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Academia Imoto

A definição de Johan Huizinga em sua obra clássica Homo Ludens abrangendo a noção de qualquer jogo serve para estabelecer os fundamentos do JOGO das 8 Palavras-Chaves:
“…o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida cotidiana”.”

A essência do JOGO é ser uma atividade auto permitida, voluntária, consensual consigo mesmo. Não se força alguém a jogar e brincar contra a própria vontade. E jogar a contragosto tira toda a graça da vitória e da brincadeira. Partindo deste princípio, se o censor e o labirinto são tolerados ou ignorados, e em alguns casos, louvados e protegidos, então o JOGO não fará qualquer sentido. Hora de continuar com a sua vida como ela está. Liberdade é libertar-se. E responsabilidade de cada indivíduo.

Uma vez que percebeu a necessidade de usar o JOGO e concordou em aplicá-lo no seu dia-a-dia para exorcizar o censor, essa ocupação voluntária tem a vantagem de poder ser exercida sem limites de tempo e de espaço. Trata-se de aproveitar o surgimento de qualquer uma daquelas quatro situações-chave (Autoridade, Relacionamentos, Serviços e Saúde). E as oportunidades serão frequentes e sem hora e local definidos. Flua com cada situação e aceite-a incondicionalmente. Pergunte a um surfista como ele faz para pegar a onda perfeita e ele lhe dirá para ficar na água até ela aparecer. Uma vez iniciado o JOGO e você começar a colher os benefícios de uma vida regida pela inteligência nativa da mente humana, desistir deixa de ser uma opção. O “Grande Plano” é viver na contemplação sinestésica e o JOGO será uma das ferramentas para implementar essa decisão.

As regras do JOGO se resumem a detectar a situação-chave iniciada no momento, e estar alerta para a primeira emoção-chave (agressão, medo, prazer e caridade) que se manifestar no seu íntimo. Neste pacto com o censor, nenhum lance ilegal é permitido. A inteligência nativa monitorará cada movimento, cada palavra, cada pensamento, pois é da sua natureza observar, orientar, decidir e agir (“ciclo OODA” militar). O censor, obviamente, irá tentar trapacear e burlar essa vigilância, e quando entender que estará exposto a luz da mente humana assim que pisa em campo aberto, voltará a se esconder. Este é o instante em que começa a caçada.

Um famoso ditado Zen avisa que “o dedo que aponta para a lua não é a lua”. Por outro lado, a direção em que o dedo está apontando também não é a lua. E, sem o olho, para onde apontar o dedo? Na contemplação, o olho, o dedo e a lua são parte do mesmo fenômeno do mundo objetivo. O separador, o censor, irá focar na sujeira da unha ou em uma das crateras do lado escuro da lua… e perderá o contexto, o todo.

Na sinestesia esse erro cognitivo é corrigido de imediato.

O censor é um grande ilusionista. Ele cria a ilusão de uma mente separada, de uma falsa identidade, de uma persona. Não jogue com ele mas contra ele. Somente o corpo é parte material inseparável do universo objetivo.

Erradicar o minotauro e sair do labirinto, essa é a finalidade do JOGO. Complete esta missão e o JOGO cumpriu sua função e encerra com um único vencedor: um corpo regulado pela inteligência nativa livre dos conflitos internos daquela condição miserável de hospedeiro de um parasita.

Durante e depois de cada situação em que estiver envolvido e aplicando o JOGO, o fato de checar e reconhecer as emoções criadas, sentidas e consumidas pelo censor, ajuda o organismo a recuperar sua vitalidade original. Esta economia dos nervos e da memória abre caminho para a descontração muscular e um pensamento mais claro e objetivo, e os efeitos colaterais benéficos serão inúmeros! A tensão acaba e a alegria natural de estar simplesmente vivendo no mundo como ele é e com as pessoas como elas são se transforma em seu modus operandi. Antes de ir dormir no final do dia, deite-se e recapitule as partidas que jogou de manhã ao anoitecer. Não julgue, apenas relembre as situações e suas respectivas emoções interceptadas. O número de vitórias nos estimula a nos superar e eventualmente chegará o momento em que saiu ileso e invicto!

