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Academia Imoto

A existência do jogo é inegável. É possível negar, se quiser, quase todas as abstrações: a justiça, a beleza, o bem, Deus. É possível negar-se a seriedade, mas não o jogo.

O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da ‘vida cotidiana’.”

Johan Huizinga, autor de “Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura”.

O minotauro tem tendências homicidas.

Esta fera está disposta a sacrificar corpos acreditando que irá sobreviver em uma pós vida. Ela é a tragédia que o ser humano enfrenta e que compromete sua existência e a dos outros. Uma ameaça cada vez mais visível e difícil de ser ignorada.

No Jogo das 8 Palavras-Chave da Arte Sinestésica da Contemplação (vide parte 2), o censor é rebaixado e rebatido do mesmo jeito que se elimina um vício: pela abstenção permanente. Não é permitido alimentar o censor quando ele se manifestar. Como qualquer animal, será extinto não porque foi reprimido, mas porque não terá o que devorar e morrerá de inanição. O censor não deve ser encarado como uma doença congênita ou idiopática (relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença). O censor desencadeia um tipo de “alergia da mente”, cujas reações exageradas, as emoções, são louvadas e estimuladas socialmente, umas mais e outras menos.

No censor não há “emoções humanas”. Ira, tristeza, alegria, medo, desejo… são todas elaborações dos instintos animais. Somente a capacidade sensorial de apreciar, refletir e combinar a arte (técnica corporal) com a ciência (explicação racional) é um atributo que pertence ao cérebro humano e será com ele que iremos merecer o título de “humanidade”.

A sinestesia emulada por meio das 8 Palavras-Chave, doravante o JOGO, será a navalha de Occam para neutralizar o censor e recuperar o controle do cérebro e suas funções vitais e cognitivas.

“Dinocampus coccinellae” (ou “parasita da joaninha”) é uma espécie de insetos himenópteros, mais especificamente de vespas parasíticas, que usa as joaninhas como hospedeiras para proteger seus ovos de potenciais predadores.

CONQUISTAR E VENCER

Uma voz vinda do interior da mente lhe diz para fazer tal e tal coisa em tal e tal situação. E quando uma determinada circunstância se repete, invariavelmente os mesmos comandos são emitidos, como se uma tecla estivesse pressionada e travada…

Aprenda a identificar o censor. Não o confunda com a INTELIGÊNCIA NATIVA, a legítima “mente humana”. E esteja decidido a não o deixar trapacear e jogar sujo. As vantagens: evita os prejuízos e controla os danos que os antigos hábitos e comportamentos acarretam, e sem precisar de terapias, cursos de aperfeiçoamento pessoal e do endosso de alguma instituição ou autoridade.

O censor é a mente animal atávica e a inteligência nativa a nova consciência moderna. Jogue e vença com ela.

A mente antiga não tem um espaço próprio. Ela precisa invadir áreas que não lhe pertencem para ter onde morar. Quando a mente antiga se depara com a nativa – que é mais poderosa porque é sensorialmente mais sensível e corticalmente mais inteligente -, o censor regride para uma versão primitiva em módulo de sobrevivência. Então ele envia comandos paralelos de tamanha urgência e aparente utilidade que muitas vezes sorrateiramente retoma seu espaço. Dito isso, se em uma das quatro situações-chave no JOGO (Autoridade, Relacionamentos, Serviços e Saúde) lhe parecer que sua integridade física depende inteiramente do que a voz do censor está lhe mandando fazer, pare um segundo. Esta pausa é o tempo que a inteligência nativa precisa para identificar as emoções-chave se esboçando (Agressão, Medo, Prazer e Caridade) e assumir o controle.

O censor não tem braços ou pernas, é literalmente um bicho “sem pé nem cabeça”. No desespero ele tenta, como qualquer parasita, se apropriar e substituir a mente do seu hospedeiro. E na sua sede insana de poder, está disposto a sacrificar a saúde e a segurança física do corpo e a de terceiros para se perpetuar.

A METÁFORA DO COMPUTADOR PESSOAL

Façamos uma analogia com a tela do computador: o monitor é o espaço da sua mente e ali só cabe um cursor. Dois ou mais cursores causariam um caos nos comandos. E, para piorar, um dos cursores responde a uma linguagem diferente de programação e sempre lhe levará para os arquivos, programas e links indesejados… enquanto o outro cursor, de um software mais recente e atualizado, equivale a sua consciência nativa operacional sempre certeira e pontual. Desnecessário perguntar em qual deles confiar.

Quando o censor se apresentar como “eu”, saiba que este pronome na primeira pessoa é um mero recurso para distinguir um corpo de outro (por isso nosso nome e sobrenome nos documentos).

Nossos antepassados pré-históricos dependiam da caça e coleta para se alimentar e do acasalamento para manter a tribo. A mente antiga é um resquício daqueles tempos. E ela atrasa a aquisição de novos conhecimentos de ordem mental, permitindo apenas as informações que lhe tragam prazer imediato, priorizando a tecnologia. A quantidade e diversidade de entretenimentos ao nosso redor é evidente. E alarmante. Somos (des)orientados por tantas maneiras de fazer as mesmas ações que acabamos desperdiçando tempo precioso em tarefas inúteis e desgastando os relacionamentos, que nos parecerão insípidos e entediantes em curto prazo. As agressões domésticas e divórcios, assim como os abusos de crianças, são uma pequena amostra dos problemas sociais causados e prolongados pela mente obtusa e obsoleta do censor.

