m
ARTIGOS, EVENTOS & NOTÍCIAS

Academia Imoto

ANUNCIANDO O FIM DA CONDIÇÃO HUMANA

“…o homem não é autenticamente um, mas sim dois. E digo dois, porque o meu próprio conhecimento não foi mais além. Outros seguirão o meu exemplo, outros me superarão e atrevo-me a profetizar que no fim o homem será reconhecido como um ser habitado por seres múltiplos, incongruentes e autônomos. Da minha parte, e devido às características da minha existência, avançava forçosamente numa única direção. Aprendi a reconhecer a primitiva dualidade do homem na minha própria pessoa. As duas naturezas que lutavam na minha consciência eram minhas, porque eu era em essência ambas. Desde o início, ainda antes das minhas descobertas científicas começarem a sugerir a possibilidade de tal milagre, dediquei-me a pensar placidamente, como se se tratasse de um sonho querido, na possibilidade de separar esses dois elementos. Se cada um deles, dizia eu, pudesse habitar em identidades diferentes, a vida libertar-se-ia do que hoje se me a figura insuportável; o injusto poderia seguir o seu caminho, despojado das aspirações e do remorso do seu irmão gêmeo, mais reto; e o justo avançaria com segurança e firmeza pela sua senda ascendente, realizando as boas obras nas quais encontra prazer e sem se expor às desgraças e à penitência provocadas por esse espírito perverso e desconhecido. Esta era a maldição da humanidade: o fato desses dois ramos incongruentes estarem unidos com tanta força, que – nas agonizantes entranhas da consciência – estes gêmeos opostos lutavam continuamente entre si. Então, como dissociá-los?”

Trecho do clássico “O Médico e o Monstro: O Estranho Caso do Dr. Jeckyll e Mr. Hyde”, escrito por Robert Louis Stevenson em 1885.

 

O final trágico do Dr. Jeckyll não invalidou a sua descoberta:

“…o homem não é autenticamente um, mas sim dois.”

As consequências deste insight sobre a natureza humana extrapolaram a ficção e contribuíram para os avanços neurocientíficos acelerados no século XX.

Algo semelhante aconteceu na tecnologia.

Passaram mais de dois mil anos desde as primeiras especulações sobre o átomo do filósofo grego Demócrito para iniciar o Projeto Manhattan em 1939. E apenas algumas décadas para os acidentes nucleares de Chernobyl, em 1986, e de Fukushima, em 2011, contaminarem com radioatividade parte da Europa e do Japão.

Estima-se que o “ego”, essa consciência imitada e aprendida de um eu separado do outro, seja um aglomerado de sinapses que surgiu na civilização há uns 3.500 anos. Em 2009 suspeitei da possibilidade de deletar este censor interno por meio de uma intervenção voluntária de “desaprendizagem” sobre o comportamento, a linguagem e o pensamento. Isso poderia corrigir uma limitação neurobiológica universal causadora do que chamamos “condição humana”.

Investi mais de uma década para chegar em uma teoria capaz de explicar esta hipótese. Ela é apresentada com detalhes logo nos primeiros capítulos do livro “A Arte Sinestésica da Contemplação”.

Essa teoria é simples: o ego se sustenta mediante seu emprego constante nas várias situações do cotidiano para perpetuar a identidade com a qual fomos condicionados desde o ventre materno, doutrinados a acreditar e investir em uma personalidade, com uma alma ou espírito habitando o corpo, que supostamente nos distingue dos outros.

Porém, qualquer ação direta sobre o ego só iria reforçar suas sinapses. Isso já vem sendo tentado há milênios. E sem sucesso. Ao contrário do esperado, um dos efeitos colaterais da “morte do ego” foi trazer ao mundo indivíduos regidos por um Superego. Rapidamente estes Iluminados, Salvadores e Santos foram convertidos em modelos criando inúmeros infortúnios. As guerras religiosas, a culpa e o ressentimento crônicos, o “mal-estar na civilização”, são as tragédias mais evidentes de tais tentativas de eugenia por intermédio de uma engenharia social extremamente perigosa conforme veremos.