A nova consciência adquirida no JOGO será inevitavelmente diferente daquela mentalidade cotidiana na qual consumia seus dias ora no tédio, ora na ansiedade e na excitação exagerada. O JOGO planifica essa desgastante bipolaridade e cria as condições físicas e mentais para a sinestesia se manifestar com mais regularidade. Depois de alguns meses jogando, irá consolidar no corpo a contemplação sinestésica até ela se tornar uma função de tempo integral. O JOGO termina quando os atritos entre instintos, emoções e pensamentos foram solucionados e você experiencia a vida no mundo objetivo sem prazo para acabar.

O potencial humano adormecido que agora estará à disposição da mente humana é colossal. As consequências de a inteligência nativa estar liderando suas decisões transformarão sua vida e a das pessoas ao seu redor. O alcance das reverberações de um corpo imbuído de paz interior é ilimitado. Quem a conquista libera uma reação em cadeia de atitudes e comportamentos altruístas, justamente as ações que moldam as sociedades com seus membros atuando pelo bem comum porque sabem que a liberdade de um será a liberdade de todos.

No JOGO a técnica de reconhecimento da inteligência nativa não é domar ou domesticar, nem negociar, mas neutralizar e eliminar a violência animal e suas paixões. Sem forças para lutar o minotauro entrará em um processo de autofagia e inanição fatal. E na sequência o labirinto desabará sobre os chifres dele e o deixará soterrado para sempre. Será o fim de uma era das trevas. E o princípio de um Novo Renascentismo jamais visto antes!

Como a jangada utilizada para atravessar o rio, o JOGO poderá ser abandonado após completar a travessia e chegar na outra margem. A jornada é mais importante do que a bagagem.

Prossiga, avance e desbrave territórios desconhecidos da mente humana sem um censor para lhe atrasar e atrapalhar. A aventura de uma vida inteira está apenas começando!

WENDIGO, FATO OU FICÇÃO?

Quando os primeiros colonizadores europeus desembarcaram na América do Norte, os nativos reconheceram neles o mesmo problema da condição animal que controlavam graças ao seu modo de vida e visão animista. Mas o que mais lhes espantou foi o estágio avançado de selvageria sofisticada em que os brancos agiam e pensavam.

Certas tribos viram no estranho comportamento do invasor a encarnação de um “espírito maligno” chamado no folclore algonquiano de Wendigo, um mal lendário que lhes aterrorizavam bastando ser pronunciado.

Tratava-se de um ser monstruoso, nem humano ou animal, cuja fome insaciável por carne e sangue fizeram dele uma espécie de canibal. E essa criatura horripilante não vagava pelas florestas e as planícies. Ela estava incubada no coração e nas mentes de cada nativo desde a infância. De tempos em tempos eles perdiam o controle deste monstro e ele se manifestava causando dor, destruição e mortes violentas.

Cientes das desvantagens de dar vazão à esta entidade se não a mantivessem represada, nenhum povo indígena tentou converter outros povos à sua crença e cultura. E ficaram amedrontados quando os colonizadores trouxeram a cruz e a espada para forçá-los a abraçar uma fé que lhes era estranha.

Nenhum povo indígena fazia alianças com outras nações para massacrar outros povos nem aumentava intencionalmente sua população para conquistar mais território. Os colonizadores vinham em hordas crescentes de todos os países da Europa e do Oriente, unidos com um objetivo em comum: explorar, devastar e matar sem piedade qualquer forma de vida que ousasse barrar seu pioneirismo civilizatório.

Nenhum indígena estabelecia uma distinção entre artesanato e arte, trabalho e comércio. Para eles o capricho e a dedicação na manufatura de quaisquer objetos e ferramentas e nas habilidades de caça, pesca, coleta e combate era uma retribuição pelo que obtinham como resultado do seu manuseio e aplicação. Em contraste, o famigerado Wendigo euro-asiático civilizado gastava recursos preciosos do ambiente como água e madeira para fabricar armas e implementos agrícolas bem como itens de luxo e desperdiçavam seu pouco tempo de lazer com atividades supérfluas e intrigas familiares, religiosas e políticas.

