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Academia Imoto

Um leitor perguntou:
“— Quais as diferenças entre Chi Kung, Nei Kung e o Tai Chi Contemplativo?
Segue a minha resposta.

 

Primeiro vamos redefinir racionalmente os termos “Yin”, “Yang”, “Dantian” e “Chi” para entender as diferenças, que são várias.

O corpo humano é uma bateria viva com impulsos eletroquímicos ao longo dos nervos ativando órgãos, músculos e ossos. Os antigos orientais acreditavam que a Gravidade e a atmosfera eram de qualidade Yang (luminosa e celestial) e uma única força constantemente empurrando a massa corporal em direção ao centro da Terra. Maior concentração de massa, maior o peso. Por outro lado, também há o contato dos pés ou de qualquer outra parte do corpo com o chão. A fricção na força de contato empurra o corpo para cima (ação-e-reação) contra a força descendente da atração gravitacional e da pressão atmosférica. Esta “força” de qualidade Yin (escura e telúrica) favorece a germinação das plantas e mantém os animais em equilíbrio no seu eixo de apoio. Os antigos orientais reconheceram esse Yin da terra se opondo ao Yang do céu, quando na realidade é a Força de Reação do Solo (na sigla em inglês, GRF, Ground Reaction Force).

Ciente dessa interpretação da metáfora do Yin-Yang, será possível entender as diferenças: os exercícios de Chi Kung — “Cultivo (Kung) dos Sinais Bioeletromagnéticos (Chi)” — utilizam somente da força Yang enquanto os do Nei Kung — “Cultivo Interno (Nei) — incluem a força Yin para combinar ambas no Dantian, o núcleo de um reservatório imaginário no corpo humano localizado na junção média entre o abdome e a lombar, o assoalho pélvico e o diafragma. Enquanto a função original do Chi Kung é medicinal e seus praticantes aprendem técnicas respiratórias e de visualização para circular os impulsos nervosos pelo corpo do topo da cabeça ao períneo e depois até a sola dos pés e as palmas das mãos e ponta dos dedos, o Nei Kung é orientado para o lado meditativo e marcial e procura estocar o máximo dessas duas forças amalgamadas no Dantian formando uma esfera de energia. Essa bolha energética seria o equivalente a um reator nuclear orgânico para gerar calor e consequentemente aumentar o magnetismo e a eletricidade nas células alinhando serpentinas de elétrons (quaisquer semelhanças com as descrições do fenômeno Kundalini não são mera coincidência). Essa é a grande diferença entre esses dois sistemas de poder interno cuja origem remonta à Índia milenar. Em outras palavras, Chi Kung e Nei Kung são a versão chinesa do Yoga indiano (vide os textos clássicos de Patânjali).

No TAI CHI CONTEMPLATIVO não ficamos limitados a nenhuma dessas duas forças e funções. A Gravidade, a pressão atmosférica e a Força de Reação do Solo já estão atuando ininterruptamente no corpo e o objetivo primário do TAI CHI CONTEMPLATIVO não é aumentar a libido e a longevidade ou aprender a lutar, mas estimular e manter atuante o processo da Sinestesia Contemplativa (mais sobre este fenômeno a seguir). Habilidades de legítima defesa e de fortalecimento do sistema imunológico serão efeitos colaterais secundários em um corpo vivendo na paz interior da Sinestesia Contemplativa, ou seja, existindo e se relacionando de um jeito puramente sensorial e sem um ego ou um Superego para censurar pensamentos e induzir comportamentos irracionais e nocivos.

