actual-freedom-suggested-pages-and.html
(artigo traduzido no ADDENDUM 2)

3. www.ugkrishnamurti.net
(leia “The Mystique of Enligtenment” que eu planejava lançar no Brasil como “A Mística da Iluminação” em 2007, justamente no ano em que UG faleceu)

4. www.goodreads.com/author/show/1095285.Richard_Maynard
(uma lista dos livros do autor homônimo)

“Pode ser que sejamos marionetes… controladas pelas cordas da sociedade. Mas ao menos somos marionetes com percepção, com consciência. E certamente nossa consciência é o primeiro passo para nossa liberação” – Stanley Milgram

ANTROPOCENTRISMO, ESSENCIALISMO E OUTROS ISMOS

A palavra “universo” é um termo insidioso. Cuidado.

Troque essa palavra por outro termo mais comum (Deus, por exemplo), e terá outra religião, mesmo sem o estofo material e/ou espiritual associado a ela.

O universo é a totalidade do que existe e dos fenômenos que estão ocorrendo incessantemente. Somente objetos existem. Existir é ter formato e localização, conforme definido na metodologia racional científica. Emprestar e aplicar uma visão taoísta, aristotélica ou atualista sobre o conceito do universo objetivo é uma prática comum e danosa. Este é o alimento do censor: definições irracionais levam a conclusões e ações irracionais.

Seres humanos têm uma visão essencialista (10) do mundo. Misture esse “ismo” com qualquer outro e obterá os subprodutos explosivos que causam um rastro de destruição e aflições.

Um exemplo inspirado no controverso Experimento Milgram (11):

Divida as pessoas em dois grupos, prisioneiros e carcereiros, usando um critério emprestado de um livro ou website, não importa. Você será favorável ao lado dos que alegam alguma vantagem. Salte alguns anos à frente e, mutatis mutandis, teremos uma sofomórica ala fundamentalista pronta para arquitetar o próximo holocausto.

MAS, E O SENTIDO DA VIDA?

Unifique os sentidos sensoriais (sinestesia) e sinta como o corpo vence a gravidade e se move encontrando o caminho de menor resistência em qualquer momento, local e atividade. Vivencie a existência de forma objetiva e não meramente conceitual. A resposta reside no que essa percepção revela.

AGORA A OPORTUNIDADE DE VIVER!

Meu objetivo nesta série de artigos apresentando a Arte Sinestésica da Contemplação não é debater os prós e contras do atualismo e de outros disciplinas similares ou antagônicas. Neste mundo cibernético infestado de “santos & psicopatas” (12) insistindo em nos seduzir com as velhas sabedorias contemporâneas, a célebre resposta de Bartleby, o Escrivão, é o antídoto: prefiro não.

A responsabilidade é individual.

Quem deseja se curar do seu minotauro, precisará de uma espada mental afiada para se enfrentar e de um novelo dos sentidos reunidos e conectados para não se perder em seu labirinto pessoal e no coletivo. Aprender a manejar e se orientar com estas duas ferramentas é a função da Arte Sinestésica da Contemplação.

ADDENDUM 1

Sexta, 5 de março de 2010
UM EPITÁFIO
Por Harmanjit Singh

Tenho o prazer de observar que o site da AFT atraiu apenas um punhado de seguidores / praticantes até a data (os sinceros ou os malucos – dependendo da perspectiva de cada um) que desejam aumentar o número de dígitos em um dígito depois de mais de uma década de funcionamento do site).

Também estou satisfeito que, das três primeiras pessoas chamadas de fato “livres”, duas tenham demonstrado tanta consideração pelos outros em seus escritos que sua correspondência continuará afastando a maioria dos que por acaso acessarem o site. É fortuito mesmo. Se eles fossem capazes de fingir serem atenciosos em seus escritos, teria sido um esforço maior para mim ou outra pessoa avisar com sucesso as pessoas do perigo de segui-las.

Diante desses dois fatos, atualmente não considero mais necessário gastar mais do meu tempo / escritos para elucidar as armadilhas / perigos do atualismo.

Considero o conteúdo do site (principalmente a correspondência arquivada) uma adição útil, embora labiríntica, aos registros históricos do esforço humano.

Certamente pode ensinar-lhe melhores habilidades em argumentação escrita. Pode curar pessoas de espiritualidade e metafísica em alguns casos (por exemplo, as páginas que contêm correspondência sobre Osho e Jiddu Krishnamurti são algumas das análises mais incisivas desses gurus que estão disponíveis em qualquer lugar). Mas, a longo prazo, servirá mais como uma lição gritante sobre os perigos de uma busca obsessiva em ser sobre-humano.