Outro diferencial dos nativos: plantar lhes era tão natural quanto caçar e coletar. E revezavam entre estas atividades de subsistência dependendo das estações e eventual escassez. Já a civilização tanto no Oriente quanto na Europa estava aperfeiçoando somente um tipo de produção monocultor de alimentos, a agricultura totalitária típica da mentalidade Wendigo.

E nenhum membro da tribo trocava a liberdade de um modo de vida que lhe dava conforto, segurança e dignidade até a velhice e a morte, por um sistema econômico artificial baseado em trocar serviço por produtos e comida. Enquanto a economia natural dos nativos, cuja moeda é comida, era basicamente consumir o alimento disponível e dar apoio para receber apoio, a economia artificial do homem branco trancava os alimentos e barganhava serviços por produtos.

“Wendigo”, pintura de Tyler Hallett

A FÁBULA DOS DOIS LOBOS

Dentro de mim existem dois lobos: o lobo do ódio e o lobo do amor. Ambos disputam o poder sobre mim. E quando me perguntam qual lobo é vencedor, respondo: o que eu alimento.

— Provérbio Indígena

Milhares de povos nativos adotaram mecanismos de contenção social que impediam nutrir esta fera para não lhe dar força e expressão no mundo objetivo. Um destes mecanismos era o batismo na adolescência e os rituais de passagem em que a criança era testada e avaliada para merecer ingressar nos assuntos dos adultos, quando seria a única responsável em conter o seu próprio Wendigo pelo bem coletivo da tribo.

Os dolorosos testes de punição corporal e de paciência e abnegação lhes serviam como alerta fornecendo uma pequena amostra dos sofrimentos que o Wendigo lhes causaria. Já na puberdade os jovens entendiam na pele e na mente que o medo e a agressividade trazem o Wendigo à tona. E que para controlar estas emoções era preciso coragem e valentia estoicas. Se primeiro não se tornassem guerreiros habilitados a lutar e dominar esse inimigo predador, todo o resto seria fútil e inútil.

Quando percebiam que a violência represada e reprimida no grupo lhes estava criando problemas de relacionamentos e convivência, os líderes organizavam competições físicas e provas vigorosas para liberarem esses impulsos instintivos e a calmaria trazida pelo cansaço físico lhes davam uma trégua por mais alguns anos. E periodicamente eles faziam incursões clandestinas nos territórios dos vizinhos, saqueavam, lutavam, matavam e voltavam com alguns reféns e prisioneiros para posteriormente retomarem as relações com a tribo rival por meio de casamentos entre seus membros e escambos de alimentos e utensílios. Essa “retaliação sem nexo”, explicada magistralmente nos livros “Ismael” e “A História de B” de Daniel Quinn, é uma característica comum entre os povos animistas e funcionou por milhares de anos.

Uma estratégia paliativa pode funcionar por milênios ou séculos, e isso não significa que seja perfeita ou que será efetiva eternamente. E ela acabou em 1500 nas Américas com a chegada do Wendigo pálido de botas e chapéu, armado até os dentes e disposto a sacrificar animais, árvores, crianças, mulheres e anciões por um punhado de ouro.

A guerra que todas as nações indígenas declararam em conjunto não foi para expulsar o Wendigo de volta para a Velho Mundo. Foi para não serem contaminados por ele. Os povos nativos estavam dispostos a compartilhar as terras e seus recursos abundantes, como faziam com seus vizinhos ainda antes da travessia migratória pelo Estreito de Behring, mas seu erro foi acreditar que essa ética ancestral iria frear ou aplacar os “colonizadores”.

O Wendigo europeu superou o dos nativos porque estava cristalizado enquanto o das suas vítimas estava embrionário. E a exaustão de guerrear sem soltar todo o poder destrutivo do seu Wendigo lhes custou a derrota e a escravidão.

Ao entender que seriam dizimados, preferiram a rendição e uma negociação “civilizada” nos termos do Wendigo invasor na esperança de manter sua cultura intacta e que seu exemplo inspirasse seus descendentes a vingá-los e restaurar a ordem natural no futuro. Mas o Wendigo estrangeiro lhes assimilou e os seduziu com suas promessas de progresso e prosperidade.