Para enxergar o censor rouba a visão, mas nele esse sentido é míope e bidimensional e as cores, opacas. E os demais órgãos dos sentidos, raptados pelo censor, perdem o “sabor”, a “consistência” e a pureza original. A consequente perda de confiança na qualidade dos sentidos gera dúvidas e insegurança e irá relativizar o pensamento e comprometer suas decisões. E naquele infinitesimal intervalo de suspense, o censor neurótico abre brechas para conceitos irracionais de plantão (presentes nas ideologias e nos sentimentos) deturparem e substituírem os fatos.

Para colorir, temperar e dar peso, volume, textura e odor para os estímulos captados, o censor filtra as sensações pelos instintos que ativam emoções memorizadas que se convertem em conceitos que se expressam em comportamentos. E nesta sequência o pensamento se deforma em uma mania psíquica. Em menos de duas décadas o suposto mundo real não passará de um mundo conceitual virtual, artificialmente criado pelo censor que nunca amadurece, apenas envelhece.

A inteligência nativa opera exclusivamente no mundo objetivo e a partir dele como referência. Ela usa conceitos que remetem a objetos e aos fenômenos decorrentes do contato superfície com superfície entre eles. Estes conceitos e fenômenos são bem definidos na metodologia racional científica, com alicerces no mundo físico composto de uma matriz de átomos interconectados e seus sinais eletromagnéticos vibrando onde houver luz.

Viver no mundo objetivo durante uma experiência sinestésica (como no evento na montanha que o autor descreveu na parte 3), impossibilita a mente humana de agir irracionalmente e se viciar em alguma atividade ou substância. Uma possível explicação científica seria que nestes eventos sinestésicos o cérebro produz maior quantidade de serotonina (www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3800812/) no lugar da dopamina (https://psycnet.apa.org/record/2011-11267-019).

“Lizard Lounge”, de Ralph Steadman (1971)

UMA CIVILIZAÇÃO DE CENSORES

O censor criou instituições e burocracias em causa própria, que lhe dão suporte, o representam e o defendem na sociedade.

Não adianta lutar contra suas organizações. Elas são uma legião de censores. Em vez de ser mais um censor em suas fileiras, abster-se de se envolver nos seus assuntos é o mais sensato.

No JOGO seja aquele observador impassível assistindo dois enxadristas e antecipando os seus melhores lances justamente porque não está envolvido emocionalmente. Olhe o tabuleiro de cima com uma perspectiva aérea panorâmica, como o Dédalo da mitologia grega. O mapa do labirinto e o monstro multifacetado habitando nele será uma visão chocante o bastante para perder toda a vontade de viver em tal local e companhia.

O minotauro ao ser caçado tenta se manter oculto, discreto e moderado. Camuflagem é a sua tática de despistar e se infiltrar.

O censor é um espião nato.

“Enigma”, Dr. Hugo Heyrman (2006)

“Pintei a imagem de um mendigo anônimo. Ele está sentado na calçada da rua, exatamente na ruptura entre a rua e a calçada. Ele faz uma pausa entre duas sessões de mendicância, numa postura fetal. Seu corpo parece ter sido abandonado por sua mente. Ele é um homem de dores, vivendo à margem, perdido no labirinto da vida, desconectado do mundo. O outro também é o desconhecido, o enigma. No ritual das ações interpessoais, existe um código oculto de padrões comportamentais, através do qual emergem estruturas hierárquicas e de poder social.” — Dr. Hugo Heyrman

Ele é o “gray man”, aquele sujeito urbano estereotipado dos filmes, de agasalho cinzento, calça jeans desbotada e tênis sem atrativos mimetizado no meio da multidão, dos prédios e dos carros. Até o momento em que deseja (apetite) ou teme (aversão) algo. Então sua personalidade sedutora, intimidadora e assassina é ativada e o minotauro mostrará seus chifres afiados com orgulho.

O censor é um animal de hábitos que descambam em vícios. É potencialmente um sociopata funcional e manipulador com o qual podemos passar anos sem suspeitar que estamos na sua mira…

O censor é paciente também. E sabe se fingir de derrotado, de vítima. Ele não insiste nem resiste onde irá perder. Prefere uma retirada estratégica honrosa. Viagens e retiros espirituais se tornam períodos neutros de trégua onde o censor aproveita para repousar, recuperar as forças e voltar com carga máxima futuramente. Neste padrão circular de ataque, recuo, pausa, suspense e retorno para atacar outra vez e de novo, passam-se décadas esgotando o delicado sistema nervoso. O organismo padece por falta de exercícios ou nutrientes adequados, mas também pelos atritos emocionais constantes insensibilizando os nervos. O censor é um estressor que nos tortura lenta e impiedosamente. A exaustão final pode vir na forma de alguma doença contraída ou crônica, ou de um desânimo depressivo igualmente nocivo para o sistema imunológico.