Para os membros e praticantes do atualismo da lista de e-mails: quanto mais cedo você sair do seu desejo de alcançar uma experiência de consciência pura / liberdade-atual / liberdade-virtual / liberdade-virtual-sob-controle/ liberdade-virtual-fora-de-controle/ maneira-diferente-de-ser / etc. melhor será. Há mérito óbvio em estar ciente das reações, em estar atento e em questionar os padrões de hábitos, crenças e paixões, etc. e esse questionamento pode levar a experiências de pico, mas cuidado com a teologia atual que se esconde em todos os cantos do site (infinitude, perfeição, experiências de pura consciência, liberdade atual, aparência, sentimentos são o eu). Eu só posso avisar.

Aos chamados amotinados: Se vocês estiverem por perto, gostaria de me corresponder com vocês e compartilhar anotações.

Para os membros principais (Richard / Peter / Vineeto / Pamela): acho que não posso mais alcançá-los onde isso importaria ou faria diferença. Eu ficaria feliz em provar que estou errado.

Para os diretores do Actual Freedom Trust: como vocês estão preocupados com questões de propriedade e jurisprudência legal, indicarei a você (uma vez que provavelmente ainda não lhe ocorreu) que ninguém nas várias listas de discussão discutindo o atualismo etc. lhes transferiu expressamente os direitos autorais de seus escritos para vocês. Assumir direitos autorais sobre os escritos de outra pessoa (e especialmente os escritos de alguém em uma lista pública) é impróprio. As “Restrições de uso” bastante rígidas na parte inferior do site AF não são aplicáveis para a maioria das páginas do seu site, uma vez que os seus direitos autorais na maioria das páginas não são de partida, pois nunca foram concedidos a você. Você pode reivindicar legalmente os direitos autorais sobre o que é escrito por outras pessoas somente quando esse direito lhe foi concedido. Na ausência de qualquer concessão ou reivindicação do(s) escritor(es) (a quem vocês colocam como anônimos no seu site, mas cuja identidade vocês conhecem), a redação é de domínio público. É claro que vocês podem escrever para cada um dos correspondentes e obter a permissão deles para exercer seus direitos autorais sobre os escritos deles, mas até então, seu aviso restritivo não tem legitimidade legal.

Nem começarei a usar palavras semelhantes às que Richard costumava admoestar rudemente um ser humano que cometeu uma impropriedade inadvertida de direitos autorais, mas acho pertinente mencionar que, embora aquela pessoa nunca tenha recebido um único centavo por seu trabalho e nunca pretendeu isso, vocês receberam dinheiro para vender mídia contendo, entre outras coisas, o texto do site sobre a maioria dos quais não podem reivindicar direitos autorais.
(Fonte: www.harmanjit.blogspot.com/2010/03/epitaph.html)

ADDENDUM 2

Sexta, 19 de junho de 2009
Actual Freedom, páginas sugeridas e links
ATENÇÃO
Por Harmanjit Singh

(Atualização: observe que eu não advogo mais o atualismo. Consulte www.harmanjit.blogspot.com/2010/03/epitaph.html e os comentários desse artigo.

Para mais esclarecimentos, leia meus artigos sobre a condição humana escrito em 2010.)

NÃO prossiga praticando o atualismo sem entender no que você está se metendo.

As pessoas muitas vezes me perguntam como podem descobrir mais sobre o atualismo.

O atualismo não é um ismo no sentido de um sistema de crenças (por exemplo, hinduísmo), é um ismo no sentido de uma prática (por exemplo, turismo). É baseado nos relatos e escritos de um homem que vive na Austrália, conhecido pelo primeiro nome “Richard”.

Para qualquer pessoa interessada no que o atualismo tem a oferecer (a saber: uma total liberdade da malícia e da tristeza e sem um “eu”), sugiro que leiam as seguintes páginas, na ordem:
A página principal do site da Actual Freedom Trust (o texto antes dos links)
Seção do Richard no site da AFT
Richard’s Resume
Introducing Actual Freedom
Actual Freedom is 180 degrees opposite to Spiritual Freedom
Selected Writings on the Actualism method
A Guide for Practicing Actualists
Frequently Asked Questions (FAQs)
Commonly Raised Objections (CROs)

E então pode-se examinar a extensão completa do site, talvez começando com a “Library” e o “Glossary”. As discussões no site às vezes são complexas, iconoclastas e bastante heréticas, portanto, será benéfico para o leitor persistir e não rejeitar apressadamente o atualismo após uma leitura superficial. O atualismo pode parecer uma reformulação de outra filosofia que você conhece, mas não é. Tanto quanto pude pesquisar, Richard está dizendo algo radical.