Atualmente ainda restam tribos cientes deste conhecimento que para os seus xamãs é o bem mais precioso: viver sem um Wendigo trará de volta a liberdade com segurança que eles usufruíram por incontáveis gerações.

E finalmente é possível imolar este Wendigo antes que ele nos sacrifique sem distinção de raças e crenças.

Nossos dias de submissão estão contados.

Hora de aplicar o JOGO, afinal…

AGORA a OPORTUNIDADE de VIVER!

TAI CHI SEM YIN E YANG?

Na natureza, ou seja, no universo objetivo, só existem átomos em fluxo contínuo espiralando no sentido horário e anti-horário (dependendo do ponto de vista) e os fenômenos físicos que ocorrem quando eles se encontram, se juntam, se combinam e se separam para todas as direções numa espécie de dança eterna. E este processo foi percebido pelos primeiros seres humanos na Terra. Esta percepção deu origem à primeira religião universal no planeta, que os antropólogos da atual civilização hegemônica chamaram de “animismo”. Na visão, ou cultura, anímica, as plantas, animais, aves e insetos são constituídos dos mesmos minerais que estão na água, no ar e na terra. Alimentar-se destes seres vivos e elementos é natural pois sua matéria nutre o corpo que eventualmente também se decompõe reabastecendo a cadeia alimentar. Seria plausível afirmar que cruzamos a fronteira entre o animal e o humano quando contemplamos nosso papel na comunidade da vida e constatamos que somos parte do mundo material e que pertencemos a ele. Os rituais que nasceram desta compreensão eram compostos de movimentos corporais simulando as alternâncias das estações, da lua, do sol e outras estrelas mudando de posição no céu, das marés subindo e descendo, e das oscilações entre cheio e vazio, alto e baixo, pequeno e grande, claro e escuro. E nenhuma destas qualidades eram superiores ou opostas umas às outras, mas igualmente necessárias e complementares.

Originalmente o Tai Chi, uma antiga filosofia chinesa que se tornou famosa no Ocidente como arte marcial medicinal, pertencia às tradições taoístas de animismo anteriores ao Budismo na Ásia. Registros arqueológicos mostram dançarinos e guerreiros na Índia e na China praticando sequências de passos e posturas em coreografias padronizadas, ora como performance artística, ora como exercício de combate. Estas séries de movimentos foram passando de geração para geração entre clãs e famílias, entre mestres e discípulos de uma aldeia para outra, e chegaram vivas aos dias de hoje porque, apesar das distorções sofridas, nunca perderam sua função primordial: sintonizar o corpo e a mente dos seus praticantes com o mundo objetivo em constante mutação. Redução da capacidade de adaptação em uma espécie, perante os desequilíbrios ecológicos que causam inversão da pirâmide populacional e/ou alimentar, aceleram a sua extinção. Essas observações (ou melhor dizendo, contemplações) dos comportamentos dos animais, insetos e plantas foram sendo arquivadas na memória humana desde tempos remotos. E as explicações científicas destes registros indicaram onde o corpo estagnou em um perigoso platô evolutivo: no conflito entre instinto e intelecto.

A mente humana vem evoluindo há uns duzentos mil anos, aprimorando habilidades corporais e as tecnologias na fabricação de instrumentos bem como organizando socialmente a tribo e as relações entre seus membros e seus vizinhos. Sua única barreira para atuar em tempo integral foi uma reação neurobiológica decorrente de um atraso no processo dos estímulos captados do mundo objetivo. Neste intervalo de milésimos de segundo o cérebro gerou a ilusão de uma autoridade interior e intermediadora entre os dois hemisférios cerebrais que ditava ordens e guiava o corpo. No instante em que esta ilusão assumiu a forma e a semelhança do corpo de natureza animal e se identificou com seus instintos, sentimentos e emoções, passou a criticar qualquer iniciativa intelectual alheia à sua vontade. Esta entidade que chamei de censor (e os índios americanos de Wendigo) foi erroneamente identificado na psicologia e na psicanálise como o “eu”, e continuou intocável. Este ego é a única resistência à livre manifestação da mente humana e sua inteligência nativa. Cabe justamente à mente humana, a real identidade inseparável do corpo material, que perdeu espaço na mente para o censor, recuperar sua soberania e se consolidar para garantir a sobrevivência da espécie cuja evolução depende desta autonomia e emancipação mental urgente. Atingimos um estágio em que somos capazes de conscientemente evolver a nossa própria inteligência.