Os membros mais limpos e respeitáveis da sociedade continuarão viciados no ego, no eu, enquanto não receberem uma autorização interior que lhes obriguem a escolher entre o vício, a recuperação e a total e permanente abstenção. E essa liberdade de decidir sozinho pelo seu próprio bem e dos demais, mediante um altruísmo nem instintivo ou intelectual, mas sinestésico, se revela quando se reconhece as artimanhas do censor e aprende a separar a mente animal da inteligência nativa.

Como viver altruisticamente em uma civilização tomada pelo censor preconceituoso, astuto, medroso, narcisista e possessivo?

Como viver em uma cultura onde se libertar do eu é um passatempo New Age?

Como perseverar em viver sem aceitar as chantagens do “contrato social” e arriscar ser considerado um herege, um ingrato e um ignorante do conhecimento científico etc. etc. etc., com alto risco de ser punido por tamanha inconveniência?

O JOGO é a resposta, o antídoto.

Manuscrito do século XI da Psicomaquia conservado na Biblioteca Britânica (https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicomaquia)

PSICOMAQUIA

No JOGO conforme explicado na parte 2, depois que usar aquela carta coringa “AGORA A OPORTUNIDADE DE VIVER“, siga a manobra dos grandes generais do passado: avance, cruze fronteiras e dispute palmo a palmo o terreno inimigo até cercar e invadir sua capital e obrigá-lo a se render incondicionalmente.

Nestes combates-relâmpago contra o censor, não se faz acordos nem prisioneiros. Mas ao contrário das guerras quentes e frias, a paz deste combate será vitalícia, porque não requer aliados e nem cria opositores.

Quem vence essa psicomaquia é a inteligência nativa.

Separe o censor do corpo, deixe-o de lado e o observe se retorcer. Esse é o poder invencível da inteligência nativa.

Eventualmente aquela voz na primeira pessoa começará a ceder e se apresentará na segunda pessoa, lhe chamando de “você”.

Não se deixe enganar. Apesar de ser um sinal de vitória na batalha, ainda há uma guerra a ser travada. O censor mudou o arsenal e a abordagem do combate. Será o momento em que ele irá lutar com mais desespero e perícia.

Triplique a atenção e esteja alerta quando o censor lhe sussurrar: “você está certo. Eu estava doente. Por favor, obrigado por me curar. Já me sinto melhor. Vamos ser amigos e fazer as pazes…”

Continue pressionando:

“— Peça demissão e desapareça. Sua função foi extinta. Vá embora. E agora.”

A angústia e o mal-estar que irá sentir não é da inteligência nativa que executou este exorcismo, mas do parasita que perdeu seu encanto e persuasão e sabe que só lhe resta o esquecimento.

Recuse as promessas de conforto e segurança do cativeiro. Libertar-se do censor começa por se libertar dos conceitos e ilusões que ele imaginou e acredita.

LIBERDADE PERMANENTE

A sensação corporal quando nos abstemos do censor e ele se ausenta não é a emotiva como na excitação da felicidade eufórica, nem a autoindulgente satisfação intelectual como na compreensão de um raciocínio complexo. É a sensação inigualável de saber que está vivo na única oportunidade possível: agora, agora de novo e agora novamente e depois…

Nada se compara ou supera o estar vivo e consciente de que está vivendo através da fusão entre os sentidos em vez de girando em um turbilhão de sentimentos sequestrando e torturando as sinapses com os mesmos temas e preocupações constantes.

O único plano biológico na ordem natural da vida é estender ao máximo sua duração antes do último suspiro sem perder a mobilidade e a lucidez na velhice. Enquanto houver combustível para queimar, a vela humana estará acessa iluminando a escuridão.

E essa chama viva não deve ficar sufocada embaixo de uma tampa.

Liberdade é um direito a ser reclamado, instaurado e celebrado. Se o recém-liberto será ouvido e seus conselhos aceitos, é irrelevante para um corpo que vive livre de um censor.

Mostrar a saída do labirinto é tarefa de quem saiu dele. Decidir sair do labirinto é tarefa de quem está nele.

O SALTO

Permita a atuação desimpedida da consciência operacional nativa: a mente humana suplantando a animal nos levará ao próximo salto evolutivo, e ele será cerebral primeiro. Para isso o JOGO foi desenvolvido.

O JOGO é treinamento, e não tratamento. É CONTEMPLATIVO, e não meditativo.

A meditação é o escapismo artificial de estimação imaginado pelo censor. Sua técnica básica é a supressão e controle dos sentidos, alterando ritmos respiratórios, estoicamente postando o corpo em posições desconfortáveis por longos períodos, focado em imagens, sons, cheiros e sabores repetitivos para anestesiar a percepção e atenuar o senso crítico, entre outros recursos que vão da hipnose ao uso de psicotrópicos. A meditação é o ápice da introversão, reduzindo e limitando a percepção para o censor controlar melhor o corpo. Neste processo alavanca um superego e, quem sabe, um candidato à “iluminação”, ignorando os transtornos mentais clínicos documentados nas vítimas de estados alterados de consciência como a esquizofrenia, o narcisismo patológico, as psicoses e as excentricidades características dos gurus.

Legião é um dos mutantes da Marvel cujo poder e fraqueza são as múltiplas personalidades. Sua trágica condição representa a esquizofrenia pós-adquirida.