Portanto, a ação sobre este emaranhado de sinapses que constituem o ego deveria ser indireta e lateral. Haveria também de ser voluntária, persistente e intencional, evitando os riscos de recriar instáveis “reatores nucleares” na forma de sociopatas carismáticos e narcisistas como Hitler e Jim Jones, para citar só alguns dos mais infames, cujos seguidores fanáticos regrediram para um estado alterado de esquizofrenia, o “bicameralismo” apontado pelo psicólogo Julian Jaynes.

Destilei duas práticas que deveriam ser empregadas simultaneamente, uma marcial e outra linguística, e ambas racionais e pragmáticas. Contudo, a combinação delas só funcionaria se não dependesse dos sussurros do ego que se apropriou de grande parte do pensamento.

 

EM SINESTESIA

O último ingrediente para adicionar e estabilizar essa mistura volátil foi entender uma inesquecível sensação de unidade com o mundo objetivo que experimentei durante a escalada de uma montanha na minha adolescência em 1987. Essa aventura juvenil descrita no livro “A Arte Sinestésica da Contemplação” levou-me, quase três décadas depois, aos estudos da Sinestesia.

Graças a este fenômeno natural em que os principais sentidos se cruzam, a sinestesia se tornou a melhor candidata para dar ignição à autoimolação do ego.

O ascetismo torturante dos monges ou o hedonismo materialista dos niilistas cínicos havia fracassado. Insistir em seguir e pregar dogmas religiosos atávicos, filosofismos quânticos New Age e visões políticas revolucionárias, ambientalistas e utópicas, seria o equivalente a continuar lutando contra os velhos “moinhos de vento”.

O que não pode ser proibido ou punido requer regulamentação. Requer ordem.

“Antes de mudar o mundo, dê três voltas ao redor da sua casa”, reza um ditado popular.

E para restaurar a inteligência nativa do corpo e seus delicados sistemas orgânicos, escolhi o treinamento do Tai Chi Chuan e da aplicação de uma heurística diária que chamei de “Jogo das 8 Palavras-Chave”. E estas duas ferramentas neutralizam o ego — sem alavancar um Superego — quando a mente opera a partir do estado contemplativo. Mas não da contemplação convencional que se confunde com meditação, e sim da contemplação em sinestesia.

“Contemplar”, em português, significa ser agraciado com uma dádiva. E não há prêmio maior do que testemunhar a oportunidade de estar vivendo e saber que está acordado em vez de preso a um pesadelo.

A vantagem da sinestesia é que ela naturalmente ativa as regiões do cérebro responsáveis pela memória, desalojando momentaneamente o ego. Sinapses que antes eram parte do ego passam a ser canais de cruzamento das sensações. No lugar de associar um cheiro a uma lembrança, o “efeito Proust”, os aromas serão “tocados” como no contato entre objetos. Idem para a audição, a visão e os demais sentidos, incluindo o da propriocepção.

Enquanto no TAI CHI CONTEMPLATIVO damos vazão à inteligência nativa do corpo exercitando seu controle dos movimentos finos e explorando o “sentido de proximidade” na interação marcial, no JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE o ego é progressivamente neutralizado nos relacionamentos, evitando que esta entidade virtual se aproveite dos instintos e das emoções que provoca e nutre para perdurar.

Esta ARTE SINESTÉSICA CONTEMPLATIVA é física e cognitiva e aceita os legítimos sentimentos físicos (“feelings”) e outras reações orgânicas como o sono, a fome, a digestão, a excitação sexual e o próprio pensamento, e não ilude a mente com alucinações solipsistas e promessas irreais.

Qual seria a estratégia para driblar a transmogrificação do ego em um superego? E para burlar aquela “calamidade” dolorosa descrita por U.G. Krishnamurti e outros, de certas experiências de quase morte seguidas de um ressuscitamento aleatório conhecido por “ANÁSTASE”?