Na fase inicial do TAI CHI CONTEMPLATIVO é vital antes de tudo perceber a Gravidade e a Força de Reação do Solo atuando na sua estrutura musculoesquelética e sentindo a diferença de peso e densidade em cada um dos seus principais segmentos (cabeça, caixa torácica/coluna, bacia/sacroilíaco, coxas, canelas/panturrilhas, pés, escápulas/braços, antebraços e mãos). Para essa finalidade aperfeiçoamos os sentidos do tato e da propriocepção praticando três exercícios: a Semente, a Árvore e a Caminhada Contemplativa (mais sobre cada um deles no livro “A ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO”). Esses exercícios refinam a capacidade de sentir e avaliar a quantidade de compressão da Gravidade e da Força de Reação do Solo se encontrando no Dantian. Ao atingir esse estágio de sensibilidade será o momento de acrescentar uma terceira ação que somente o corpo humano é capaz de produzir e desenvolver: a ação IDEOMOTORA, em que emitimos sinais nervosos até as extremidades do corpo para acionar micro movimentos musculares como demonstrado por ilusionistas movendo pêndulos e forquilhas de radiestesia unicamente com a intenção. Essa terceira força típica do corpo humano complementa a compressão (representada por dois vetores se chocando, -> <-) com descompressão interna (dois vetores se afastando, <- ->). Na falta dela, problemas de saúde (especialmente endócrinos) a longo prazo serão inevitáveis. Os praticantes de Chi Kung e Nei Kung que ignoraram essa terceira manifestação da força, nem Yang ou Yin, sofreram de depressão, alucinações, artroses, obesidade, atrofia muscular, hipertensão, impotência sexual, infartos, derrames (AVC), diabetes, hemorroidas, insuficiência renal e cânceres.

 

COMO EVITAR TAIS RISCOS?

O melhor e mais seguro de todos os exercícios para se ativar a Sinergia Ideomotora é a “Forma” do TAI CHI CONTEMPLATIVO inspirada na sequência desenvolvida pelo Prof. Cheng Manching no seu método de Tai Chi Chuan Simplificado das 37 Posturas (os estilos Chen, Yang e Wu também podem servir). Infelizmente, a maioria dos praticantes dessa e de outras artes marciais internas chinesas, coreanas e japonesas ainda desconhecem como otimizar o poder ideomotor mediante o emprego da sinestesia (unificação dos sentidos) e acabam se limitando à circulação e à acumulação antinaturais da compressão da Gravidade e da Reação do Solo no Dantian, aumentando perigosamente a pressão intra-abdominal nos órgãos vitais e nos vasos capilares do cérebro (hipertensão).

E como a Forma do TAI CHI CONTEMPLATIVO ativa a FORÇA IDEOMOTORA?

A “Regra de Ouro” do cérebro: sensorial primeiro; motor e cognitivo depois.

Com um ego interferindo, censurando e contaminando a percepção das sensações internas e externas captadas pelos nossos sentidos, o cérebro demora ao menos 12 milésimos de segundos extras para receber e processar tais estímulos. Esse período curto de atraso é o bastante para poluir as sensações com reações reflexas instintivas, emotivas, sentimentais e conflitantes entre si. Tal “delay” cognitivo sabota os planejamentos e decisões do intelecto. Incapaz de observar e se orientar/mover com a devida quantidade e qualidade de dados, será obrigado a decidir e (re)agir dependendo da memória com enorme risco de errar e fracassar. O resultado dessa interferência do ego ocupando a memória com a constante lembrança de um “Eu” é um sentimento crônico de medo, ansiedade, insegurança, culpa, irritação, pressa, euforia, excitação, tédio e aborrecimento sem motivo. Essa dispersão mental é conhecida no Zen como o “macaco” porque atiça uma torrente caótica de pensamentos e devaneios desconexos que consomem e desperdiçam a maior parte dos impulsos neuronais (no livro “A ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO” esse distúrbio da agitação da mente é representado no símbolo arquetípico do Ouroboros e do “Grand Loop” do desgaste cerebral investigado pelo neurocientista James Kozloski).