Isso explica por que as práticas meditativas no oriente antigo que enfatizam a contenção dos sentidos acabam por insensibilizar o corpo na tentativa de dissolver o ego para cristalizá-lo/cristificá-lo em um Espírito. Mas considerando que foi a disciplina mental adotada pelas classes guerreiras dos xátrias e samurais que dependiam de uma expansão sensorial quase sobrenatural, de atenção e alerta constantes e de prontidão para lutar e sobreviver nas guerras e duelos frequentes, há a possibilidade de a meditação ter sido inadvertidamente confundida com a CONTEMPLAÇÃO…

A CONTEMPLAÇÃO é uma habilidade humana inata que pode ser descoberta e redescoberta, melhorada e transmitida, mas não inventada. Nela não há qualquer esforço em controlar e suprimir os sentidos. Ao contrário! Permite-se a plena manifestação e expansão neurossensorial a ponto das sensações se unificarem e se misturarem e gerar o fascinante fenômeno da sinestesia, enfraquecendo e neutralizando o censor em vez de poupá-lo ou promovê-lo.

Na meditação o minotauro se esconde nos bastidores do labirinto aguardando a performance acabar para retornar. No JOGO da CONTEMPLAÇÃO esta fera é implacavelmente caçada, dominada e sacrificada pelo bem do corpo e dos demais.

A CONTEMPLAÇÃO é holística, englobando tanto o interior quanto o exterior, e o instrumento ideal para aplicar no JOGO e sair invicto.

Na meditação o censor medita. Na sinestesia o corpo inteiro contempla. E quando a mente contempla livre do censor, a inteligência nativa corporal se manifesta em toda a sua sagacidade altruísta.

A lógica brutal de cada partida do JOGO é expor o censor sem qualquer reverência e respeito por ele.

Em vez de ser cúmplice do minotauro, a mente humana decide erradicá-lo começando por demolir as paredes e corredores do labirinto onde ele se esconde. E não adianta reprogramar um censor 2.0 em cima do antigo. Independência de um tirano não é destituir um e colocar outro no trono.

Portanto, no JOGO não negociamos com o minotauro nem tentamos ouvir suas reclamações, lamentos, ladainhas e termos de rendição.

Enquanto as terapias funcionam como um sindicato de minotauros, um clube de censores para postergar o problema urgente, no JOGO só nos dedicamos a vencer definitivamente o inimigo.

O JOGO é uma técnica marcial lúdica e contemplativa, e não uma terapia medicinal ou meditativa. É uma ferramenta mental para construir novas ferramentas mentais que construirão outras mais avançadas e assim sucessivamente. E tal habilidade é privilégio evolutivo exclusivo da inteligência nativa humana, a única capaz de conceber meios de atuar sobre si mesma e se metamorfosear sem depender da mutação genética e/ou das pressões do ambiente.

O JOGO lida com fatos acontecendo no presente em vez de ficar às voltas sondando memórias de vidas passadas, resgatando traumas da infância ou incentivando projeções astrais.

A única meta do JOGO é ligar-se à vida no mundo material objetivo e seus fenômenos, e para isso terá que eliminar o guardião de sentinela na ponte. Aqui não cabe o “religare”, porque o mamífero humano é essencialmente um ser que nasceu desligado do mundo objetivo, crescendo e se perdendo em conceitos e cenas imaginárias como a reprise de um filme passando sem parar na sua mente e ocupando a sua memória com trivialidades e clichês.

Um dos resultados do JOGO é que sua prática rapidamente lhe ensina a alternar da mente animal do censor para a mente humana da inteligência nativa. E com o desenvolvimento desta capacidade cognitiva independente se corrige as distorções na percepção sensorial e tudo na vida recupera seu significado e esplendor objetivo, intrinsecamente benéfico e altruísta.

Enquanto o censor é um falsificador barato, a mente humana é natural e autêntica e eleva moralmente o intelecto sem precisar da lavagem cerebral da doutrinação e do medo das leis e das armas.

As mudanças de comportamento de um corpo livre do censor que passa a viver e se relacionar com seus semelhantes de um jeito mais cooperativo e conciliador, depende simplesmente de uma decisão ponderada: autorizar a consciência operacional da inteligência nativa a recuperar e revitalizar o que lhe pertence. Essa dedicação não precisa receber títulos, diplomas ou premiações. Viver gratuitamente como parte inseparável do planeta, ainda que por alguns segundos no início, já é uma recompensa sem preço.

As consequentes quebras de paradigma na sociedade serão uma decorrência natural de viver e trabalhar com propósitos diferentes, e não dependerá de iniciativas e ideologias de religiosos, políticos, filósofos, cientistas ou economistas. Estas áreas estão a serviço secular do censor, e só serão mudadas por mentes mudadas sem seguir qualquer programa herdado da mentalidade antiga.

Em suma, a arte se manifesta quando a mente humana opera livre do censor. E essa junção dos sentidos tem o poder de exilar e colocar o censor no ostracismo. Transfira e aplique esta técnica gratuita em todas as atividades humanas: transforme cada gesto, serviço e pensamento em uma obra de arte e excelência.

E a jovem arte da sinestesia é pioneira em adquirir as qualidades da ciência!

“3 Wise Monkeys”, por Ant Fox.