A resposta: permitir que a habilidade inata de plasticidade neuronal opere sem resistência enquanto atingimos o ápice do relaxamento estimulado no TAI CHI CONTEMPLATIVO. E o melhor e mais seguro momento de se implementar esta neuromorfia para desalojar o ego ocorre enquanto dormimos. Este recurso hipnagógico, diametralmente oposto à hipnose, em conjunto com a sinestesia contemplativa na prática do TAI CHI CONTEMPLATIVO e na aplicação rotineira do JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVE foi a solução.

 

CONCLUINDO

Homens e mulheres livres do dualismo interior mantido pelo ego são amoralmente pacíficos e altruístas. Ou seja, essas e outras qualidades aclamadas como nobres e ideais não dependerão do medo de uma punição ou retaliação em vida ou após a morte ou da esperança de uma recompensa e lucros no futuro. E nem da sanção e do reconhecimento do grupo em que estão inseridos socialmente.

A mentalidade de rebanho termina com a demissão do ego.

O simples fato de se estar vivendo no agora sempre inédito e dinâmico do mundo objetivo, sem estar guiado cegamente pelos instintos, as emoções e os pensamentos em conflito com o intelecto, é o fruto imediato do conhecimento visceral de que o paraíso existe em todos os lugares do universo e a qualquer instante. Ao interromper os prejuízos e as ameaças à própria saúde e a segurança de seus semelhantes, o “ouroboros” psicológico — um looping cerebral desgastante e degradante — desaparece como a sombra exposta à luz.

Não há como descrever uma existência inteira vivendo no presente em tal estado de pureza sensorial contemplativa.

Viver com o corpo liberto de um ego mediante um trabalho gratuito, seguro e divertido de manumissão, é um exemplo que se espalha como as sementes do dente-de-leão nesta era de comunicação ultrarrápida.

A telessinestesia é uma realidade. E atualmente uma necessidade.

Esta tarefa sobre si mesmo encontra resistência (o ego deseja sobreviver a qualquer custo). Se não ocorrer na próxima geração ou na seguinte, será irrelevante. E não será compartilhada pelo proselitismo das seitas ou da persuasão dos oradores e influencers.

Descartar órgãos obsoletos é parte da seleção natural (na natureza, use-o ou perca-o). Um invento é superado quando outra inovação o substitui com mais eficiência.

A adaptação é inevitável.

Os mais destemidos serão os primeiros a cristalizar e quebrar os seus egos.

Uma evolução autógena para acelerar isso requer um método seguro e prático, nem espiritualista, nem cientificista.

Agora tal metodologia racional está ao seu alcance.

Aonde estes conhecimentos neurocientíficos básicos da condição humana irá conduzir outros investigadores está além das opiniões deste autor e da imaginação mais fértil de todos os escritores.

O fim do Homo Sapiens Sapiens não precisa ocorrer por meio de catástrofes ou pragas…

Ou de um colapso econômico mundial: a quebra de um dos elos mais frágeis da cadeia de distribuição de alimentos — o dinheiro — reduziria em mais de dois terços a população de consumidores, cujos sobreviventes despreparados lançados à força no modo de vida caçador-coletor seriam extintos pela violência, a fome, o frio, as doenças e a perda da vontade de gerar filhos e morar nas ruínas de um planeta pós-apocalíptico.

 

AS BOAS NOVAS

“A beleza da arte salvará o mundo.”
— Fiódor Dostoiévski

Pela primeira vez na história estamos diante do nascimento de uma nova espécie: a do “Homo Ludens Artisticus”, na qual homens e mulheres são os artistas pioneiros da Grande Arte de Viver.

E isso deixou de ser uma performance e uma profecia.

Envie um Comentário

Fechar

A Academia Imoto NÃO É uma franquia. Somos uma FAMÍLIA. Nossas principais modalidades e cursos são EXCLUSIVOS e orientados para turmas pequenas e aulas particulares com o objetivo de acelerar resultados com máxima economia de tempo e recursos aos nossos alunos e clientes.

Atendimento

Segunda à Sexta:
08:00 – 20:00

Sábado:
08:00 – 13:00

Siga-nos
Academia