Uma ausência parcial do ego costuma ocorrer sob hipnose, estado de Fluxo (Flow) e dormindo. Felizmente é possível abandonar e obliterar completamente o ego e relegá-lo ao ostracismo estando desperto em vigília. Basta resgatar e aproveitar os Eventos de Contemplação Sinestésica também conhecidos como “Experiências de Consciência Pura” (“Pure Consciousness Experiences”). Quando esse ego — a lembrança condicionada e recorrente de um “Eu”, de possuir uma identidade social virtual separada do corpo composta de uma “alma” ou “espírito” — se ausenta durante uma Experiência de Contemplação Sinestésica, a Inteligência Nativa do corpo reassume o comando. Só então a ação ideomotora se concentra e reaproveita as forças da Gravidade e da Reação do Solo em quaisquer posturas e movimentos. Aquelas transições suaves e ritmadas entre as posturas no TAI CHI CONTEMPLATIVO exemplificam bem a ação ideomotora que insere imperceptíveis micro movimentos musculares dentro dos macro movimentos da Forma. Faça um teste: levante os seus braços até a altura dos ombros. Este é um movimento macro. Repita a trajetória adicionando uma pequena rotação nos antebraços e nas mãos, virando lentamente as palmas para cima, e mentalizando a sensação de esticar a ponta dos dedos para frente e os ombros para trás como se esticasse uma faixa elástica pelas suas pontas em direções opostas. Todos esses gestos menores são os micro movimentos. Eles irão complementar a subida dos braços consertando e reduzindo eventuais inibições motoras. Quando as transições entre cada postura e macro movimento estiverem ricos de micro movimentos, com rotações nos dois sentidos, expandindo e encolhendo/condensando, espiralando, pulsando como o coração e vibrando/oscilando como uma corda de violão tensionada), os fenômenos da Biotensegridade e da Sinestesia Contemplativa estarão ativos e sob controle voluntário da Inteligência Nativa. Viver imerso nesse estado psico-fisiológico traz uma colossal sensação de bem-estar geral, leveza física, clareza mental e segurança que o Chi Kung e o Nei Kung são incapazes de reproduzir e sustentar no dia a dia.

É impossível avaliar, ou mesmo entender, qualquer procedimento que não possa ser mensurado. Portanto, para otimizar o TAI CHI CONTEMPLATIVO é essencial associá-lo com a prática do JOGO DAS 8 PALAVRAS-CHAVES e da dieta descrita no livro “MANUAL PROJETO ALIMENTAR DENTE-DE-LEÃO”. Este trio completa a metodologia que o praticante de A ARTE SINESTÉSICA DA CONTEMPLAÇÃO emprega como ferramenta de manumissão do ego. O meio é o destino: viver integralmente no MUNDO OBJETIVO não importa as condições, influências culturais e fatores ambientais envolvidos, imune a quaisquer projeções psíquicas, superstições e crenças. Essa metacognição, ou apercepção, libera a mente de todas as angústias e desejos comuns que assolam 99,9% da população, despertando o SENTIDO DE PROXIMIDADE no qual experimentamos a nossa existência de um jeito puramente sensorial, material e objetivo em vez de idealizado, insubstancial e conceitual.

Chi Kung e Nei Kung poupam o ego e muitas vezes o enaltecem e o alavancam, transmogrificando-o em um Superego (ou no jargão budista, atingindo a “Iluminação”). No TAI CHI CONTEMPLATIVO não repetimos essas promessas espiritualistas que nunca foram cumpridas e nem insistimos em perpetuar os mesmos erros dessas “Sabedorias Ancestrais”: no lugar do escapismo das meditações que flertam com estados alterados de consciência, será mediante o ato voluntário de CONTEMPLAR EM SINESTESIA que iremos deletar as frágeis sinapses de um ego sem cristalizá-lo em um Superego.

É imprescindível entender que se libertar desse “Eu” que está sempre tentando controlar arbitrariamente as forças do céu e da terra representa a única e última alternativa para facilitar a ascensão de uma próxima geração de pessoas livres, saudáveis, inteligentes, altruístas, vivendo seguras, em paz e em harmonia, coexistindo juntas sem conflitos psicológicos e ruídos de comunicação.

CONCLUSÃO: o TAI CHI CONTEMPLATIVO é a técnica marcial da abstinência e abandono permanente do ego e dos instintos e emoções fomentados por este inimigo imaginário.

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