O IMPASSE

Muitos intelectuais, psicólogos, cientistas, acadêmicos e mesmo artistas, têm dificuldades para compreender o fenômeno da CONTEMPLAÇÃO nascida de uma outra ocorrência igualmente natural, a da sinestesia. Será inútil passar horas tentando convencer o censor que ele deve se entregar pacificamente para ser eliminado na íntegra. Isso é visto como ameaça de assassinato e a reação será instintiva, rápida e violenta. As respostas mais comuns são uma negação, cegueira e surdez seletivas, ignorando certas partes desta série de artigos e ressaltando outras (normalmente as que justificam uma suposta necessidade de educar o ego, de reforçá-lo antes de quebrá-lo ou de coexistir com ele e reformatá-lo, evolui-lo, transmutá-lo etc.).

Outras reações comuns são ignorar e, em certos casos mais graves de resistência do censor, zombar as palavras do autor e tentar desacreditá-lo (argumento ad hominem).

Tais padrões de comportamento são compreensíveis. Qualquer animal acuado irá lutar, morder e arranhar…

Mas a mente humana é invulnerável a tais agressões.

O censor fantasma precisará se incorporar se quiser nos machucar. Porém, quando ele tenta se materializar assumindo o comando dos nervos que movem os músculos, ele será detectado pela mente humana nos seus pontos nevrálgicos.

É sabido que para consertar um aparelho precisamos de uma explicação racional sobre como seu mecanismo funciona. Mas quando haverá uma explicação científica para como o cérebro funciona? E não temos tempo para aguardar diante da iminência de uma Nova Era das Trevas.

Logo, em vez de mexer no hardware, reprograme o software.

Será a mente humana que, ao ser ativada, deletará o vírus no programa.

Pensar em vez de sentir, eis a grande arma do censor. Este sentir não é o sentir dos sentimentalismos (recorde-se do problema dos “ismos” explicados na parte 4). Aqui o sentir é o experimentar e experienciar a existência pela percepção dos órgãos físicos, de sentir e saber que está vivo no agora unicamente por causa dos sentidos sensoriais, sem intermediador para atrapalhar as sinapses da sinestesia.

Cartaz promocional de “Halloween Horror Nights” da Universal (2018)

ARQUÉTIPOS

Vampiros, lobisomens, o médico e o monstro e mais recentemente alienígenas e zumbis, são representações arquetípicas do censor, do minotauro e sua natureza predatória animal.

O Drácula sedento de sangue e seguidores para se conservar imortal, homens amaldiçoados a mercê da lua cheia para se transformar em bestas sangrentas, cientistas pacatos alterando sua química corporal e virando Jack, o Estripador, o Incrível Huck ou tentando reanimar cadáveres como o Dr. Frankenstein, alienígenas caçando e abduzindo viajantes nas estradas para lhes injetar implantes, invadir seus corpos ou lhes trazer “soluções” tecnológicas de salvação ecológica, e os mortos-vivos vagando e vandalizando a esmo nas cidades como bandos de desempregados, sempre esfomeados e raivosos. Também podemos considerar os fantasmas e demônios como representações inconscientes do censor, uma entidade desencarnada que se apossa do corpo e o fere e destrói, espalhando medo e terror ao redor como uma peste.

Ao mesmo tempo os xamãs e as feiticeiras, os oráculos e os profetas, os magos e os mágicos, e mais recentemente os físicos quânticos e os gurus genéricos, representam a tentativa humana de lidar com o censor, negociando com ele na esperança de prever e postergar suas ações inconsequentes e perigosas à sobrevivência individual e da espécie. E as drogas, legais e ilegais, bem como os entretenimentos e as projeções mitológicas de heroísmo nos cinemas e seus ídolos representam as muletas com as quais a humanidade precisou se apoiar para se manter de pé e não entrar na espiral do desespero, das doenças psicossomáticas e da autodestruição.

Todos estes mitos e estratagemas podem ser descartados.

Já temos uma explicação neurobiológica para a condição desumana em que 8 bilhões estão reféns. Temos um diagnóstico e uma metodologia, em vez de mais uma terapia paliativa. A saída está desobstruída e iluminada em caso de emergência. E não estamos mais obrigados a sofrer resignados na poltrona nem a causar danos em retaliações cegas para nos autoafirmar.

A simples possibilidade de decidir nos livrar – de uma vez por todas e para o bem de todos – de um padrão neural já altera a visão de mundo em que os nossos antepassados acreditaram por falta de conhecimento científico.

Pessoas e ideias são esquecidas, mas a sinestesia é uma habilidade aprimorada pela mente humana que, diante dos novos desafios da civilização, irá aflorar e exigir seu espaço na sociedade. E este poder sinestésico latente da mente humana requer o estímulo de outra mente humana para ser ativado na maioria das vezes (talvez haja exceções…).

Por exemplo, vários ex-viciados em bebidas, cigarros, drogas, cassinos e sexo, decidiram parar e pararam repentina, completa e definitivamente só depois que seus parceiros e parentes – que decidiram não compactuar mais com o seu comportamento suicida – lhes deram um ultimato: abandonar o vício ou ser abandonados à própria sorte e aceitar que serão punidos como únicos responsáveis pelo seu próprio destino e escolhas.

O ato de ler estas linhas ou ouvir uma palestra do autor pode ajudar a despertar a mente humana, e se desvincular do censor. Para outros a experiência supera a leitura e a audição. Cada um tem um ritmo e estilo de aprendizagem.