Estou escrevendo sobre meu próprio entendimento sucinto das discussões e respostas às perguntas frequentes e às objeções levantadas mais comuns (os dois últimos links na lista acima).

Existem vários outros sites, fóruns e discussões arquivadas (que não estão formalmente relacionados ao Actual Freedom Trust) a que se pode referir.
(Fonte: www.harmanjit.blogspot.com/2009/06/actual-freedom-suggested-pages-and.html)

NOTA DO AUTOR

Li um ensaio que afirmava que os antigos egípcios podiam voar: eles tinham bambu, papiro, linha e todos os componentes necessários para construir planadores. O Vale do Nilo tem boas térmicas e ventos confiáveis, onde eles poderiam viajar em asas-deltas por centenas de quilômetros. Mas sabemos que não o fizeram, porque eles ignoravam a física da aerodinâmica, embora essas leis fossem tão verdadeiras quanto são agora. Eles não sabiam, então não suspeitaram da possibilidade.

Avance cerca de cinco mil anos e, em 23 de outubro de 1906, em Paris, França, o Sr. Dumont realizou diante de uma multidão a primeira decolagem e voo de um avião mais pesado que o ar. Um século depois do 14-bis, um jato hipersônico era projetado pela NASA. No entanto, hoje algumas pessoas ainda perguntam:
“Quem inventou o avião? Santos Dumont ou os irmãos Wright?”

É irrelevante. Não importa.

Liberdade natural sinestésica de momento a momento ou as promessas de uma liberdade artificial intelectualista no futuro?

Esta é a pergunta sensata. E urgente.
Porque AGORA…
… É A OPORTUNIDADE DE SE ESTAR VIVO!

Na parte 5, um aprofundamento no fenômeno da sinestesia antes de focar exclusivamente na sua aplicação prática no jogo das 8 Palavras-Chave da Arte da Contemplação.

Envie este artigo para seu círculo de amigos que também compartilharão com outros e assim sucessivamente, como na Teoria dos Seis Graus de Separação!

A CONTEMPLAÇÃO nos liberta de um mecanismo neurobiológico ultrapassado que já foi confundido com possessão, pecados e defeitos morais e depois com doenças orgânicas e transtornos psicológicos, quando era um atraso de 12 milissegundos no sistema nervoso evitando que os estímulos físicos captados pelos sentidos fossem analisados na íntegra pela mente livre da voz de um intermediador virtual interno.

Com o pensamento recebendo exclusivamente estímulos sensoriais puros, qualquer ação e decisão será um ato de altruísmo para com o próprio corpo e os demais.

Sem revoltas e revoluções, sem livros sagrados e manuais de autoajuda, sem líderes carismáticos e influenciadores de opinião…

Basta uma geração com a habilidade de CONTEMPLAR.

Então, todas as utopias serão superadas!

(1) Substância negra é uma pequena região do cérebro localizada no topo do tronco encefálico que contém neurônios produzindo o neurotransmissor dopamina. Por sua cor escura recebeu o nome científico em latim de “substantia nigra”. Os neurônios desta área viajam para outras regiões do cérebro importantes para o controle motor bem como para os lóbulos corticais frontais, que por sua vez são essenciais para a atenção e a execução das suas funções. O Mal de Parkinson é um distúrbio que envolve a morte progressiva de neurônios na substantia nigra, cujos sintomas mais característicos é o comprometimento do sistema motor e cognitivo.
(2) Auto-imolação do monge budista 
(3) Poseur
(4) Efeito Dunning-Kruger
(5)Viés do Ponto Cego
(6) Mais sobre o tópico da emergência da “consciência”, consulte a teoria de Julian Jaynes no seu opus “A Origem da Consciência no Colapso da Mente Bicameral”. Quando li A Origem da Consciência em 2008 durante minhas investigações, deparei-me com um paralelo óbvio entre a mente bicameral descrita por Julian Jaynes e as experiências de “consciência pura” descritas pelos praticantes do atualismo. Fiquei ainda mais intrigado quando não encontrei no site AF nenhuma referência ou comentário a respeito de Jaynes e seu trabalho. Para mim as conexões entre as alucinações acordadas e a bicameralidade eram óbvias demais para serem ignoradas.
(7) O Futuro do Eu, de Walter Truett Anderson
(8) O Mestre e seu Emissário, de Iain McGilchrist
(9) “The Strange Case of the Electronic Lover”, por Lindsy Van Gelder, publicado na Ms. Magazine em outubro de 1985.
(10) https://pt.wikipedia.org/wiki/Essencialismo
(11) Experimento Milgram
(12) A Sabedoria dos Psicopatas, de Kevin Dutton (Record, 2018).

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