E a prática do TAI CHI CONTEMPLATIVO, distinta do Tai Chi Chuan convencional, complementa o JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE porque o cérebro humano não existe para pensar ou sentir, mas para vencer a inércia da gravidade, controlar movimentos e encontrar trajetórias de menor resistência no ambiente para rápido acesso a água e alimento entre outras funções motoras de sobrevivência, da procriação à autodefesa. Para criar e refinar a desenvoltura e agilidade do movimento humano, não são os músculos que precisam ser trabalhados em isolado, mas o cérebro. E o único acesso que a inteligência humana tem para recuperar este controle está bloqueado pelo censor posicionado como um guardião feroz nesta ponte entre o corpo e a mente. As tradições animistas presentes em certas mitologias reconhecem este guardião como um ser que separa o homem dos deuses. De forma ainda mais alegórica, ele é um fiscal corrupto que impede o trânsito direto das informações vindas dos “deuses” (do mundo objetivo) até os homens. Os raros aventureiros que conseguiram burlar a vigilância desta sentinela de plantão adquiriam habilidades cognitivas e corporais incomuns que prontamente colocavam em prol dos seus semelhantes. E o TAI CHI CONTEMPLATIVO é um deste tesouros que catalisa o potencial cinético do cérebro que poucos mestres conseguiram despertar e ensinar.

Combine o JOGO com o TAI CHI CONTEMPLATIVO, e o fenômeno neurossensorial da sinestesia será cada vez mais frequente e natural, progressivamente expulsando o censor para o limbo de onde saiu.

Viver na contemplação em movimento é o fruto evolutivo da mente humana que está apenas começando sua jornada. E o destino desta viagem é inimaginável e imprevisível para os nossos atuais padrões mentais, porque a finalidade da existência é aperceber a si mesma, do micro ao macro.

O poderoso elefante acredita que está preso nessa estaca por uma corda porque desistiu de se libertar dela quando era filhote. 

3 EXERCÍCIOS DE CONTEMPLAÇÃO SINESTÉSICA DO TAI CHI

Reserve 15 minutos em um local calmo e discreto para praticar as posturas e movimentos a seguir. Em vez de perfeição nos detalhes, concentre-se nos procedimentos que irei descrever e na manutenção deles durante a prática.

As fases da larva se arrastando como lagarta, se encapsulando na crisálida e completando a sua metamorfose na borboleta que voa.

A SEMENTE

Este exercício é uma modificação na postura “Savasana” (postura do cadáver) do Yoga indiano de acordo com as instruções de U.G. Krishnamurti. Ele explicou que os movimentos pelos quais o corpo passa espontaneamente ao sair do estado de “morte” estão mais próximos dos movimentos do Tai Chi do que das posturas do Yoga. Além disso, ele alertou sobre o erro de realizar Savasana no final da prática de Yoga. Ele insistia que isso deve acontecer no começo.

  1. Inicie o primeiro exercício em jejum, estômago e bexiga vazios, deitado sob um tapete ou colchão com os pés descalços e os braços ao lado do corpo, cabeça posicionada para o Sul (para quem estiver no hemisfério Sul. Acima do Equador, comece voltado para o Norte). Sinta os principais pontos do corpo que estão pressionando o chão. Ative o sentido do tato.
  2. Cruze os dedões dos pés e entrelace os dedos das mãos na altura do peito. Feche os olhos e toque com o céu da boca com a ponta de língua. Ative a propriocepção e o paladar.
  3. Tente sustentar esta postura durante quatro ciclos completos de respiração lenta, profunda e silenciosa pelo nariz. Ative olfato e audição. O tempo mínimo de duração de cada ciclo respiratório é de 24 segundos: seis segundos inspirando, seis segundos retendo o ar nos pulmões, seis segundos exalando e seis segundos com os pulmões vazios (com a prática será possível chegar a ciclos de mais de 90 segundos cada). Mantenha um ritmo coerente com sua capacidade pulmonar e permita o corpo descontrair a musculatura naturalmente sem colapsar a estrutura esquelética.