E o JOGO funcionará automaticamente bastando arregaçar as mangas e colocar as mãos na massa.

Jogue-o durante alguns meses. Brinque seriamente com ele. Revise os resultados. Aprenda com seus experimentos sendo a sua cobaia. E colherá suas recompensas logo na primeira partida.

O censor se move rápido e suporta múltiplos golpes. É um lutador veterano que já venceu os inúmeros torneios da seleção natural e que se recusa a abandonar o ringue. O futuro das próximas gerações dependerá da sua aposentadoria forçada.

“Tai Chi Single Whip”, escultura do artista taiwanês Ju Ming (2012)

INAUGURANDO A ERA DA SINESTESIA

A telesinestesia, como previu o Dr. Hugo Heyrman em seu excelente artigo artístico-científico “Art and Synesthesia: in search of the synesthetic experience” (www.doctorhugo.org/synaesthesia/art/index.html), será a mensagem dessa habilidade comunicada à longa distância. E o meio será a internet e a sua multimídia eletrônica.

A origem da sinestesia está em discussão no meio acadêmico. Alguns estudiosos apontam uma causa semântica (cultural) e outros um produto neurobiológico (genético). Uma terceira categoria de pesquisadores encontraram uma interdependência entre condicionamento social (rituais e cerimônias) e potencial cerebral (talentos mnemônicos e de hipnose/autossugestão) na forma de uma exaptação (uma adaptação biológica que não evoluiu dirigida principalmente por pressões seletivas relacionadas à sua função atual).

Em todo caso, a prática da Arte Sinestésica da Contemplação é independente de autorização de especialistas, erudição ou avanços tecnológicos no mapeamento cerebral.

E a sinestesia não tem contraindicações.

 

O SEXTO SENTIDO

Vale ressaltar que um dos sentidos mais importantes que o Dr. Heyrman e outros artistas e especialistas neste fenômeno como Richard Cytowic e Danko Nikolić (Ideastesia) ainda não se aprofundaram é a propriocepção, considerada o “sexto sentido”, com um gene específico (PIEZO2) e a matéria prima de todas as artes sinestésicas, em especial as CINÉTICAS como a dança, a mímica, teatro, os esportes e as modalidades marciais. Essa mistura dos diversos sentidos com a função de equilibrar e mover o corpo no caminho de menor resistência é um flagrante exemplo de sinestesia motora universal. A propriocepção também é um excelente modelo de biotensegridade (www.biotensegrity.com) em que forças de contato entre a compressão da gravidade e a tensão dos tecidos miofasciais se harmonizam para garantir a vida e dar equilíbrio dinâmico e movimento ao corpo.

Estou descobrindo potenciais pouco explorados da mente em estado sinestésico fazendo experiências com a biotensegridade na arte cinética do tai chi chuan e adaptando e monitorando sua prática mediante as técnicas do JOGO. Na arte sinestésica cinética do tai chi, a mente animal não é alimentada com a “visualização” de alguma imagem conceitual abstrata. No TAI CHI CONTEMPLATIVO é o sistema sensorial que orienta os movimentos e o aprendizado. E nenhuma outra atividade humana depende mais dos sentidos físicos do que as artes marciais. Elas atuam no mundo objetivo e dos movimentos e interações físicas entre os corpos, e a partir dos estímulos provenientes dos corpos e das relações/interações dinâmicas entre eles. Por isso conceitos originados de conceitos interagindo com outros conceitos é o ouroboros típico do censor e contraprodutivo para o aprendizado de movimentos e novas habilidades motoras.

No TAI CHI CONTEMPLATIVO a pressão dos pés com o solo e entre os braços (ou qualquer outra parte do corpo ou objeto nas mãos) do parceiro ou parceiros trabalham o tato e o ampliam a níveis impressionantes de sensibilidade. A percepção da posição, dos contatos nos pontos de apoio e do equilíbrio sentida pela propriocepção, tato e sistema vestibular enquanto a cinemática do movimento “quadro a quadro” ganha fluidez e se torna um filme sem intervalos entre as posturas, é a sequência com que o sistema sensorial coopera com o sistema motor. E exatamente como o TAI CHI CONTEMPLATIVO é praticado. O “Corpo Fechado” e o “Efeito Sinomotor” (neologismo para sinergia + ideomotora) são alguns dos poderosos resultados dessa sinestesia intero-proprioceptiva enfatizando as nuances do tato (algumas tecnologias esportivas estão explorando a sinestesia: o website www.sensusport.com apresenta um óculos high-tech que, no momento do impacto da batida do taco na bola, escurece a tela de LCD das lentes e deixa o golfista vendado por alguns segundos, exigindo que aprimore suas sensações táteis e controle muscular).

E a minha abordagem racional sobre o tai chi, uma arte reconhecidamente contemplativa e semelhante a uma dança, está acelerando o aprendizado tradicional que costuma dispender anos para ensinar. E com a vantagem extra dos seus praticantes aprenderem de um jeito descontraído e não-ortodoxo. Esses experimentos estão facilitando adaptar o mesmo método com sucesso para outras artes, esportes e atividades cotidianas em uma progressão lógica de aplicação da sinestesia como instrumento de aprendizagem. Aprender com todos os sentidos ativados e unificados é o foco do TAI CHI CONTEMPLATIVO ministrado na Academia Imoto.

INTELIGÊNCIA NATIVA COLETIVA

A ciência examina e explica “como”.

E arte? A arte fornece uma visão da meta, do porquê!

A arte aponta uma direção. E a ciência (física e filosofia) é o meio de transporte para se chegar lá.

Uma ilustração, seja de uma planta arquitetônica ou um desenho de anatomia ou botânica, é arte na definição de técnica corporal. E na ciência a arte é a linguagem para tornar visível o invisível.

Estamos nos estágios iniciais de uma nova “Ciência da Arte”.

A palavra “arte” do latim “ars”, por sua vez corresponde ao termo grego “tékne”. Ambas as definições podem ser traduzidas como as técnicas corporais, os meios físicos e as performances para fabricar ou produzir algum objeto original e/ou criar sensações. Mas o conceito de arte pode variar na maneira como é produzido e recebido. A arte como resultado da cultura de cada povo, de valores, desejos e subjetividade humana é como a linguagem, uma maneira de se comunicar.

Qualquer expressão da arte só é possível mediante a sinestesia necessária para liberar as habilidades do artista, colocando-o em CONTEMPLAÇÃO, com o ego ausente.

E o direito de aprimorar tecnicamente esta habilidade humana requer um espaço com infraestrutura, uma sala, ateliê ou oficina, para ser exercitado. Por isso, a Academia Imoto é um estúdio reservado para os alunos que se interessam em conhecer e praticar a Arte Sinestésica da Contemplação.

Atualmente apenas a sinestesia é capaz de resolver a dicotomia entre o ego animal e a mente humana. Uma vez livre, a inteligência nativa porá um fim a inúmeros problemas sociais e questões sem respostas e por isso será divulgada para todos. Os benefícios da união dos sentidos para a segurança e a saúde individuais nos convenceram da importância de apresentar e compartilhar a Arte e o Jogo da Contemplação para formar um superorganismo.

No encerramento desta série de artigos, compilaremos estes textos com vídeos, imagens e fontes de referência de estudo e publicaremos um e-book com este material ampliado. Também inauguraremos uma seção no website da Academia Imoto para ser o nosso canal de contato e consultas para se aprender e se aprofundar nesta nova e radical arte evolucionária.

Pintura de autoria desconhecida inspirada no livro “O Fim da Infância” (1953) de Arthur C. Clarke.

INDO ALÉM DA SAPIÊNCIA ANTIGA

O homo sapiens sapiens é primeiro um “homo artisticus” de acordo com o ensaio da colombiana Ana Cristina Vélez Caicedo, “Homo artisticus: una perspectiva biológico-evolutiva”, publicado em 2008:

“Aplicando as palavras do pesquisador de humor Robert E. Provine ao nosso assunto, podemos dizer que, após milênios de contemplação da arte e que alguns dos mais renomados filósofos, escritores, artistas e políticos refletiram sobre ela, as respostas ainda permanecem vagas e insatisfatórias.”

O capítulo 5 apresenta o equipamento físico humano que temos para fazer arte: as mãos, o cérebro e os sentidos, com suas funções básicas que permitem, mas ao mesmo tempo restringem, nossas possibilidades do Homo artisticus. O conhecimento do cérebro nos permite entender a arquitetura cognitiva e emocional da natureza humana e, através dela, auxiliada pelo design especial de nossos órgãos dos sentidos, entender mecanismos como aprendizado, respostas naturais a certos estímulos, atenção, emoções, sentimentos e autoconsciência.”

Na minha opinião empírico-experimental, o próximo estágio evolutivo pertencerá ao homo LUDENS artisticus.

Este artista lúdico será como uma nova espécie, apenas fisicamente igual ao sapiens. Seu grande triunfo a ser celebrado como jogador será ter disputado e vencido a sua condição animal com a maestria da inteligência nativa de um artista sinesteta. Sua obra de arte inacabada será trazer ao mundo objetivo um corpo mentalmente livre, desperto e renovado. Um trabalho artístico em andamento sobre si mesmo. E assim, a próxima geração será de homens e mulheres psicologicamente seguros e satisfeitos porque finalmente conquistaram uma nova condição legitimamente HUMANA em todos os sentidos!

“Estudo de um Touro”, de 1991, a última pintura de Francis Bacon (1909 – 1992).

O SENTIDO HUMANO DA VIDA

Os biólogos Edward Osborne Wilson (autor do livro “Sociobiologia: a Nova Síntese”) e Jeremy Griffith (autor de “Freedom”) chegaram a conclusões diferentes a partir de observações idênticas, apesar de parecerem opostas: ambos acreditaram, ainda apostam e têm fé, no desenvolvimento visível da ordem material em atuação na natureza, no homem e no universo, evoluindo do simples para o complexo, embora por mecanismos e teleologias diferentes. Tanto E. O. Wilson quanto o seu rival Richard Dawkins, alegam que o gene é ateu e egoísta, enquanto para Griffith e outros biólogos deístas avessos à teoria do “macaco assassino” que ignora a epigenética, foi a memória dos cuidados maternos na forma do “amor” doutrinado e convertido em um instinto altruísta desde era remotas que, resgatado e cultivado pela educação a cada geração, nos deu uma direção integrativa singular, rumo ao monoideal supremo, “Deus”.