Uma dica para melhorar a absorção de oxigênio é inspirar como se levasse o ar até o “Ponto Focal”, um local próximo ao osso sacro no baixo ventre onde os centros de gravidade e massa se convergem.

  1. Enquanto completa os primeiros quatro ciclos, cheque os pontos de contração muscular ao redor das principais articulações, começando pelas pernas e braços e em seguida as vértebras da coluna e a mandíbula.
  2. À medida que identificar áreas de rigidez, vá soltando e descontraindo a musculatura aplicando a seguinte manobra: adicione uma contração isométrica extra a essas zonas rígidas lhes aplicando tensão máxima, ou seja, estendendo a musculatura, e sem fazer apneia. Lembre-se que o oposto da tensão é a compressão. Na tensão, as forças são binárias e em direções opostas enquanto na compressão elas se encontram. Portanto, aprenda a distinguir entre as duas e evite comprimir e achatar o próprio corpo nesta etapa. Prefira o alívio da tensão que estica e alonga as articulações enquanto aumenta o volume da caixa torácica.
  3. Logo que uma sensação generalizada de leveza envolver o corpo, como se flutuasse vencendo a gravidade, descruze todos os dedos, abra os olhos, sorria para soltar os músculos da face e repita mentalmente:

AGORA a OPORTUNIDADE de VIVER”.

7. Role para o seu lado direito, fique em decúbito ventral (barriga para baixo) e os braços esticados à frente com as palmas apoiadas no chão, dedos levemente abertos. Lentamente, mas firme, vá empurrando o chão com as mãos e recuando o tronco até se sentar sobre os calcanhares. Sinta uma compressão agradável ativar e tonificar a musculatura ao redor da sua coluna, o seu eixo de sustentação. Ainda com as mãos apoiadas no chão, vá erguendo o tronco e a cabeça olhando adiante na linha do horizonte. Mantenha uma visão panorâmica. Saia desta postura sentada sobre os pés e coluna ereta, levantando-se, balançando os braços e dando pequenos pulos sem impacto para dispersar a contração muscular residual e reequilibrar a circulação sanguínea. Prepare-se para o segundo exercício.

“Nostalgia for Nature” , arte em foto de Masao Yamamoto.

A ÁRVORE

  1. Em pé, braços ao lado do corpo, de frente para o Sul (caso estiver no hemisfério Sul) e agora com os olhos abertos e visão panorâmica na linha do horizonte, repita todos os procedimentos anteriores, ativando os principais sentidos e iniciando os quatro ciclos ritmados de respiração.

Observe que a área de contato com o chão ficou reduzida às solas dos pés. Sinta a pressão dos nove pontos de cada pé: dos cinco dedos, duas laterais, base do calcanhar e centro da sola (ponto Rim 1 nos mapas de acupuntura). Apenas as pontas dos dedos das mãos tocarão levemente a lateral das coxas. Sinta a textura do tecido ou da pele neste contato.

  1. Completados os quatro ciclos de respiração, cheque a tensão no corpo fazendo a manobra de contrair e relaxar progressivamente cada fibra e feixe muscular. Comece dos pés, vá subindo pelas pernas, quadris, tronco, braços, pescoço e cabeça.
  2. Recuperada a sensação de leveza, sorria e repita mentalmente:

AGORA a OPORTUNIDADE de VIVER”.

4. Erga os braços começando pelos dedos, depois as mãos arqueando nos pulsos, na sequência os antebraços articulando nos cotovelos, e finalmente subindo a parte superior do braço (bíceps e tríceps) girando os ombros para cima e para trás e encaixando as escápulas.