Estes proponentes divididos em ateus adeptos da entropia e teístas discípulos da negentropia, foram vítimas de uma ilusão similar às associações da “pareidolia”, a ilusão ótica de encontrar contornos humanos e de animais em nuvens, rochas, manchas etc. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Pareidolia): carentes da metodologia racional científica que requer uma hipótese e uma teoria com termos-chave bem definidos, eles optaram por recortar e associar os fenômenos naturais com o pensamento habitual acadêmico que ordena informações para compreendê-las e retransmiti-las, indo do mais básico para o mais sofisticado. E tal comparação irracional entre metodologia educacional e o movimento universal é reflexo do viés antropocêntrico resgatado pelo censor para se valorizar e preservar.

Este domínio do censor criado à imagem e semelhança do homem afeta materialistas, espiritualistas e intelectualistas positivistas.

No universo físico testemunhamos o aparecimento e o desaparecimento, a organização e a desorganização de estruturas químicas simples, intermediárias, complexas e em adaptação SIMULTANEAMENTE. O fato da matéria, ou seja, dos átomos estarem se agrupando, se separando e se reagrupando eternamente sem parar, como sombras projetando silhuetas, montes de areia em formatos esféricos e de pirâmides e o vapor de gases criando imagens se dissolvendo nos céus, iludiu a mente animal que tem duração e alcance limitados mas uma imaginação infinita.

Na CONTEMPLAÇÃO sinestésica todos os nossos sentidos sensoriais se unificam e trabalham em conjunto com uma eficiência tremenda. E em CONTEMPLAÇÃO a inteligência nativa tem a oportunidade de se manifestar, atuar e administrar a vida e suas atividades e relacionamentos com um êxito e sucesso surpreendentes e sem precedentes!

EXORCITE-SE!

Jogue com o seguinte exercício (ou “exorcismo” se preferir):

  1. Pare, feche os olhos e sinta a sua propriocepção atuando. A propriocepção é aquele sentido de equilíbrio que lhe dá uma topografia mental do corpo e o mantém dinamicamente estabilizado. Esteja aonde estiver, sentado, deitado ou de pé, perceba os locais onde está apoiando seu peso e transferindo força até o chão. Então observe o seu equilíbrio vencendo a atração da gravidade.
  2. Confira as sensações captadas pelos outros sentidos, de estar respirando e captando os cheiros do ambiente, ouvindo os sons ao redor e sentindo o sangue pulsando nas veias, vivendo e se movendo deliberadamente no mundo físico dos corpos e objetos e das relações entre eles, independente de conceitos abstratos de tempo e de espaço.
  3. Os efeitos deste experimento na mente serão uma amostra da CONTEMPLAÇÃO inteiramente à disposição para ser apreciada.

Libertar-se da condição animal perpetuada pelo censor que controla os instintos, sem apelar para os paliativos modernos ou cultuar as soluções fracassadas do passado, deixou de ser um sonho ou uma ficção, porque…

A arte nos mostrou a saída!

Livres do censor que nos acusava, criticava e ameaçava para nos manter inseguros, raivosos e egoístas, descobrimos que o sentido da vida NÃO é a integração ordenada da matéria. A eventual estabilidade da matéria é uma propriedade atômica presente no micro e no macro e evidente per si assim como a sua entropia inevitável. É a integração dos sentidos sensoriais que permite a manifestação da sinestesia para viver em CONTEMPLAÇÃO. E a CONTEMPLAÇÃO na raiz das artes deu significado à vida humana, a primeira espécie a se tornar consciente de que só cabe a ela assumir a responsabilidade de resolver seu perigoso conflito interno para garantir a sobrevivência dos seus herdeiros. E agora o método aguardado para exonerar o censor enquanto desperta e refina a inteligência nativa, depois de milhares de anos de dor e sofrimento incalculável, está ao alcance da humanidade, gratuitamente e sem distinção de classes, raças e fronteiras.

Bem-vindos ao JOGO!

NA PARTE 6, VAMOS REVER OS FUNDAMENTOS DO JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE E IMPLEMENTAR A SUA APLICAÇÃO SINESTÉSICA NA ARTE DA CONTEMPLAÇÃO.

Envie este artigo para seu círculo de amigos que também compartilharão com outros e assim sucessivamente, como na Teoria dos Seis Graus de Separação!

A CONTEMPLAÇÃO nos liberta de um mecanismo neurobiológico ultrapassado que já foi confundido com possessão, pecados e defeitos morais e depois com doenças orgânicas e transtornos psicológicos, quando era um atraso de 12 milissegundos no sistema nervoso evitando que os estímulos físicos captados pelos sentidos fossem analisados na íntegra pela mente livre da voz de um intermediador virtual interno.

Com o pensamento recebendo exclusivamente estímulos sensoriais puros, qualquer ação e decisão será um ato de altruísmo para com o próprio corpo e os demais.

Sem revoltas e revoluções, sem livros sagrados e manuais de autoajuda, sem líderes carismáticos e influenciadores de opinião…

Basta uma geração com a habilidade de CONTEMPLAR.

Então, todas as utopias serão superadas!

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