5. Estique lentamente os braços na altura do peito, gire as palmas para baixo e segure essa posição por mais quatro ciclos de respiração. Então, traga os cotovelos para a lateral das costelas, sem apertar as axilas, baixe as mãos e volte para a posição inicial.

O corpo estará fisicamente e mentalmente preparado para o terceiro exercício em movimento.

CAMINHADA CONTEMPLATIVA

  1. No estado de leveza do exercício anterior, abra os braços para os lados com as palmas paralelas ao chão na altura da cintura.
  2. Transfira seu peso para a perna esquerda. Mantenha-se atento às sensações de contato com a sola do pé no chão.
  3. Sinta a perna direita flutuar. Levante o joelho direito e dê um primeiro passo curto à frente tocando o chão com a ponta do calcanhar direito. Vá depositando vagarosamente o restante da sola do pé direito até tocar os artelhos sem colocar peso nos 9 pontos de contato na superfície do piso.
  4. Para completar esta pisada, transfira o peso da perna esquerda para a direita, abaixando os quadris e fazendo uma parábola descendente com o seu Ponto Focal, como um pêndulo balançando em câmera lenta de trás para frente. Não incline o tronco nem olhe para baixo. Mantenha os braços abertos nas laterais.
  5. Quando sentir que depositou todo o seu peso nos 9 pontos do pé direito e a perna deste lado está estabilizada em uma linha vertical, erga o joelho esquerdo e repita a sequência dando um passo com a perna esquerda. Caminhe por três metros. O tempo de duração para cobrir essa distância varia de 3 a 6 minutos.

Faça a caminhada com todos os órgãos sensoriais ativados e concentre-se principalmente no seu equilíbrio, sentindo a resistência do ar e da pressão atmosférica como se estivesse andando no fundo do mar.

Esta descrição simplificada não substitui a instrução oral e monitoramento pessoal e personalizado de cada praticante. Contudo, o mais importante nestes três exercícios básicos é a manutenção do estado contemplativo sem julgamentos e divagações. Aplique o JOGO nesta situação-chave relativa à saúde caso perceba aquele intruso tentando sabotar seu treinamento. Identifique as emoções que o censor tentará trazer à tona. Atividades pacíficas, pacientes, solitárias e sem propósito imediato incomodam o ego que começa a se entediar, carente da influência química de alguma emoção. O JOGO impedirá que o censor comprometa os benefícios destes exercícios. Com pernas mais fortes seu equilíbrio aumentará assim como a sua capacidade cardiopulmonar. Porém, a melhora no condicionamento físico é um efeito colateral. O objetivo é atuar puramente no nível mental cultivando a inteligência nativa. Executados corretamente, cada um destes exercícios alicerça a prática da sequência da Forma composta das 37 posturas desenvolvidas pelo Prof. Cheng Manching mencionado na parte 7 (para se aprofundar no TAI CHI CHUAN CONTEMPLATIVO exclusivo da Academia Imoto recomendo a leitura dos outros artigos correlatos neste blog).

Na parte 9, uma seção de perguntas e respostas reapresentando e definindo os termos-chave da Arte Sinestésica da Contemplação e uma explicação filosófica porque a busca por felicidade e prazer permanente nos aprisiona ao censor.

Envie este artigo para seu círculo de amigos que também compartilharão com outros e assim sucessivamente, como na Teoria dos Seis Graus de Separação!

A CONTEMPLAÇÃO nos liberta de um mecanismo neurobiológico ultrapassado que já foi confundido com possessão, pecados e defeitos morais e depois com doenças orgânicas e transtornos psicológicos, quando era um atraso de 12 milissegundos no sistema nervoso evitando que os estímulos físicos captados pelos sentidos fossem analisados na íntegra pela mente livre da voz de um intermediador virtual interno.

Com o pensamento recebendo exclusivamente estímulos sensoriais puros, qualquer ação e decisão será um ato de altruísmo para com o próprio corpo e os demais.

Sem revoltas e revoluções, sem livros sagrados e manuais de autoajuda, sem líderes carismáticos e influenciadores de opinião…

Basta uma geração com a habilidade de CONTEMPLAR.

Então, todas as utopias serão superadas!

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